AO PRINCÍPIO DESCONFIA-SE MAS DEPOIS ACABAMOS CONVENCIDOS: ESTE BMW IX3 VAI DAR QUE FALAR E TEM ALMA TUGA
2026-05-23 21:09:15

Está quebrada uma das barreiras nos carros elétricos. Este novíssimo modelo da BMW anuncia 805 quilómetros de autonomia com um único carregamento. E cumpre, até com alguma folga. Já em matéria de preços A marca anuncia 805 quilómetros de autonomia, o que, diga-se em abono da verdade, já nos começa a libertar daquele sentimento de ansiedade do carregamento, sobretudo em viagens mais longas. No entanto, é frequente os anúncios formais das marcas esbarrarem na realidade e, na verdade, assim que levantei este novíssimo modelo da BMW nas suas instalações, no Lagoas Park, em Oeiras, o surpreendente e alongado display que atravessa toda a parte superior do tablier, aninhado no recanto inferior do para-brisas, indicava carregamento a 100%, tudo ok. Mas a autonomia apontava para 792 km. Torci o nariz, associei a discrepância ao perfil de condução , do tipo pé-pesado - do último utilizador do carro, antes de passar para as minhas mãos, mas ao mesmo tempo, o conforto envolvente era tão requintado, que logo me esqueci desse pormenor. Acontece, porém, que na deslocação entre o Lagoas Park e a sede do Expresso, no Alto de Paço de Arcos, o tio Google Maps indica 2,5 km de distância, mas, assim que estacionei e olhei de novo para o belíssimo e útil display, já só tinha uma autonomia de 780 km. É o que é, vale o que vale, mas fica o registo. No entanto, os dois dias seguintes de ensaio do BMW iX3 fizeram-me mudar de ideias. Mas já lá vamos. O BMW iX3 inaugura a Neue Klasse Eis, pois, o primeiro automóvel elétrico que a BMW coloca no mercado nacional a inaugurar aquela que designou como Neue Klasse (Nova Classe), em que, praticamente, só ficou o logótipo da marca, discretamente colado à parte frontal do capô. Tudo o resto mudou de forma quase radical. Começando pela parte da frente do carro, no local em que nos habituámos a ver a grelha, temos agora o famoso “duplo rim”, mas totalmente redesenhado, mais estreito, com um ar algo retro e iluminado, inspirado em alguns modelos que a BMW comercializou na década de sessenta do século passado. Temos aqui uma linguagem gráfica completamente diferente do que era tradicional na marca, que se estende lateralmente até se unir aos faróis, também eles totalmente redesenhados. É um conjunto envolto num desenho simples, depurado, mas não muito consensual. Eu, por exemplo, acho a imponência da parte frontal do carro algo abrupta, embora com traços de design distintos e bem conseguidos. Olhando lateralmente para o iX3, é como melhor se percebe que estamos perante um SUV de dimensões generosas, claramente um carro para a família. Da silhueta sobressaem as poderosas jantes e, ainda, os vidros escurecidos da segunda fila de bancos. Já na parte traseira deste SUV, salta à vista a assinatura luminosa, com um tracejado ligeiramente inclinado, que se alonga sensivelmente a meio da porta da bagageira, mas também um discreto aileron na parte superior do vidro, no prolongamento do tejadilho que se vai inclinando para trás. Mas a melhor parte desta história está no interior. Com um ligeiro toque na pega da porta, esta destaca-se para a podermos utilizar e, ao entrarmos, o carro dá-nos as boas-vindas . O conforto está em todo o lado, especialmente nos assentos revestidos de materiais reciclados, requintados e agradáveis ao toque. A insonorização é perfeita e, sendo um carro elétrico, parece que andamos nas nuvens (embora ainda não tenha tido essa experiência, mas já ouvi dizer que é uma coisa fofinha ). Na segunda fila de bancos, diria que pode transportar três pessoas, sem dúvida, mas seria muito mais aconselhável para apenas duas, até porque o encosto de braço, a meio, a isso convida. E, diga-se de passagem, duas pessoas viajam ali como lordes, onde é possível cruzar as pernas e, se for caso disso, folhear e ler o jornal Expresso sem incomodar o parceiro. Mas é na passagem para o lugar do condutor que entramos noutra dimensão, não apenas em termos de conforto, mas, sobretudo, pela imersão num mundo novo de digitalização a bordo. Salta à vista o ecrã panorâmico alongado Como já mencionei, salta à vista de forma surpreendente aquela espécie de ecrã panorâmico rebaixado que se estende de ponta a ponta do tablier, mas discretamente aconchegado na parte inferior do para-brisas, quase a entrar pelo capô adentro. A intenção da BMW, com esta modalidade a que deu o nome de panoramic view (vista panorâmica), é fazer com que o condutor não tenha praticamente de tirar os olhos da estrada