pressmedia logo

A INTELIGÊNCIA NATURAL DO PAPA, UM DEDO SEGURO NA FERIDA E O TOQUE DO GOVERNO A ELEIÇÕES

Expresso Online

2026-05-26 21:06:07

Uma pequena frase do Papa Leão XIV ficará para a História se for cumprida, mas sobretudo se não for. O Presidente da República foi o único a fazer uma “oposição” eficaz ao Governo nas tempestades. E são os líderes do PSD e do CDS que andam a falar de eleições. Para quê? Quem puxa pela possibilidade de eleições não é a oposição, é o Governo, para avisar que devem ser só em 2029, como se alguém andasse a dizer que são amanhã. Mas Nuno Melo, líder do CDS, reconhece que podem ser inevitáveis. Enquanto isso, Antóno José Seguro ocupa o lugar deixado vazio pela oposição nas tempestades. E o Papa dá um passo para ficar na História com a encíclica sobre Inteligência Artificial. Este Índíce do Citacionismo ainda analisa a utilidade da guerra ao Irão: a líder da IL mantém o que disse no Parlamento? 20 valores no índice da inteligência natural“A inteligência artificial precisa de ser desarmada”.Papa Leão XIV, na encíclica “Magnifica Humanitas” É sempre arriscado fazer previsões destas, mas a encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, conhecida ontem, permanecerá no tempo pela lucidez sobre o momento de viragem que estamos a viver na história da humanidade. O texto é longo e interessante, faz uma comparação com a Torre de Babel, para exemplificar a ambição humana desmedida, mas não para contrariar o desenvolvimento tecnológico, o que mantém o Papa e a Igreja na lógica da modernidade. A encíclica sublinha os problemas que vamos enfrentar num futuro muito mais próximo do que podemos imaginar. Leão VIX diz ter escolhido a palavra para “atrair a atenção, despertar consciências e indicar caminhos a seguir para a humanidade”. Fez bem. “Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também económica e cognitiva”, escreve o Papa, levantando as questões essenciais. O uso de armas guiadas apenas por IA já motivou um choque severo entre o Pentágono e a empresa Anthropic, que tem guidelines éticos quanto às decisões das máquinas sobre a vida e a morte sem intervenção humana. São limites éticos a que a administração norte-americana não quer estar amarrada. No livro “A Era da Inteligência Artificial” (D. Quixote, 2021), o mentor da escola do realismo diplomático, Henry Kissinger já defendia acordos internacionais para o uso da IA, semelhantes aos acordos de não proloferação das armas nucleares. O Papa está no mesmo campo. Mas o chefe da Igreja Católica vai mais longe, ao domínio da política por mega empresas mais poderosas do que a maioria dos Estados. “Trata-se da corrida ao algoritmo mais eficaz e ao banco de dados mais vasto, com o objetivo de consolidar uma vantagem geopolítica ou comercial sobre todos os outros. Desarmar significa quebrar esta equivalência entre poder técnico e direito de governar. Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano”, escreve. O texto ficará como referência universal, como a encíclica de outro Leão, a “Rerum Novarum”, que deu origem à Doutrina Social da Igreja. “A IA exige agora ser desarmada, libertada das lógicas que a transformam num instrumento de domínio, exclusão e morte. Tal como a energia nuclear, deve estar ao serviço de todos e do bem comum”, estabeleceu o Papa. Que o reino dos homens o oiça. 17 valores no índice de ocupação do vazio “A crise expôs debilidades no aviso, na comunicação de risco, na articulação entre níveis da administração, na clareza dos interlocutores sectoriais, no enquadramento do apoio militar, na interoperabilidade entre plataformas e na capacidade de tratamento administrativo da informação.”Relatório da Presidência Aberta sobre as consequências das tempestades Toda a gente percebeu aquilo que o Presidente da República, António José Seguro, denuncia no Relatório da Presidência Aberta às zonas afetadas pelas tempestades de fevereiro na zona Centro. Ao contrário do discurso oficial do Governo, pouco ou nada funcionou como devia, ou pelo menos nas primeiras horas ou dias. O “excesso de improviso e de articulações construídas sob pressão”, sublinhado no “Relatório Seguro”, é a história das nossas vidas. E não há grande esperança que venha a ser de outra maneira. Do ponto de vista político, o relatório de Belém divulgado pelo “Público” este sábado, tem relevância por várias razões: ocupa o espaço deixado vazio pelo Governo, que foi brando no diagnóstico e propagandista na resposta; ocupa outro vazio deixado pela oposição e pela Assembleia de República, que devia ter produzido outro relatório fosse de uma Comissão Técnica ou Comissão de Inquérito; mantém o assunto na agenda e assume oposição à retórica governamental, uma atitude cujos impactos veremos se têm consequências práticas no futuro. Se às Presidencias Abertas seguristas se seguir sempre um relatório com um diagnóstico e recomendações, pelo menos alguma coisa de concreto sai das viagens presidenciais ao terreno que não seja abstrato ou perdido na voragem mediática. Seguro começa a construir um estilo de quem quer ser relevante. Para percebermos se vai ser mesmo consequente, teremos de esperar. 