TORNAR A DOR CRÓNICA UMA PRIORIDADE NACIONAL
2026-05-26 21:06:09

Mais de três milhões e meio de pessoas acompanharam os cerca de cem conteúdos publicados durante a primeira temporada da iniciativa editorial do Observador totalmente dedicada à dor, lançada a 17 de outubro de 2025, Dia Nacional da Luta contra a Dor. Entre artigos de opinião, reportagens, entrevistas, explicadores e newsletters, no site, nas redes sociais, na Rádio Observador e nas plataformas de podcast, a segunda temporada da secção “Dor” arrancou a meio de abril. Fibromialgia, enxaqueca, lombalgia, esclerose múltipla, doenças do intestino, doenças músculo-esqueléticas ou artrite reumatoide foram alguns diagnósticos abordados nos últimos meses numa iniciativa que resulta de uma parceria com os laboratórios Ferraz Lynce (através da sua unidade, FAI Therapeutics) e tem a colaboração da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor e da SIP Portugal. Mas também se falou de muitas especialidades ligadas ao diagnóstico e tratamento da dor: anestesiologia, neurologia, oncologia, medicina geral e familiar, gastrenterologia, reumatologia, enfermagem, psicologia, medicina física e de reabilitação, pediatria, geriatria, entre outras. Nesta nova temporada iremos ter depoimentos em vídeo com doentes que vivem com dor crónica dando assim voz (e rosto) a uma realidade que afeta uma em cada três pessoas em Portugal. O primeiro episódio estreará em breve. E o podcast Conversas sobre Dor, o programa de entrevistas com profissionais sobre vários temas ligados à dor, passa a ter dois convidados, juntando médicos e doentes, assistentes sociais e enfermeiros, psicólogos e familiares, etc. Disponível no site do Observador, nas plataformas habituais de podcast e transmitido também na Rádio Observador, já pode ouvir o episódio dedicado aos apoios sociais para pessoas com dor crónica. Por vezes este é um labirinto muito difícil de percorrer. Quisemos descodificá-lo com a participação da assistente social da ULS São José Fátima Ferreira. E ouvimos também Alexandre Bogalho sobre os desafios que estas pessoas enfrentam para recuperar alguma autonomia física e mental. A médica na foto é Isabel Pavão Martins, neurologista há mais de 30 anos e coordenadora da Consulta de Cefaleias, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa (fotografada por Inês Lacerda). Na primeira pessoa, a médica relatou à jornalista Sofia Teixeira, a forma como lida com as queixas dos doentes e como a enxaqueca pode interferir com todos os aspetos da vida. “É que, se não for tratada, uma enxaqueca pode deixar uma pessoa de cama dois dias, a vomitar, incapaz de tolerar a luz e sem condições para fazer o mais básico - trabalhar, andar, ir buscar os filhos à escola. Viver.” Felizmente existem tratamentos disponíveis e estamos muito melhor do que há uns anos, adianta. “Descobriu-se que, durante a crise, é libertada em grande quantidade uma substância chamada CGRP (Calcitonin Gene-Related Peptide) e, nos últimos dez anos, surgiram medicamentos anti-CGRP. Muitos pacientes dizem que há uma vida antes e outra - muito melhor - depois destes fármacos.” Ainda assim, há quem se sinta culpado por ter uma doença que não escolheu. “É um sofrimento que leva as pessoas a pedirem desculpa pelo que sentem. Ou a fingirem que não sentem. Alguns doentes dizem-me: Vou passar o fim de semana fora, levo medicação e, mesmo que esteja muito mal, não me queixo. Tenho vergonha. Não quero estragar as férias da minha família ou que os meus filhos me oiçam sempre a queixar-me. As pessoas habituam-se a sofrer em silêncio. Sozinhas.” É este o sentimento de muitos doentes: sentem-se isolados, têm dificuldades em trabalhar, em aceitar convites e ter vida social, em aproveitar a vida familiar com saúde. A dor crónica, como temos visto ao longo dos últimos meses, pode ser impactante e suspender vidas. Estes são alguns temas em debate num evento que acontece já esta semana. Na próxima sexta-feira feira, 26 de maio, a SIP Portugal, parceiro da secção Dor, organiza o Fórum SIPPT 2026 , Dor Crónica: Responsabiliade Partilhada, Responsabilidade Integrada. Será um espaço de debate que pretende reunir profissionais e saúde, associações de doentes. Acontece das 14h30 às 18h30, no Auditório da Ordem dos Médicos, em Lisboa, e a inscrição é gratuita, mas obrigatória. O programa está disponível aqui. Encontramo-nos lá? Entretanto, convido-o a continuar a acompanhar os nossos conteúdos (têm acesso imediato a alguns nos links desta newsletter) e a subscrever os alertas desta e de outras newsletters do Observador, para receber as novidades em primeira mão. Cláudia Pinto