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ALGARVE CUSTA À CUF ERGUER HOSPITAL PARA O VENDER. “NÃO É O MAIS NORMAL”

Negócios Online

2026-05-25 21:05:42

O CEO da CUF descreve como “muito exigentes” os “remédios” impostos pela Autoridade da Concorrência para autorizar a compra de 75% do Grupo HPA, que lhe vai permitir entrar no Algarve. O mais “surpreendente” é ter de erguer um hospital para vender a um concorrente. A CUF fechou, no início do ano, a compra de 75% do Grupo HPA por 135 milhões, mas este não é o único preço a pagar. Ao Negócios e à Antena 1, o CEO, Rui Diniz, afirma ter ficado “surpreendido” com os “remédios” para obter luz verde para a aquisição, que lhe permite entrar no Algarve, Alentejo e Madeira. A CUF teve de assumir uma série de compromissos, nomeadamente de desinvestimento, para poder comprar 75% do Grupo HPA. O nível dos “remédios” impostos pela Autoridade da Concorrência surpreendeu? Surpreendeu. Não tínhamos nenhuma expectativa de que pudesse trazer alguma dificuldade, porque a jurisprudência da Autoridade da Concorrência até então era muito baseada em concentração regional e a nossa unidade mais próxima de uma unidade do Grupo HPA estava a uma hora e meia de carro. Mas a Autoridade da Concorrência nesta operação mudou a lente para uma perspetiva nacional. O argumento da Autoridade da Concorrência tem de ver com riscos do reforço do poder negocial. Exatamente. Porque, do ponto de vista da Concorrência, haveria um poder concorrencial adicional por o maior grupo de prestação estar a comprar o quinto. Essa concentração a nível regional não tinha qualquer sobreposição, mas poderia ter impacto a nível nacional, associado também ao facto de termos mais uma região importante. E, nesse sentido, impuseram-nos remédios que primeiro nos surpreenderam, que aceitamos, que vamos acomodar, mas que são muito exigentes. Qual é mais difícil de acomodar? O mais difícil , que, se calhar, não é o mesmo que o mais surpreendente , é ter de vender o equivalente a 15 a 20 milhões de faturação. Porquê? Porque, apesar de ser uma percentagem relativamente pequena da nossa faturação, não estamos a falar de um negócio simples, como uma fábrica toda automatizada. Estamos a falar de uma atividade com médicos, ou enfermeiros e outras pessoas que escolheram trabalhar com a CUF, num determinado sítio ou segmento de negócio. Portanto, vender uma parte do que fomos construindo é difícil. A CUF estava a analisar que operação destinar para esse fim. Já decidiram? Ainda não temos decisões fechadas. Estamos a olhar para segmentos de negócio, para unidades. Estamos a perceber o que é mais plausível de conseguir fazer, porque não é simples. Trabalhamos muito em rede, pelo que tirar uma peça é difícil, porque ela funciona no contexto da nossa rede e, muitas vezes, não se sustenta em autonomia. Estamos a trabalhar para podermos concretizar, mas é difícil. Qual é o prazo para o fazer? Entre seis e nove meses, mas se as coisas estiverem a progredir, a entrar em negociações finais, também penso que a Autoridade da Concorrência terá alguma latitude para analisar. Disse que esse era o compromisso mais difícil, mas não o mais surpreendente. O mais surpreendente é ter de construir um hospital no Algarve e vendê-lo a um concorrente quando estiver pronto , não é a coisa mais normal. Mas acreditamos que vamos conseguir vendê-lo pelo custo que tivermos a construí-lo, porque achamos que vai haver interessados em comprar um hospital bem feito no Algarve. Diana do Mar dianamar@negocios.pt | Rosário Lira Antena 1 | João Cortesão - Fotografia Diana do Mar dianamar@negocios.ptRosário Lira Antena 1João Cortesão - Fotografia