16 valores no índice desviem-se que vêm aí mais eleições“O ambiente político está demasiado volátil para algum de nós dizer com mínima base de certeza que a legislatura se vai cumprir.”Nuno Melo, líder do CDS e ministro da Defesa, em entrevista ao Expresso Num assomo de realismo, a destoar do taticismo de Luís Montenegro, o líder do CDS disse o óbvio ululante em entrevista ao Expresso: o Governo está apertado numa tenaz e, mais tarde ou mais cedo, cairá algures, independentemente do motivo. Bastará uma conjugação de vontades com objetivos eventualmente diferentes entre o Chega o PS para as duas hastes apertarem a Aliança Democrática até novas eleições. “A composição parlamentar está demasiado fragmentada e o ambiente político demasiado volátil para algum de nós poder dizer com mínima base de certeza que a legislatura se vai cumprir ou que vai ser interrompida”, constatou Nuno Melo. "No primeiro momento em que as oposições sintam que, concertadas, o Governo cai e conseguem alterar o desenho parlamentar, o Governo cairá”, vislumbrou. Quando e como, não sabemos. Mas em Portugal, com todas as surpresas que de vez em quando surgem inopinadamente, seria um milagre este Governo durar até ao fim do mandato, como prevê o parceiro júnior da coligação. Parecia o saudoso professor/Presidente Marcelo com as suas premonições... 16 valores no índice do toque a rebate se vierem aí eleições“O povo não quer eleições, eu até diria, está farto de eleições. O povo já fez a sua opção e em 2029 fará a próxima. Em 2029 avaliará o desempenho do Governo.”Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD Pode parecer o contrário, mas Luís Montenegro não está a dizer forçosamente o inverso do que afirmou Nuno Melo. Está a fazê-lo é de uma forma politicamente mais ardilosa, para capitalizar a inevitável vitimização no caso de acontecer o que pode vir a suceder. Ao falar das “desalianças” na sua moção de estratégia ao Congresso do PSD - nem Chega nem PS, cruzes credo -, Montenegro relançou o debate sobre as eleições. Assim, ao lançar o debate sobre eleições, pode sempre dizer que o povo está farto de eleições. Então, se houver eleições, a responsabilidade não será do Governo, mas sim das oposições - como aliás notava Nuno Melo. Parece uma alucinação, como dizia o David Dinis aqui na Comissão Política. Com o Parlamento tripartido, teremos um fim de 2026 animado. O Orçamento passa ou não passa? As leis laborais passam ou não passam? A Lei de Bases da Saúde passa ou não passa? O Presidente da República conseguirá unir a rapaziada num pacto qualquer para a saúde ou não? Se o Orçamento chumbar, António José Seguro já disse que não haverá forçosamente eleições antecipadas, mas isso não depende de Belém, depende do primeiro-ministro. Se Luís Montenegro entender que não quer governar em duodécimos, pode querer jogar os dados e ir para eleições. Também se pode querer vitimizar, fazendo-se ao bloqueio no seu beco político. Se a oposição não lhe aprovar o código laboral nem a Lei de Bases da Saúde, por exemplo, que condições tem para governar e levar a cabo as suas “reformas”? Se o Governo estiver bloqueado, que vantagem tem em continuar a tentar governar, numa circunstância em que as pessoas não sentem melhorias na sua vida, antes pelo contrário? Só por tática. Tudo dependerá do que disserem os dados das sondagens. O PS, sobretudo se José Luís Carneiro estiver muito apertado internamente, pode ser tentado a avançar para eleições de modo a obter uma vitória eleitoral, o que poderia acelerar a junção das direitas. André Ventura, seguirá o que lhe disser o instinto, mesmo sabendo que a entrada no arco do poder possa ser obtida com um resultado eleitoral menor que os 60 deputados. Num cenário de derrota, Montenegro teria de sair e, eventualmente, segui-se-ia Pedro Passos Coelho apresentado num andor. Se isso resultaria numa aliança com o Chega, fosse uma coligação ou uma geringonça pós eleitoral, não sabemos. Mas talvez a união das direitas e um Governo mairitário Passos-Ventura-Leitão seja a única maneira de o PS tornar-se de novo numa alternativa maioritária a médio longo prazo. Mas para isso é preciso capacidade estratégica e saber esperar. Só que os partidos pensam com a barriga apenas na próxima refeição 5 valores no índice de guerra útil e justa“Se a guerra está realmente prestes a terminar, para que serviu?”Jared Bernstein, ex-presidente do Conselho de Assessores Económicos de Joe Biden Donald Trump e a sua tropa dirão sempre que serviu para obliterar definitivamente o poder nuclear do Irão, uma vez que desde o início nunca houve a intenção de Washington para mudar o regime ou procurar impor ali alguma forma de democracia - sobretudo considerando a notícia do “The New York Times” de que a administração chegou a pensar no ex-Presidente anti-americano e anti-Israel Mahmoud Ahmadinejad para liderar o país. A pergunta de Jared Bernstein, publicada numa newsletter da Substack, citada aqui pelo meu colega Hélder Gomes, é a questão do momento. Para quê? Qual era o objetivo? Nunca se percebeu. Aliás, são várias questões que Bernstein levanta: “Para que serviu tudo isto? Por que razão morreram milhares de pessoas? Por que razão a economia mundial teve de sofrer uma perturbação tão grave, levando ao aumento dos preços e das taxas de juro? Por que razão os EUA tiveram de minar ainda mais a sua reputação internacional, não só ao serem arrastados para esta guerra, mas também ao não conseguirem vencê-la de forma significativa?” Já ouvimos Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal, no nosso Parlamento, a defender a intervenção norte-americana em nome da democracia e contra a ditadura assassina iraniana, com o primeiro-ministro a concordar. Se o mundo fosse a preto e branco era fácil. Aqui não se trata de ficar do lado dos “bons” contra os “maus” como nos filmes de cowboys. Há outras nuances e consequências muito mais compicadas, a partir de uma ação sem objetivo nem plano. Mariana Leitão, mais tipo “Falcão”, acusava o PS de se “agachar” perante o Irão - por ser contra a intervenção norte-americana - e colocava as fichas todas no ataque ao odioso do regime iraniano. O regime continua lá, ainda mais odioso. Manterá hoje a mesma opinião? Vítor Matos Jornalista Vítor Matos