SÃO JOÃO CRIA BOTÃO DE PÂNICO VIRTUAL PARA REFORÇAR SEGURANÇA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
2026-05-22 21:08:57

Casos de violência contra profissionais de saúde do SNS aumentou em 2025 Foto: Artur Machado A Unidade Local de Saúde (ULS) de São João implementou um botão de pânico virtual para reforçar a segurança dos profissionais de saúde perante situações de ameaça ou agressão. O sistema "StoPanic" já está operacional em 386 postos de trabalho do hospital universitário do Porto e será alargado a outras unidades. A violência contra profissionais de saúde continua a aumentar e ultrapassou as três mil ocorrências comunicadas no ano passado, segundo os dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde, no final de abril. Para fazer face a esta realidade, a ULS São João colocou em prática uma ferramenta digital para reforçar a segurança dos profissionais em contexto hospitalar. O sistema consiste num botão de pânico virtual instalado nos computadores dos profissionais e já funciona em 386 locais do estabelecimento hospitalar, abrangendo serviços como consultas externas, hospital de dia e urgência pediátrica. Carlos Ribeiro, diretor do Serviço de Tecnologias de Informação e Comunicação da ULS São João, explica ao JN que o sistema permite pedir ajuda "de forma rápida e discreta". Quando o botão é acionado, "gera um alarme" nos gabinetes próximos e também na Central de Segurança. "Com esta ação gera-se aqui um efeito de descompressão e a violência tende a desaparecer", justifica. Segundo o responsável, a privacidade dos profissionais foi uma preocupação desde o início. "Esta solução não tem dados dos profissionais", esclarece, acrescentando que o sistema identifica apenas o computador em que o alerta for ativado. "A um clique de distância" Miguel Ornelas, médico de família da ULS São João que esteve na génese do projeto, considera que a ferramenta surge numa altura necessária, perante o aumento de episódios de violência no setor da saúde. "A oportunidade de ajuda está a um clique de distância", resume. O profissional de saúde acredita que a sensação de segurança pode melhorar também a qualidade dos cuidados prestados. "Liberta-me para pensar sobre os problemas do utente, ouvir as suas queixas e analisar os exames com tranquilidade", afirma. A reação dos profissionais, garante Miguel Ornelas, tem sido positiva. "Todos os colaboradores identificam a necessidade de melhorar as condições de segurança da sua prática". Após a implementação no Hospital de São João, a ULS prevê agora expandir o StoPanic ao polo de Valongo e às unidades de cuidados de saúde primários. Isabella Mondaini