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ENSAIO - HENRY, THE EXPLORER

Biturbo Açores Magazine

2026-05-22 21:08:52

Eis o primeiro Ford a partilhar uma plataforma elétrica com um Volkswagen. A plataforma em questão é a MEB, já conhecida, pois equipa o seu irmão Capri e outros VW: ID3, ID4 e ID5. Se o Capri que testaremos na próxima edição deriva do ID5, o Ford faz “parelha” com o ID4. Neste mês, temos em mãos o Ford Explorer, motor único de 286 cavalos. A história do Ford Explorer está dividida em duas partes, visto que este modelo já é um “jubilado” no mercado da terra do tio Sam. Digo “jubilado”, pois a sua carreira comercial já passou a barreira dos 30 anos no ativo. O Ford Explorer surgiu como uma alternativa ao Ford Bronco, que era um modelo mais rústico. O Explorer apresentou trunfos que o Bronco não tinha, nomeadamente conforto e praticidade, excelentes argumentos para ser uma opção a ter em conta para quem procurava um familiar. Anos mais tarde, o Bronco foi de “bronca” e ficou o Explorer. A sua presença em mercados europeus foi muito limitada, quase inexistente durante 30 anos. Assim, em 2020, pela primeira vez, de forma oficial, a marca americana trouxe o Explorer americano. Se nos USA tínhamos uma vasta escolha de grupos propulsores, a Europa ficou limitada a uma única escolha: PHEV - o motor 3.0 Ecoboost V6 e uma bateria de 13.3 kWh que, segundo a Ford, permitia percorrer 40 km em modo elétrico. Em 2023, a Ford apresenta o Explorer elétrico, o primeiro modelo a utilizar a plataforma MEB, desenvolvida pela Volkswagen.com a chegada deste EV, a marca de Henry Ford “desligou” a versão PHEV, ou seja, deixou de ser vendida no velho continente. A carreira comercial foi curta, muito devido ao preço pedido, que ultrapassava os 80 mil euros, além de ser um carro que não encaixava no perfil europeu. Posto isto, o Explorer que tivemos de 2020 até 2024 continua a ser vendido nos “States”, já no mercado europeu ficou um Explorer 100% elétrico. O seu design é bastante diferente do Explorer americano: é mais pequeno, mais compacto e pensado para o europeu, que, no final de contas, é o que interessa. Sendo um veículo elétrico, a frente é fechada, como já vem sendo hábito nos elétricos. A dianteira é saliente, algo a que a Ford dá o nome de Shield. Já o seu grupo óptico é muito curioso, apresentando um formato horizontal e fino. O desenho e a forma como está integrado dá personalidade à frente do SUV. A unir os faróis há uma faixa preta; que no centro tem inscrito Explorer, um detalhe que já vimos no Capri, mas que merece sempre menção, pois dá-lhe carácter. A traseira é outra área onde a marca americana deu uma lição de simplicidade, seguindo a mesma filosofia da frente: uma barra a unir os faróis com um design horizontal. Na parte inferior do portão da mala, há vincos que conferem um ar robusto, enquanto o para-choques apresenta um detalhe em cinza (em quase todas as versões; na versão Collection este apontamento é preto). A lateral é muito diferente da traseira e da frente. Aqui a Ford arriscou um pouco mais. Há vincos, volumes, cavas das rodas pronunciadas, uma linha de cintura alta e um pilar C espesso, com elementos retangulares à mistura - seis, para ser exato. Já no interior, encontramos uma tela horizontal com boa qualidade de imagem, mas um software que podia ser melhor. Continuamos com um ecrã regulável e, na sua posição mais direita, um hidden compartment. Os espaços de arrumo são vastos e mais do que adequados. Um campo que este Explorer podia explorar melhor diz respeito à qualidade de alguns materiais do interior. Algumas zonas podiam ter um gabarito mais aprumado. Este americano contempla duas telas e a pantalha principal tem 14,6 polegadas.com 6 polegadas, o painel de instrumentos apresenta uma boa visualização, embora a personalização não seja um dos pontos fortes deste SUV, pois é escassa. Curiosamente, trata-se de um dos elementos do interior que rapidamente identificamos como não sendo Ford. O mesmo acontece com os manípulos da caixa