pressmedia logo

O CARRO, A AUTONOMIA E O CHÁ DE LARANJEIRA

ORegiões Online

2026-05-26 21:06:05

Quando agora se vê o anúncio de um carro a pilhas, os anunciantes têm uma preocupação enorme em dizer sempre UMA coisa: a autonomia do automóvel. Não para que o potencial cliente faça diariamente viagens de 300 quilómetros. Não porque abaixo dos 10 mil quilómetros de autonomia o popó não valha nada. Mas apenas por uma razão: o bicho demora que nem um santo a recarregar e quem tem um carro a pilhas pode ficar na Estrada Municipal 325 sem pinga de bateria - e a tomada mais próxima está a uma autonomia de 30 quilómetros Por isso, os compradores de carros eléctricos andam sempre com um olho na burra e outro no cigano. É comum ouvir-se o pequeno-burguês ou o dono do carro dado pela empresa dizer: - Ah, ainda tenho 32 por cento, podemos ir e vir. Pobre pessoa, sempre ocupada em procurar tomadas, carregadores, power-banks, painéis solares, manivelas de dínamos comprados na TEMU algo que a livre de ir a Tolosa e ficar sem energia, e não se conseguir desviar do autarca já bebido, por causa da Duracell esgotada. Mas, caros amigos e amigas, sabeis vós, mortais como eu, que ainda usam carros com motores a óleo de dinossauro, qual a autonomia do vosso coche? Fui fazer as contas. O meu, que não é exemplo para ninguém (tem 16 anos, já não se fabrica e é tão pequeno que os adultos, no banco de trás, são contorcionistas do Circo Chen) - dizia eu -, o meu tem uma autonomia de 500 quilómetros, mais coisa, menos coisa. Alguma vez pensei nisto? Nunca. Quando o ponteiro se encostava à esquerda e a luz se acendia , lá embicava para a bomba a meter gasosa. Uma pessoa faz contas às portagens, à biela que se foi, ao custo da revisão e inspecção. Agora, um condutor normal, com um carro normal, com uma cabeça normal, não se angustia por autonomia . Antes dos carros eléctricos, o único que pensava nisso era o Alberto João Jardim, que queria a autonomia da Madeira. E, não, os carros com baterias não são menos poluentes . Do fabrico ao aterro, fazem pior ao ambiente do que os Fiats a gasóleo que para aí andam. Mas isto passa. Já aí vem o motor a hidrogénio. Depois? Depois o problema é que até um chazinho se pode fazer com o vapor de água que sai do escape. Eu quero. Mas camomila não. Lúcia-lima, pode ser? Joao Vasco Almeida