JÁ CONDUZIMOS A RESPOSTA DA KIA AO VOLKSWAGEN T-ROC
2026-05-25 21:05:38

Chama-se Kia Seltos e só chega a Portugal em agosto, mas já o fomos conduzir à Coreia do Sul. Tem o que é preciso para vingar na Europa? Kia Seltos HEV Primeiras impressões 7.5/10 Data de comercialização: Agosto 2026 O principal rival do Seltos está definido, mas o maior obstáculo poderá estar dentro da própria Kia. Prós Estética modernaComprimento interiorBagageira amplaConforto de rolamento Contras Altura na 2ª filaPerformancesMateriais durosPreço A Kia sabe que, mesmo na Europa, a mobilidade totalmente elétrica não é ainda para todos, e por isso vai alargar a sua oferta com a inclusão do Seltos no seu catálogo de modelos a combustão. Apesar de ser um modelo desconhecido na Europa, o Seltos já era comercializado em 189 países globalmente, depois do lançamento da primeira geração em 2019. Tanto que é, nesta altura, o segundo modelo mais vendido da Kia em todo mundo, apenas atrás do Sportage. Não é que haja propriamente escassez de propostas no segmento C-SUV, mas o certo é que não param de chegar novos modelos entre 4,3-4,5 metros de comprimento, altura ao solo mais elevada do que a das berlinas convencionais e espaço interior a condizer. © Kia Apesar de só ter motorizações a combustão, visualmente são usadas as linhas e recursos estilísticos mais angulares e agressivos dos modelos elétricos da Kia. Causa e consequência disso mesmo, este subsegmento vale mais de um milhão de vendas por ano no nosso continente e é o que mais cresce, tendo mais de duplicado o número de matrículas entre janeiro e abril deste ano. Entre o Niro e o Sportage Na gama da Kia, o Seltos vai cair quase em cima do Niro (que tem apenas menos um centímetro de comprimento), ficando abaixo do Sportage (menos 11 cm), que continua a ser um caso sério de sucesso (170 000 unidades matriculadas em 2025) na Europa. A plataforma do Seltos é, aliás, a mesma (K3) do Sportage, e conta com suspensão independente nas quatro rodas, sendo a traseira multibraços. Depois, é movido por um sistema de propulsão híbrido, que junta o motor 1,6 litros a gasolina (atmosférico) de 102 cv a um motor elétrico também montado no eixo dianteiro, com uma potência de 45 kW (61 cv), para um rendimento total máximo do sistema de 154 cv. Mais cedo ficará disponível a versão apenas a gasolina, com motor também de 1,6 litros, mas que usa um turbo para elevar o rendimento até aos 179 cv, mas no qual a marca coreana não aposta tanto nesta sua entrada na Europa. © Kia O sistema híbrido do Seltos oferece ainda a funcionalidade de vehicle-to-load (V2L), que permite alimentar pequenos dispositivos elétricos. A capacidade da bateria do sistema híbrido é relativamente grande, com 1,49 kWh. E há uma razão para isso. Além do Seltos HEV com tração dianteira, haverá também uma versão com sistema de tração integral elétrica: em caso de perda de tração, as rodas traseiras são acionadas automaticamente por um motor elétrico alimentado pela bateria do sistema híbrido. Esta é a primeira vez que a Kia utiliza este tipo de tração integral, que já é utilizado há algum tempo nos veículos da Stellantis, por exemplo. Interior sem surpresas O design do painel de bordo do Seltos é muito semelhante ao de outros modelos recentes da marca coreana: destaque para os três ecrãs unidos sob uma única cobertura, onde se incluem a instrumentação (de 12,3?), o sistema multimédia (com a mesma dimensão) e um visor central mais estreito (5,3”), para as funções da climatização. Como habitualmente, este é bastante tapado pelo aro do volante. © Kia Como habitualmente nos Kia, o ecrã de 5,3” dedicado à climatização, entre os dois ecrãs de 12,3”, é bastante tapado pelo aro do volante. Não obstante, a Kia optou (e bem) por manter uma série de botões e comandos físicos abaixo do sistema multimédia, para que seja mais fácil e intuitivo o controlo de algumas das funções mais utilizadas. Apesar de terem cores diferentes, os materiais do tabliê são todos de toque duro. Não existem revestimentos suaves nem nas bolsas das portas nem no porta-luvas, o que prejudica a impressão de qualidade geral, ainda que a montagem pareça sólida e os acabamentos robustos (nomeadamente na zona junto ao retrovisor interior). O vidro panorâmico cobre a totalidade do teto, abrindo na sua parte dianteira e contendo uma persiana para conter a entrada de luz e controlar o aquecimento do habitáculo. Entre os bancos da frente existe uma ponte, onde existe uma bandeja para carregamento sem fios de telemóvel. E o espaço? Em termos de espaço, é indicado para quatro ocupantes adultos ou um quinto, se se tratar de uma criança pequena que ocupe o lugar central traseiro. O comprimento para as pernas na segunda fila atende bem a passageiros até 1,85 metros, enquanto a largura e altura estão ligeiramente abaixo da média no segmento. © Kia A este passageiro traseiro de 1,80 m sobram apenas oito dedos até às costas dos bancos dianteiros, mas apenas dois dedos em altura até ao teto. Os assentos traseiros são mais altos do que os dianteiros, existe