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CRESCE O NÚMERO DE ALUNOS PORTUGUESES NAS ESCOLAS INTERNACIONAIS

Jornal de Notícias Online

2026-05-25 08:04:07

Predomina a comunicação em língua inglesa Foto: Pedro Correia Caráter multicultural e flexibilidade curricular das escolas internacionais apontados como aspetos a favor dessa opção de ensino. Há cada vez mais alunos portugueses a frequentar escolas internacionais. Só no distrito do Porto existem cinco estabelecimentos de ensino com este tipo de currículo, sendo que tanto no CLIP como na Oporto British School (OBS) há um equilíbrio entre estudantes estrangeiros e nacionais. Ainda assim, o número de alunos lusos matriculados tem aumentado nos últimos anos. Direções, pais e alunos convergem na ideia de que a multiculturalidade e flexibilidade curricular são benefícios para quando for hora de pousar os livros e enfrentar o futuro. À medida que o JN ia percorrendo os corredores na visita às instalações do CLIP, no Porto, rapidamente foi possível perceber a predominância da língua inglesa, que é a forma de comunicação usual nas aulas e no recreio. Isabel Morgado é a diretora da escola e acredita que um dos fatores diferenciadores dos estabelecimentos de ensino com currículo internacional é o ambiente familiar que é possível criar entre a comunidade escolar. Apesar de orientar 1220 alunos, orgulha-se de "conhecer as caras quase todas". "Gentileza, respeito e inclusão" "Temos três valores na escola que são fundamentais: gentileza, respeito e inclusão. Esta é a base de tudo o que fazemos e tentamos sempre que os alunos cresçam com esta noção de que somos uma comunidade muito diversa", explicou a diretora, sendo que esta filosofia ganha outra importância pela existência de 56 nacionalidades entre os alunos. Quanto à razão para o crescimento do número de alunos portugueses nestas escolas, estará relacionado com os frutos que poderão colher no futuro. O currículo escolar adotado no CLIP é o de Cambridge, sendo que as disciplinas consideradas essenciais são Matemática, Ciência, Inglês e Humanidades. A autonomia que existe, face ao ensino tradicional nas escolas lusas, faz com que os alunos estejam aptos para, mais tarde, candidatarem-se às faculdades nacionais, tendo também a possibilidade de concorrer a estudar no estrangeiro, o que abre um vasto leque de hipóteses. Escolas têm autonomia para definir programas de ensino (Foto: Pedro Correia) Não muito longe do CLIP situa-se a OBS, também na União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde. Ali, a lógica é semelhante, sendo que as 30 nacionalidades entre os cerca de 570 alunos são um motivo de orgulho para o diretor Nick Sellers, que vê nestes estabelecimentos de ensino um pequeno contributo à integração dos imigrantes que escolhem Portugal para viver. "Quem vem do estrangeiro não quer estar numa escola onde o foco é todo no inglês e no ensino internacional. Querem que os filhos - e os filhos também querem - conheçam famílias portuguesas, de modo a que consigam integrar-se nesta comunidade", defende Nick Sellers. Mesmo que ambos os diretores considerem a multiculturalidade uma valência benéfica para quem está inserido no meio escolar, também é origem de desafios. Por vezes, o fenómeno obriga a navegar por áreas onde é necessário sensibilidade para as gerir. Gerir a atualidade Segundo explicou a diretora do CLIP, ao JN, por vezes esta gestão torna-se complicada, principalmente devido à situação geopolítica. "Em momentos de conflito há uma preocupação em explicar o que se está a viver, temos até uma disciplina intitulada "eventos atuais" onde abordamos esses temas. Tudo é falado, sendo estipulado que na escola não tomamos partido", assinalou. Para Isabel Morgado, o aumento do número de alunos a optar por estas escolas é real e pode estar relacionado com o crescimento da imigração em Portugal. Já Nick Sellers acredita que o número de escolas internacionais no Grande Porto vai aumentar, até porque "há grupos económicos internacionais à procura de oportunidades de investimento". As atividades extracurriculares completam a educação (Foto: Pedro Correia) Pais à procura das melhores condições de ensino Argumentos Na hora de escolher a escola dos seus filhos, os pais procuram as melhores condições de aprendizagem. Foi isso que Helena Vilaverde e Lenka Farinha viram no CLIP, mostrando-se agradadas com as possibilidades que isso representa. "Tenho uma criança no 1.º ano e outra no 5.º ano e, apesar de ser portuguesa, posso ter de viver fora do país por causa do trabalho. Nesse sentido, sinto que o ensino internacional dá uma abertura para o Mundo que permite que os meus filhos se sintam confortáveis caso isso aconteça", contou Helena Vilaverde, destacando o ensinamento das "soft skills", outra das vantagens das escolas internacionais. A visão é corroborada por Lenka Farinha, presidente da Associação de Pais e com três filhos no CLIP. Além da abertura para o Mundo, salienta a importância da adaptação à cultura portuguesa, mesmo que em casa a família comunique "em várias línguas". "Eles precisam de aprender línguas como o inglês e o alemão, mas se estamos em Portugal também têm que saber falar o português, até para conseguirem comunicar quando vão ao médico, ao supermercado ou a qualquer outra atividade", considera Lenka Farinha. Quanto às vantagens das escolas internacionais, as duas mães concordam que a multiculturalidade é um fator que ajuda na integração, não só dos alunos, mas também dos pais. "O facto de estarem inscritos nas atividades extracurriculares faz com que a escola não acabe às 16 horas. E acabamos por fazer amizade com os outros pais". Qualidades Plasticidade No CLIP, os alunos têm a possibilidade de ir mudando de turma consoante o seu nível de aprendizagem. Assim, trabalham especificamente as matérias onde têm mais dificuldades. Currículo Os alunos têm acesso a uma grande panóplia de atividades extracurriculares. Desde vários desporto (futebol, basquetebol, natação, etc.) a simulações de debates nas Nações Unidas e literacia financeira. Bernardo R. Monteiro