CEO DA CUF: “SUSTENTABILIDADE DO SNS A PRAZO PREOCUPA”
2026-05-24 21:09:07

A trajetória ascendente e a um ritmo acelerado dos custos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não está a ter a devida atenção, lamenta o CEO da CUF, Rui Diniz, para quem a sustentabilidade do SNS a prazo deve ser uma preocupação da sociedade como um todo. O CEO da CUF considera que a forma como se aborda o SNS é sobretudo política e que a vertente da gestão é, “muitas vezes”, pouco valorizada. Em entrevista ao Negócios e à Antena 1, Rui Diniz identifica como positivas medidas como a redução dos acessos às urgências ou a concentração das urgências de obstetrícia que, a seu ver, deveria, aliás, ser alargada a outras áreas. Como aprecia a atuação do Governo na saúde e no SNS? Ser ministro da Saúde e gerir o SNS é, sem dúvida, uma das funções mais difíceis e mais complexas em Portugal. Por vezes, não apreciamos suficientemente a complexidade de gerir uma instituição que tem mais de 150 mil pessoas a trabalhar, centenas e centenas de unidades e 17 mil milhões de euros de volume de negócios. E a avaliação do SNS é sobretudo política , e faz sentido sendo um serviço público ,, mas a componente da gestão, muitas vezes, não é suficientemente valorizada. A Direção Executiva não veio colmatar isso? Como em qualquer instituição é sempre possível fazer melhor. Gostava muito de saber quais são os hospitais que têm melhores resultados em vários indicadores, quer económicos, quer de produtividade ou de gestão dos recursos, para dessa forma ver como os outros podem ficar iguais e subir o nível do todo. Se tivéssemos uma melhoria de produtividade de 5% tínhamos poupanças anuais de 850 milhões. CEO da CUF: “Sustentabilidade do SNS a prazo preocupa” A carregar o vídeo ... CEO da CUF defende concentração de urgências em mais áreas além da obstetrícia Mas vê resultados? Sente realmente mudanças ? Não é possível acreditar em resultados diferenciais de enorme significado em meses, embora, concorde que temos que começar a ver progresso. Há alguns indicadores bastante positivos, como a redução no acesso às urgências, alinha SNS24 parece estar, neste momento, a desempenhar um papel muito relevante, e nos cuidados primários começa a haver mais acesso, pelo que também as urgências deixam de ser tão necessárias. Depois, os passos na concentração das urgências , são na área da obstetrícia mas deveria haver outras , também me parecem no caminho certo. São medidas complexas que exigem muito boa comunicação e alguma coragem, porque há sempre equilíbrios que é preciso gerir. Mas, do ponto de vista da gestão do sistema como um todo, é preciso ter muita clareza sobre os objetivos. Existe um ênfase muito grande em produção: mais cirurgias, mais consultas, mais urgências. Não quero dizer que não seja muito relevante , provavelmente precisamos de produzir mais ,, mas queremos ter um bom equilíbrio entre produção e produtividade? Como? Queremos ter todos os hospitais a fazer tudo? Por exemplo, temos em Lisboa vários centros de cirurgia cardíaca e provavelmente faz sentido alguma concentração. É uma área de tal diferenciação que provavelmente a junção de recursos permite mais produtividade, mas também mais qualidade clínica. Vemos a parte menos positiva , ter uma urgência que em vez de estar a 10 minutos passou a estar a 20 ,, mas muitas vezes dá qualidade clínica, dá casuística, junta no mesmo sítio pessoas com mais experiência e isso é positivo para a população. E quais são as áreas em que não vê progressos de todo? Uma das preocupações que nós, como sociedade, devemos ter também é a sustentabilidade do SNS a prazo. Vemos os custos a crescerem de uma forma muito significativa. E é muito importante termos consciência de que as tendências de envelhecimento, de mais doença crónica, de mais inovação terapêutica vão fazer com que naturalmente aumentem. É fundamental trazer para o centro da discussão também como nos tornamos mais eficientes, como introduzimos mais digitalização, como fazemos com que os processos sejam menos onerosos. A evolução dos custos no SNS nos últimos anos tem sido muito acelerada. E esta é uma área em que ainda não vejo uma ênfase tão grande como gostaria. CEO da CUF: “Sustentabilidade do SNS a prazo preocupa” A carregar o vídeo ... CEO da CUF vê medidas "positivas" no SNS, como redução do acesso às urgências Diana do Mar dianamar@negocios.pt | Rosário Lira Antena 1 | João Cortesão - Fotografia Diana do Mar dianamar@negocios.ptRosário Lira Antena 1João Cortesão - Fotografia