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ENFERMARIAS MISTAS: O QUE FALTAVA AO HDES

Açoriano Oriental

2026-05-24 21:09:06

Sejá era eticamente discutível encerrar uma ala hospitalar inteira, com cerca de 200 camas, sem razões suficientemente justificadas, mais questionável ainda é a decisão de internar doentes de ambos os sexos na mesma enfermaria, invocando “constrangimentos de espaço”. Esta medida, adotada pela Administração do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), com a concordância da Direção Clínica, surge como o desfecho de uma série de decisões erradas iniciadas com a escolha precipitada pelo Hospital Modular. Essa opção foi tomada em prejuízo da rápida recuperação das áreas afetadas pelo incêndio, tanto ao nível das infraestruturas , energia, ventilação e logística , como do espaço assistencial, essencial para uma gestão clínica eficaz. Guilherme Figueiredo Médico e ex-diretor do Serviço de Reumatologia do HDES Não deixa de ser irónico ver a principal responsável pelas opções tomadas , que não hesita em protagonizá-las e em assumir politicamente o seu suposto mérito recorrer repeti-damente ao argumento requintado de que “o Governo não quer fazer remendos no HDES” e ver-se agora confrontada com um exemplo acabado, triste e eloquente, de remendo na gestão clínica do mais importante hospital da Região: as “enfermarias mistas”. E possível uma decisão destas? Sim, é. Já o foi noutros momentos e noutros hospitais do país. Mas trata-se de uma solução amplamente desaconselhável e apenas admissível em contextos de enorme e excecional pressão assistencial, quando não existam alternativas para acomodar os doentes. Ora, tudo indica que não é disso que aqui se trata. á falta de explicações cabais, o que esta decisão parece revelar é desnorte e uma inquietante falta de respeito por direitos elementares dos doentes, desde logo a privacidade, a segurança e o recato. Recorde-se que, em 2010, o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) proibiu as enfermarias mistas em qualquer circunstância. Sempre que ocorram, a sua denúncia é obrigatória e as penalizações para os responsáveis são imediatas. Com esta medida foram os doentes informados das condições em que ficariam internados? Foi-lhes concedido o direito de prévio consentimento? A não se terem cumprido estes pressupostos esta decisão ainda é mais inaceitável. Impõe-se, quanto a mim, uma tomada de posição imediata da Comissão de Etica do hospital, assim como das Ordens Profissionais. á falta de explicações cabais, o que esta decisão parece revelar é desnorte e uma inquietante falta de respeito por direitos elementares dos doentes. Guilherme Figueiredo