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DADOS DE UTENTES: ORDEM DOS MÉDICOS ALERTA PARA POSSÍVEL FALHA DE CIBERSEGURANÇA NO SNS

Renascença Online

2026-05-22 21:08:54

Bastonário da Ordem dos Médicos diz que credenciais usadas em alegados acessos indevidos a dados de utentes “já nem sequer deviam estar ativas” e admite possível falha de cibersegurança no SNS e caso já está a ser investigado pela Polícia Judiciária. A Ordem dos Médicos diz ter recebido dezenas de queixas relacionadas com alegados acessos a dados de utentes, alegadamente através das credenciais de um médico atualmente colocado na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Minho. O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, admite a possibilidade de uma falha de cibersegurança no Serviço Nacional de Saúde (SNS). À Renascença, Carlos Cortes explica que a situação foi imediatamente comunicada às autoridades competentes. “Logo no início da manhã, contatei o Ministério da Saúde, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (...) e também comunicámos ao Ministério Público esta situação, percebendo que, à partida, houve aqui uma falha de segurança”, afirmou. O bastonário acrescenta que “tudo indica (...) que não foi o médico, diretamente, que usou essas credenciais”. “O médico está destroçado” Segundo Carlos Cortes, o médico em causa está “destroçado” com a situação e garante não ter qualquer ligação aos alegados acessos indevidos. “O médico está destroçado com a situação, está extremamente preocupado porque vê o nome dele a ser divulgado por toda a comunicação social e nas redes sociais”, referiu. O responsável da Ordem dos Médicos sublinha ainda que as credenciais utilizadas já não deveriam estar ativas. “Foram usadas credenciais de um local de trabalho no qual ele já não trabalha há sete ou oito anos. Portanto, eram credenciais que já nem sequer deviam estar ativas”, acrescentou. ULS do Alto Minho afasta responsabilidade do médico Entretanto, a Unidade Local de Saúde do Alto Minho esclareceu, numa resposta enviada à Renascença, que os acessos aos registos de utentes “terão resultado da utilização das credenciais de um médico por terceiros”, afastando responsabilidades do profissional. A ULS do Alto Minho explica ainda que o médico foi ouvido internamente e refere que terá existido acesso indevido a “registos administrativos, não clínicos, de diversos utentes, entre os quais crianças”. A unidade de saúde garante também que informou as entidades competentes sobre o caso. SPMS não comenta casos concretos Contactados pela Renascença, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde recusaram comentar casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança. Ainda assim, garantem que todas as comunicações de possíveis incidentes são analisadas “em permanente articulação com as autoridades competentes”. Nas redes sociais, vários utentes relataram alegados acessos indevidos a dados de crianças através da plataforma SNS 24, referindo terem recebido notificações a indicar consultas aos registos médicos em diferentes locais do país. A Renascença recebeu também testemunhos de pais preocupados com a situação. Catarina Dias contou ter tomado conhecimento do caso através de um grupo de WhatsApp de encarregados de educação da escola das filhas, depois de vários pais relatarem notificações de acessos aos registos de saúde dos filhos através da aplicação SNS 24. Entretanto, o caso está já a ser investigado pela Polícia Judiciária. Fonte da PJ revelou à Renascença que foi aberto, na quinta-feira, um processo-crime relacionado com um acesso ilegítimo às credenciais de um profissional do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na sequência das denúncias de alegados acessos indevidos a dados de utentes. Olímpia Mairos com Anabela Góis