para consultar o que quer seja, desde a velocidade, a temperatura, o roteiro, a localização, a autonomia, as horas, a bússola, os consumos, o nível de regeneração, a altitude, a data, etc, etc. Aliás, a partir do ecrã de infoentretenimento , também ele, com um formato original , colocado a meio do despojado tablier e ligeiramente inclinado para o lado do condutor - é possível selecionar o que queremos ter mais destacado no tal display de vista panorâmica. Com a particularidade de ter um excelente contraste, o que permite uma boa leitura mesmo com diferentes graus de luminosidade. Para mim, que sou da "velha escola", senti a falta de alguns botões físicos, na parte inferior do agradavelmente estranho ecrã de infoentretenimento, especialmente para a climatização, o seletor de estações de rádio ou o volume. Mas as coisas são como são e o que se pede a quem está a conduzir é que não perca nem um segundo a olhar para os 23 menus que nos são servidos digitalmente, já para não falar em alguns sub-menus. Este é, na minha modesta opinião, um erro em que continuam a insistir a maior parte das marcas de automóveis, e não apenas nos modelos elétricos: a profusão de informação a bordo, sabendo-se que a segurança deve vir sempre em primeiro lugar. Este novo BMW tem alma tuga Por falar em digitalização bordo, goste-se ou não se goste, a verdade é que muito do nos é servido no BMW iX3 é produzido em Portugal. A marca criou, há já algum tempo, com a Critical Software, a Critical TechWorks. Nas suas instalações dispersas por Lisboa, Porto e Braga já emprega cerca de 3000 pessoas, que continuam a inovar nos conteúdos digitais para a marca germânica. O resultado desse trabalho com ADN lusitano já vinha sendo colocado a bordo dos novos BMW, mas agora acentuou-se aqui de sobremaneira neste novo patamar de mobilidade elétrica, a tal Neue Klasse (Nova Classe) materializada no BMW iX3. Tudo é cada vez mais digital, tudo muito sensível ao toque e responsivo, o que acaba por abonar em favor do utilizador que obtém, dessa forma, uma resposta rápida e eficiente a cada solicitação. Falta ainda mencionar a surpresa que foi para mim o tamanho do volante, bastante mais pequeno do que o habitual na BMW, com uma excelente pega, achatado em baixo e em cima, o que lhe confere um ar claramente desportivo. E tem ainda outra particularidade que não me lembro de ter visto antes: em vez dos habituais três, apresenta-se com quatro aros de ligação ao centro do volante, um para cima e um para baixo, e dois para os lados, embora estes laterais não colem totalmente com o redondel. Não deixa de ser agradável, mas, ao mesmo tempo, estranho e acho que leva algum tempo a assimilar. Autonomia supera as expetativas Em relação à autonomia com um único carregamento, o mínimo que posso dizer é que se trata claramente de um dos pontos fortes deste carro e que me surpreendeu pela positiva. Quando iniciei este ensaio apresentava-me 792 km de autonomia, número que rapidamente aumentou, pois o meu perfil de condução a isso levou. Fiz cerca de 250 km, a maioria dos quais em autoestrada, num dia de calor, com o ar condicionado ligado, a uma velocidade a rondar os 120 km/h. Outra parte do meu ensaio deste iX3 foi feita em ambiente urbano, no eixo Lisboa-Cascais, o que acabou por redundar em algum para-arranca e, logo, muita regeneração. Em suma, para além dos 250 km percorridos, a maior parte em modo Eficiente , mas por vezes, na autoestrada, em modo Sport , no dia em que entreguei o carro nas instalações da BMW ainda me apresentava 609 km de autonomia. Portanto, é fazer as contas. Ou seja, superou claramente as expectativas e os meus receios iniciais. Está, assim, ganha a barreira da autonomia. Falta agora a dos pontos de carregamento (que me continua a provocar ansiedade) e, por último mas não menos importante, a incómoda questão do preço. Para tirar este competente BMW iX3 do stand são precisos 87.811,50 euros. Pois é, parece muito e é, de facto, uma soma completamente fora do alcance da maioria esmagadora dos portugueses. Ainda assim, segundo fontes bem colocadas, somam-se as encomendas deste novíssimo modelo da Neue Klasse (Nova Classe) e, caso não saiba, já vêm aí mais concorrentes a caminho neste segmento, como por exemplo o Volvo EX60 (810 km de autonomia) e o Mercedes EQS (867 km). FICHA TÉCNICA Motor elétrico de 469 cavalos de potência Caixa automática de oito velocidades Autonomia 805 quilómetros anunciados pela marca Velocidade máxima 210 km/h Aceleração 4,9 segundos dos 0 aos 100 km/h Consumo 16 KWh/100 km Vítor Andrade Coordenador de Economia Vítor Andrade