CARNEIRO QUER QUALIFICAR ADMINISTRAÇÕES HOSPITALARES E REGISTO ÚNICO DE SAÚDE
2026-05-26 21:06:06

Apresentando o PS como um “partido de alternativa”, Eurico Brilhante Dias argumentou que não basta criticar os resultados do Governo na área da saúde e prometeu apresentar propostas. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu, nesta terça-feira, maior autonomia e qualificação das administrações hospitalares, a implementação do Registo Único de Saúde interoperável entre os vários sectores da saúde e a reforma dos cuidados primários. Antes, Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar dos socialistas, comprometeu-se a apresentar propostas para responder aos problemas da saúde, considerando que um “partido de alternativa” não pode apenas criticar os “resultados manifestamente insatisfatórios” do Governo. No encerramento do fórum Plano de emergência e transformação da saúde (PETS): dois anos de anúncios por cumprir, promovido pelo grupo parlamentar socialista, José Luís Carneiro apresentou propostas para o sector da saúde. “A primeira questão está em sermos capazes de capacitar as administrações hospitalares, garantir maior autonomia às administrações hospitalares, qualificar as administrações, garantir que o conhecimento, as qualificações e as experiências são o primeiro critério para fazer as escolhas para quem assume tão grandes responsabilidades na administração hospitalar”, disse. Segundo Carneiro, deve haver uma “ampla convergência política” para que se possa garantir que nas administrações hospitalares há “a qualidade, a experiência, o mérito, uma cultura de serviço público e uma cultura de compromisso com os interesses gerais do Estado”, o que “significa também dar maior autonomia aos conselhos de administração” dos hospitais. Além disso, referiu a importância da “implementação do Registo Único de Saúde que seja interoperável não apenas entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares”, mas também “com as respostas que são dadas pelo sector social e por outros sectores”. “Isto parece simples, mas é muito exigente porque leva a integração dos sistemas tecnológicos, que, como se vê por outras áreas, é uma área muito difícil. É preciso ter coragem, é preciso insistir, é preciso dar força a quem tenha a responsabilidade de garantir essa integração”, apelou, considerando que esta mudança “é indispensável” e pode impedir “repetições de exames de diagnóstico”. Sublinhando a importância de reformar os cuidados primários, Carneiro apontou ainda ao “reforço da saúde pública” porque não pode haver preocupação com este sector só quando há uma crise como a gerada, por exemplo, pela pandemia de covid-19. “Por último, a necessidade de valorizar a autonomia e a capacidade para atrair os profissionais. Atrair e fixar os profissionais”, frisou, explicando que o PS tem debatido a “integração do internato médico na carreira médica” e a “introdução da especialidade dos enfermeiros no seu contexto de trabalho”. Quanto ao pacto para a saúde, promovido pelo Presidente da República e coordenado pelo antigo ministro Adalberto Campos Fernandes, Carneiro afirmou que “de muito bom grado” os socialistas transmitiram a António José Seguro que estavam “disponíveis para participar também no diálogo interpartidário para constituir uma resposta duradoura” na saúde. “Pontapé de saída em propostas” Na abertura do fórum, Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar dos socialistas, tinha-se comprometido a apresentar propostas para responder aos problemas na saúde. “Como um partido de oposição que é um partido de alternativa, esta crítica não é suficiente, porque os portugueses não vivem da crítica que fazemos às opções do Governo, e muito menos vivem dos resultados que este Governo apresenta. Vivem de propostas concretas que resolvam os seus problemas, e a nossa obrigação como partido político, que já foi Governo e que quer voltar a ser Governo para ajudar a resolver os problemas dos portugueses, é encontrar as propostas que resolvem problemas”, defendeu, argumentando que este fórum serve como avaliação do Plano de Emergência e Transformação da Saúde, mas ao mesmo tempo “para dar o pontapé de saída em propostas”. Lamentando a “degradação do Serviço Nacional de Saúde”, que é, desde logo, “uma má notícia para a saúde dos portugueses, mas é também uma má notícia para a qualidade da democracia portuguesa”, o socialista considerou que ao fim de dois anos de governação da AD “os resultados são manifestamente insatisfatórios”. O líder parlamentar do PS recordou ainda que os socialistas, mais do que uma vez, questionaram a própria continuidade da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no cargo. PS transmitiu de "muito bom grado" disponibilidade para participar no pacto para a saúde ESTELA SILVA / LUSA Lusa e PÚBLICO