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MAIS DE 1.000 CV POR MENOS DE 50 MIL EUROS: O SUV CHINÊS DA XIAOMI QUE ESTÁ A PREOCUPAR SERIAMENTE A EUROPA

Executive Digest Online

2026-05-22 21:08:54

Ouça este artigo Clique para reproduzir A Xiaomi está a acelerar a entrada no setor automóvel e o novo YU7 GT mostra até onde a marca chinesa quer ir. Depois do impacto do SU7, a fabricante apresentou um SUV elétrico de alta performance com 1.003 cv, velocidade máxima de 300 km/h e um preço anunciado na China abaixo dos 50 mil euros, um conjunto de argumentos que começa a preocupar seriamente os construtores premium europeus, escreve a L Automobile Magazine . O YU7 GT é a versão mais radical do primeiro SUV elétrico da Xiaomi e aponta diretamente a modelos como o Porsche Macan Electric, o futuro Cayenne elétrico e o Tesla Model X, cuja produção foi recentemente encerrada. Com 5,02 metros de comprimento, 2,01 metros de largura e 1,6 metros de altura, o modelo combina dimensões de SUV familiar com números típicos de supercarro. A base técnica é composta por dois motores elétricos que entregam 738 kW, o equivalente a 1.003 cv. Segundo a Xiaomi, o YU7 GT acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,92 segundos e atinge uma velocidade máxima de 300 km/h. A marca chinesa quer, assim, mostrar que já não compete apenas pelo preço, mas também pela performance. Continue a ler após a publicidade O modelo recorre ao novo motor HyperEngine V8s EVO, desenvolvido internamente pela Xiaomi e capaz de atingir 28.000 rotações por minuto. A arquitetura elétrica é de 897 volts e a bateria tem 101,7 kWh. A marca anuncia até 705 quilómetros de autonomia no ciclo chinês CLTC e a possibilidade de recuperar até 570 quilómetros em apenas 15 minutos de carregamento rápido. Como acontece habitualmente com os valores CLTC, estes números devem ser lidos com prudência na Europa, onde o ciclo WLTP é mais exigente. Ainda assim, mesmo com uma autonomia real inferior, a combinação entre potência, carregamento ultrarrápido e preço coloca pressão direta sobre os fabricantes ocidentais. A Xiaomi também está a trabalhar a imagem do modelo. O YU7 GT foi desenvolvido com o apoio do centro europeu de investigação e desenvolvimento da marca, inaugurado em Munique em 2025 e liderado por engenheiros com experiência em marcas como BMW, Porsche e Mercedes. O chassis foi afinado no circuito de Nürburgring Nordschleife, um palco simbólico para qualquer fabricante que queira afirmar credibilidade desportiva. Continue a ler após a publicidade Segundo a L Automobile Magazine , o YU7 GT estabeleceu um novo recorde para um SUV elétrico de produção em Nürburgring, com um tempo de 7:34.931 minutos. Com o pacote Track Package de série, o tempo terá descido para 7:22.755 minutos, reforçando a ambição da Xiaomi de se posicionar junto dos modelos de performance. A lista de equipamento segue essa lógica. O SUV integra suspensão pneumática de câmara dupla, amortecedores adaptativos, diferencial traseiro eletrónico e travões carbono-cerâmicos, soluções normalmente associadas a marcas de topo. No interior, há 2,3 metros quadrados de Alcantara, bancos com função de massagem para quatro ocupantes, até cinco ecrãs, sistema de som Dolby Atmos com 25 altifalantes e detalhes em fibra de carbono com acabamento dourado. O habitáculo inclui ainda um ecrã central de 16,1 polegadas, sistema HyperOS, couro Nappa, climatização indireta e bagageira com 678 litros. O resultado pode parecer ostensivo, mas mostra a estratégia da Xiaomi: combinar tecnologia, luxo visível e preço agressivo para competir com fabricantes já estabelecidos. É precisamente o preço que torna o YU7 GT mais incómodo para a Europa. Na China, o SUV arranca nos 389.900 yuan, menos de 50 mil euros à cotação atual. Mesmo que uma eventual chegada à Europa aumente o valor final devido a tarifas, impostos, homologação e transporte, a diferença face aos preços dos SUV elétricos premium ocidentais continuará a ser relevante. A Xiaomi prepara ainda uma versão YU7 Standard, mais acessível, pensada para atacar diretamente o Tesla Model Y. Na China, esta variante começa perto dos 29.500 euros, com tração traseira, 320 cv, autonomia anunciada de até 643 quilómetros no ciclo CLTC e arquitetura de 800 volts com carregamento ultrarrápido. Continue a ler após a publicidade A estratégia é semelhante à que tornou a Xiaomi forte nos smartphones: atacar em simultâneo o topo tecnológico e o mercado de volume, sempre com preços agressivos. Para já, não há data oficial para a chegada do YU7 GT à Europa, mas a marca já confirmou a intenção de acelerar a expansão internacional. O centro de desenvolvimento alemão está em funcionamento e algumas importadoras paralelas começam a levar modelos da Xiaomi para o mercado europeu, apesar das tarifas aplicadas aos veículos chineses. O YU7 GT pode ainda estar longe das estradas europeias, mas a mensagem já chegou: a Xiaomi quer deixar de ser vista como uma curiosidade no automóvel e passar a ser tratada como uma ameaça real ao domínio tecnológico, comercial e simbólico das marcas premium. Automonitor