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O CAOS POLÍTICO

Diário de Aveiro

2026-05-25 21:03:39

AS últimas sondagens mostram o PS à frente, seguido pelo Chega e em terceiro lugar o PSD, ou seja, os portugueses mudam de ideias, mas sem sair do mesmo lugar, porque os partidos políticos portugueses debatem e discutem os mais variados problemas da conjuntura e nenhum partido português tem quaisquer capacidades para estudar e compreender os reais problemas do país. Podemos mudar de Governo, mas o caos político será o mesmo. Vejamos: O Chega salta de uns problemas da conjuntura para outros de forma igualmente ignorante, apenas para tentar corresponder aos protestos da sociedade, mas sem quaisquer capacidades, ou o desejo, de compreender as mudanças necessárias. O DPS, por sua vez, éum total vazio de ideias e tenta apanhar no ar o que deseja, sejam erros do Governo , do tipo da tolice “uma humilhação à escala planetária” -, quando o PS sempre decidiu o mesmo, porque é o que está nos tratados e não se muda uma parceria de longo prazo por acidentes da conjuntura. Finalmente O PSD: O Governo e o primeiro-ministro mostram um optimismo inconsciente sem verem os erros que estão a cometer e sem olharem os perigos que correm e as oportunidades que perdem, nomeadamente nas áreas económicas. Ou seja, como escrevo há anos, os principais problemas nacionais são de fundo e precisam de dirigentes com a qualidade, a experiência e o conhecimento para os compreender, para os tratar e para os colocar na agenda nacional. São afinal as questões que tenho descrito nos meus textos: fraco crescimento económico, exportações em queda, excesso de muito pequenas empresas comerciais, falta de médias e grandes empresas industriais. Ño médio e no longo prazo, a verdadeira revolução educativa que tenho defendido, em direção a uma mudança nos conhecimentos, nos comportamentos e nas competências dos portugueses. Além dos Governos estarem, há anos, a seguir políticas erradas na economia, na ferrovia, na saúde, na justiça, na educação, na administração pública, nas Forças Armadas e em quase todo o resto. Vejamos o caso da saúde: OS Governos de António Costa cometeram dois erros capitais no SNS para satisfazer O PCPe o Bloco de Esquerda --reduziram as horas de trabalho dos funcionários públicos e depois cometeram o crime da criação dos tarefeiros. Crime que conduziu a que muitos médicos esquecessem a ética médica e as regras históricas da profissão, em troca de dinheiro mais fácil nos sistemas público e privado. Hoje, sem corrigir estes erros não há solução, o sistema está demasiado corrompido e os sindicatos não ajudam. Agora, é urgente corrigir o erro dos tarefeiros, o que passa por uma solução corajosa: terminar com o sistema e ter a coragem de criar novas condições de remuneração no sistema público próximas do estrangeiro e que sejam irrecusáveis para os médicos, a meias com condições de maior ética, disciplina, esforço emelhores regras organizativas, por exemplo, estudar o que pode ser feito para que os enfermeiros assumam algumas das tarefas que hoje são dos médicos, nomeadamente burocráticas, mas não só, é preciso voltar às direções gerais de profissionais e não de políticos em “part-time”. e uma solução financeiramente dolorosa, mas... para grandes males, grandes remédios. Emrelação a todo o panorama político descrito, desejaria que O Presidente da República não caísse também ele no erro de falar e de dar prioridade às questões da conjuntura = incluo nestas a saúde, onde já se verifica a má vontade do PS por razões de políticas ligadas a interesses internos -, para se preocupar em colocar em debate os grandes temas do futuro, alguns dos quais descrevi acima. Conheço O Presidente da República e a família há muitos anos, tenho por ele uma grande expectativa e gostaria que ele não se perdesse na voragem do caos político que impede o país de ter uma economia moderna e desenvolvida, além de um Estado moderno e eficiente. 75 Os principais problemas nacionais são de fundo e precisam de dirigentes com a qualidade, experiência e conhecimento para os compreender, tratar e colocar na agenda Henrique Neto