e com os piscas. O “pinchavelho” dos vidros também foi retirado dos ID da Volkswagen. Isto significa que, para abrir os vidros de trás, temos que clicar num botão que diz “REAR” para os ativar, o que é pouco prático Os comandos do A/C são operados via tela, com operação user friendly. Para aquilo a que estamos habituados, operar o volume do rádio é algo complicado, pois não existe um botão físico, mas sim uma barra tátil onde temos de deslizar o dedo. Durante os dias que estivemos com o Explorer, foi preciso alguma habituação a este sistema Mas sempre temos os comandos do volante, táteis também, embora o seu funcionamento seja melhor. O som está a cargo de um Bang & Olufsen com uma soundbar no tabliê. O som é bom, muito nítido e, quando puxamos por ele, não distorce. Um dos itens que mudou foi o volante. Apesar de manter os três raios, o raio inferior tem um formato diferente. Também se inovou nos bancos. Se no Capri o encosto de cabeça era integrado no banco, este assento tem um formato convencional. É muito confortável. Os ajustes são bons, quer para o corpo, quer para a cabeça, este último conta com regulação em altura e profundidade sem custo adicional. A ExPLORAR TERRENO Assim que peguei no Explorer, decidi que tinha de ir ao Porto e que essa viagem ia ser feita com uma só carga. Para começar, cometi a patetice de carregar o carro a 60 km de casa, sabendo que tinha postos bem perto Carregamento feito, 100%, e marcava 588 km. Sábado, 8 horas da manhã, saio de casa com 500 e poucos km e decido ir pela 25 de Abril para encurtar caminho. Tudo correria bem se os senhores da autoestrada não tivessem resolvido fazer manutenção nas imediações da via estivemos cerca de uma hora e meia parados! Deixado para trás este momento de “raiva”, já em estrada aberta, gostámos muito do acerto de suspensão deste Explorer. É macio e absorve muito bem as irregularidades do piso. O carro é muito confortável e mostrou ser uma boa companhia em autoestrada. No Porto, fiz o que tinha planeado e, quando fui ao posto de carregamento, ainda tinha carga. Pasme-se, conseguimos percorrer 408 km! E gastámos cerca de 75 euros durante os dias que estivemos com ele. Fizemos cerca de 1000 km! Um valor deveras bom, comparado com outros elétricos que testámos na Biturbo. Em cidade, mostrou ser eficiente. Houve várias alturas em que o mostrador de autonomia praticamente nem mexia. Andámos em cidade 20 km e o mostrador continuava a apresentar uma autonomia próxima dos 200 quilómetros Deixando a autoestrada para trás e indo fazer umas curvas, há uma tendência para o adornar da carroçaria. Podemos também dizer que a sua direção é algo vaga, mas o comportamento mostrou-se dinâmico. Quanto aos modos de condução, apresenta três: Eco, Normal e Sport. Já a dureza da direção muda consoante o modo, mas peca por ser demasiado elétrica. O grupo propulsor desta unidade é o conhecido 77 kWh, de 286 cavalos e tração traseira, com 510 Nm de binário. A escolha é racional, pois faz mais quilómetros, mais concretamente até 608 km. Os consumos estiveram dentro da média, 20 kWh/100 km, mas em cidade chegámos a fazer 15 kWh/100 km Os carregamentos podem suportar velocidades até 135 kW em DC e, em AC, 11 kW (peca por não suportar os 22 kW). Mas, em DC, conseguimos carregar dos 20% aos 80% em menos de 30 minutos. Com preços a começar nos 44 mil euros, para a versão base, com a bateria menor (58 kWh) de 190 cavalos, é um valor tentador, pois o carro é espaçoso, seguro (em velocidades elevadas mostrou ser muito sólido), confortável e eficiente, com consumos em cidade entre 12 e 15 kWh/100 km. Concluindo o nosso ensaio, o que dizer do Explorer? É um SUV seguro, sólido, confortável e espaçoso, algo que uma família procura. Pena a condução não ser mais envolvente, mas, para aquilo a que se propõe, cumpre e a possibilidade de fazer Porto-Lisboa sem carregar são bons cartões de visita da gama Explorer. Agora, só o mercado o dirá Mas, no geral, o Explorer é um carro interessante e a ter em conta. ENSAIO FORD ExPLORER Tomás Amorim