uma intrusão no piso ao meio (mais larga do que alta) e saídas de ventilação diretas para esta segunda fila, mas sem qualquer regulação (de temperatura ou intensidade do fluxo). Tal como acontece no Niro, as costas dos bancos traseiros podem ajustar a sua inclinação numa variação máxima de 24º(12º para a frente e 12º para trás). Ou então podem ser deitadas em partes assimétricas ou por completo, neste caso ampliando consideravelmente o volume de carga. Com as costas dos bancos na vertical, esse volume é de nada menos do que 536 litros, a maior bagageira da sua classe. © Kia As paredes laterais da bagageira possuem pontos de fixação para acessórios, enquanto o piso pode ser posicionado a duas alturas diferentes. Ao volante em Seoul Há um botão para alterar os modos de condução na parte inferior da face do volante (Eco e Sport). A instrumentação muda para alguns apontamentos gráficos de vermelho e a alteração da resposta da caixa automática é o que mais se nota, porque esta passa uma mudança abaixo na maior parte das situações, o que torna a resposta do motor mais viva. Mas o mapeamento do acelerador não varia. © Kia Há discos nas quatro rodas, maciços atrás, e a travagem, mostra-se sempre pronta e linear. Na direção (corretamente desmultiplicada, dando 2,6 voltas entre batentes) quase não se percebem diferenças de peso entre esses modos, sendo relativamente leve na generalidade das situações, conveniente para condução em cidade, menos para estradas sinuosas. A suspensão agrada pelo conforto proporcionado quando passamos sobre pisos em mau estado, podendo em algumas curvas mais fechadas sentir-se um pouco bamboleante, algo que os engenheiros do departamento de R&D europeu (situado em Frankfurt) deverão tentar corrigir no habitual “limar de arestas” feito a modelos desenvolvidos e produzidos na Coreia do Sul. É sabido que o utilizador europeu, por norma, prefere uma afinação de suspensão um pouco mais firme. A suspensão agrada pelo conforto proporcionado quando passamos sobre pisos em mau estado (mesmo com jantes de 19” e pneus 235/45). Há patilhas atrás do volante para variar a intensidade de regeneração de energia e quando as duas patilhas são pressionadas ao mesmo tempo, é ativado o modo automático de regeneração. A NÃO PERDER: Elétrico mais barato da Kia já está em Portugal Ao escolhermos o modo Sport, as mesmas patilhas passam a servir para fazer passagens de caixa, bastante suaves e suficientemente rápidas para este SUV familiar e sem grandes aspirações de brilhar dinamicamente, no que às performances diz respeito. Dito de outra forma, em modo Eco as patilhas nunca servem para controlar a caixa de velocidades. E em Sport não existe função auto de regeneração de energia. Consumos agradam Mesmo sem números finais homologados, as acelerações são sempre moderadas (mais de 10 segundos de 0 a 100 km/h ) e querer apressar o Seltos HEV gera mais resultados no modo Sport, ainda que se comece a ouvir o esforço do motor de quatro cilindros mais do que seria desejável. Isto apesar dos vidros duplos nas portas dianteiras. © Kia O Seltos é o segundo modelo mais vendido da Kia em todo mundo, apenas atrás do Sportage. Se, pelo contrário, fizermos apenas uma leve pressão no acelerador em velocidades de cruzeiro, é possível guiar em modo totalmente elétrico durante algumas centenas de metros (a bateria tem apenas 1,49 kWh) e sempre que a velocidade não supere os 70 km/h. No final do teste de 163 km (com percurso de estradas nacionais, autoestrada e um pouco de cidade) e à falta de um valor homologado pela marca sul-coreana, o Seltos HEV averbou um consumo de 5,8 l/100 km, o que se pode considerar uma média interessante. Quanto vai custar? Os preços do Kia Seltos em Portugal ainda não foram anunciados, mas a motorização que testámos terá um custo estimado em torno dos 39 500 euros, o que a deixa bastante próxima do Sportage HEV, que no mercado português inicia nos 41 000 euros. Dito isto, só fica a dúvida se, custando apenas 1500 euros a 2000 euros menos do que o Sportage (maior e mais refinado), o Kia Seltos poderá realmente vir a ser um modelo relevante na Europa. Por isso mesmo, apesar das dimensões e das soluções técnicas (sobretudo nesta versão HEV) colocarem este modelo no encalço de propostas como o Volkswagen T-Roc, a principal concorrência poderá estar mesmo dentro de portas. Veredito Kia Seltos HEV Primeiras impressões 7.5/10 Com estética de Kia elétrico mas apenas com motores a gasolina ou híbridos, o Seltos é um SUV equilibrado que usa os conhecidos atributos da marca coreana. Comportamento confortável, construção sólida (mas com materiais de qualidade modesta), bagageira muito ampla e generoso comprimento na segunda fila. Só fica a dúvida se, custando apenas 1500 a 2000 euros menos do que o Sportage (maior e mais refinado) será realmente um modelo relevante na Europa. Data de comercialização: Agosto 2026 Prós Estética modernaComprimento interiorBagageira amplaConforto de rolamento Contras Altura na 2ª filaPerformancesMateriais durosPreço Joaquim Oliveira