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FICHEIROS MÉDICOS DE CRIANÇAS ACEDIDOS INDEVIDAMENTE EM TODO O PAÍS. O QUE ACONTECEU?

Renascença Online

2026-05-22 21:08:53

No Explicador Renascença, esclarecemos o que aconteceu para acederem a dados médicos de vários utentes, quanto tempo durou a situação, a reação do Ministério da Saúde e até que ponto o portal SNS24 nos avisa se alguém aceder aos nossos dados. Nas redes sociais, centenas de pais avisaram esta sexta-feira que um médico estaria a aceder indevidamente a dados de crianças um pouco por todo o país. Já foram feitas queixas à Ordem dos Médicos e à PSP. Como é que isto aconteceu? O Explicador Renascença esclarece. Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui O que aconteceu? Para já, suspeita-se de um ataque informático, mas as averiguações ainda decorrem. Um alegado pirata informático terá conseguido apoderar-se de credenciais antigas de um médico e acedeu a dados de vários utentes, incluindo de crianças. Sem que o médico se apercebesse? Acreditando que o médico não se apercebeu da situação, a ULS do Alto Minho , onde o médico trabalha , afasta qualquer responsabilidade do clínico e diz que os acessos foram feitos por uma terceira pessoa. A unidade de saúde garante ainda que houve acesso indevido apenas a registos administrativos de utentes, entre os quais crianças, e não a registos clínicos como chegou a admitir-se. Esta versão é subscrita pela Ordem dos Médicos, sendo que o bastonário Carlos Cortes disse à Renascença que o médico está "destroçado" com toda esta situação. Carlos Cortes admite até uma possível falha de cibersegurança no SNS. A situação durou muito tempo? Ao que a Renascença apurou, cruzando diferentes fontes oficiais, a situação foi detetada na tarde de quinta-feira e foi travada tão depressa quanto possível. Será, por isso, falso que tenha havido acesso a dados de utentes ao longo da madrugada desta sexta-feira como algumas pessoas denunciaram na internet. A investigação foi aberta ainda na quinta-feira e a Procuradoria-Geral da República confirmou a instauração de um processo-crime relacionado com um acesso ilegítimo às credenciais de um profissional de saúde. A Polícia Judiciária também está a investigar. E o que diz o Ministério da Saúde? O Ministério da Saúde remete explicações para a Judiciária. Por sua vez, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde também não comentam casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança. Ainda assim, garantem que todas as comunicações de possíveis incidentes são analisadas “em permanente articulação com as autoridades competentes”. Quanto à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) que abriu um processo sobre o caso, já deu conta de que os utentes afetados podem comunicar os fatos online à ERS. Como é que as pessoas se aperceberam do que estava a acontecer? Testemunhas contaram à Renascença que tiveram conhecimento do caso através de grupos de WhatsApp, depois de algumas pessoas terem sido notificadas de acesso aos registos de saúde dos filhos através da aplicação SNS 24. Face ao contexto, muitos encarregados de educação recorreram ao portal para consultar o histórico e conseguiram verificar que o acesso aos dados teria sido feito a partir de Miranda do Corvo, onde o médico trabalhou há alguns anos. As credenciais do médico já deveriam ter sido desativadas, como normalmente acontece quando se muda de unidade de saúde. O portal SNS24 avisa-nos se alguém aceder aos nossos dados? Caso ativar as notificações automáticas, o SNS24 permite identificar o profissional, a data e a entidade onde ocorreu a consulta da informação. Explicador Renascença Anabela Góis