CRISE DO SNS
2026-05-22 21:08:54

Sobre a falta de profissionais de saúde, em particular de médicos, não deixa de ser surpreendente verificar que Portugal está muito acima da média europeia no que toca ao número de médicos. Os dados disponíveis, acessíveis na Pordata, mostram que, na Europa, Portugal é dos países que têm um dos maiores rácios de médicos por 100 mil habitantes, mais de 500, por comparação com a média europeia, cerca de 400. Então, porque fecham serviços no SNS alegadamente por falta de médicos? Onde estão os médicos? Fugiram para o sector privado? Recusam-se a cumprir as cargas horárias que os hospitais lhes pedem? Será que, por se considerarem mal pagos no SNS, o trocam por lugares mais bem remunerados e com melhores condições de trabalho? Certamente. São pessoas como quaisquer outras, comuns mortais que pugnam por uma vida melhor, para si e para os seus. Porque não aparecem nesta tragédia que é o colapso do SNS? Ou será que tudo é cumplicidade com quem pretende açambarcar um negócio tão lucrativo como é o da saúde? Seja o que for, está na altura de juntar os médicos aos suspeitos do costume nesta tragédia que é o atual momento do SNS. João G. Soares, Quinta do Anjo Custo dos cromos É uma loucura a procura de cromos de futebol para a Mundial 2026. Se a gasolina e o gasóleo aumentam, cai o Carmo e a Trindade. Mas para cromos não falta dinheiro. E há tantos cromos . Cada saqueta com 7 cromos custa EUR1,5. Há pacotes de EUR27 e de EUR75. Lembram-se das bolas de futebol grátis a quem entregasse nos postos de vendas cadernetas preenchidas? Ademar Costa, Póvoa de Varzim Évora 2027 O artigo de Miguel Bastos Araújo, conselheiro de Estado, com o título “O mérito que incomoda, ou como se descarta quem torna possível a excelência” e publicado no Expresso, além de elegante ensaio sobre a excelência e a justiça, alude à “incapacidade de proteger o mérito quando ele produz resultados”. O artigo inclui e reflete uma referência a Évora e às condições em que almejou, em competição acesa, o seu estatuto de Capital Europeia da Cultura 2027. Da abordagem elegante de uma evolução delicada do Dossier Évora Capital Europeia da Cultura 2027, após a dispensa da Estrutura de Missão (que conduziu o processo de candidatura na pré-seleção e seleção final), emerge uma questão substantiva que remete para a “lesão de interesses legítimos” que assistem aos candidatos concorrentes com Évora ao título Capital Europeia da Cultura 27, uma vez que a narrativa e o programa cultural e artístico que fundamentaram a escolha em competição direta com Aveiro, Braga e Ponta Delgada se encontram seriamente desvirtuados e comprometidos. A. Oliveira das Neves, Lisboa A arte de ser Lúcio Escreve Valdemar Cruz (V.C.) a propósito da exposição “Lúcio Costa Arquivo”, na Casa da Arquitectura em Matosinhos, que “a ideia de partir à descoberta de um universo cultural e arquitetónico deixado à guarda da Casa da Arquitetura desde 2021 encerra em si mesma um fascínio perante o impossível. A família entregou à estrutura sediada em Matosinhos 11 mil peças”. E, mais adiante, “logo à entrada está uma maquete do edifício sede do Ministério da Saúde Pública (Rio de Janeiro, 1936). É um dos seus primeiros trabalhos, feito com a participação de Le Corbusier, referência absoluta do movimento moderno”. Decerto que esta última afirmação lhe foi fornecida pela Casa, e V.C. não tratou de verificar se era verdadeira. Gustavo Capanema, então ministro da Educação, nome pelo qual é hoje conhecido o referido edifício, num testemunho publicado na obra “Depoimento de uma Geração” sobre a arquitetura moderna brasileira, organizado por Alberto Xavier com edição da Cosac & Naify de 2003, com base numa publicação datada de maio de 1985, refere: “Na placa de inauguração do edifício está mais ou menos isso: Este edifício foi construído sob o risco original de Le Corbusier e com os projetos feitos pelos arquitetos tais e tais. E esses tais e tais faziam parte de uma comissão constituída por Lucio Costa, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Carlos Leão, Jorge Moreira e Oscar Niemeyer.” Num outro depoimento, publicado na mesma obra, da autoria de Oscar Niemeyer, datado de 1978, intitulado “A forma na arquitetura”, Niemeyer refere: “Mas, se o prédio do Ministério, projetado por Le Corbusier, constitui a base do movimento moderno no Brasil...” Recomenda-se que V.C. não embarque na prosa de entidades que na ânsia de valorizarem os seus acervos até adulteram os verdadeiros autores de obras de referência. Manuel Dinis, Matosinhos Retificação Na rubrica “O Que Andei Para Aqui Chegar”, na página 8 da Revista, onde se lê que Francisco Carvalho nasceu na ilha da Praia, deve ler-se que nasceu na ilha do Fogo, em Cabo Verde. As nossas desculpas ao visado e aos leitores. Os originais das cartas não devem ter mais de 150 palavras, reservando-se a Redação o direito de as condensar. Os autores devem identificar-se indicando o nº do Cartão de Cidadão, a morada e o nº do telefone. Não devolvemos documentos que nos sejam remetidos. As cartas também podem ser publicadas na edição online. Para contacto: Cartas@expresso.impresa.pt Rui Gustavo