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DEFESA - FORÇA AÉREA TEM QUATRO AVIÕES C-130 MAS SÓ UM ESTÁ OPERACIONAL

Público

2023-10-20 06:31:32

O avião C-130 usado para resgatar portugueses em Israel é o único operacional numa frota de quatro. Primeiro de cinco KC-390 comprados para substiuir aeronaves de resgate aterrou ontem em Beja Por Henrique Pinto de Mesquita O avião C-130 da Força Aérea Portuguesa (FAP) que resgatou cidadãos portugueses e estrangeiros de Israel para Chipre é o único operacional de uma frota de quatro. Dos restantes três, um está em "manutenção programada com conclusão prevista em Novembro" e os outros dois em "modernização", avançou o Ministério da Defesa ao PÚBLICO. O primeiro dos cinco aviões comprados por Portugal para os substituir - os KC-390 - aterrou ontem na base de Beja. Em Março de 2019, quando o primeiro C-130 foi para a oficina, João Gomes Cravinho, à época ministro da Defesa, dizia que estes aviões já estavam "no limite da sua utilizabilidade", mas que se podiam manter activos "nos próximos seis a sete anos", uma vez que estavam a "passar por uma pequena modernização necessária". A "pequena modernização" já dura há mais de quatro anos, apesar de o prazo de entrega dos aviões ser 2021 e, em 2019, fonte oficial da OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal, a empresa responsável pela modernização) ter garantido ao Diário de Notícias que as aeronaves estariam prontas até 2020. Ao Expresso, a OGMA justificou o atraso na entrega dos aviões com a pandemia e a exigência do processo: "A calendarização foi grandemente afectada por diversas circunstâncias de força maior relacionadas com a pandemia de covid-19, designadamente no que respeita à perturbação mundial das cadeias de abastecimento aeronáuticas (?) bem como limitações ao controlo de exportação, que dificultou a transferência de informação técnica para a OGMA." A modernização em causa diz respeito a uma "substituição quase integral dos sistemas de comunicação, navegação, controlo de voo e instrumentos". O C-130 utilizado pela FAP no resgate em Israel serviu maioritariamente para transportar passageiros de Telavive até Larnaca, em Chipre, sendo que o restante trajecto até Portugal foi feito num avião fretado à TAP pelo Governo. Ao PÚBLICO, o Ministério da Defesa explica que esta estratégia foi a mais adequada, pois permitiu "trazer, de uma só vez para Portugal, mais de uma centena e meia de pessoas, número que excede a lotação do C-130". Não obstante, no seu regresso a Portugal, o C-130 trouxe ainda "mais duas dezenas de cidadãos nacionais e estrangeiros" - uma "operação que permitiu retirar de Israel quase duas centenas de pessoas". De resto, explica o Ministério da Defesa que o Plano Nacional de Regresso prevê a "utilização de diferentes meios de transporte para as operações de regresso de cidadãos nacionais a território português, podendo ser civis ou militares e empenhados de modo individual ou em conjunto". E ainda: "No movimento de pessoas e bagagens pode ser considerada uma primeira deslocação para locais de concentração em países vizinhos", tal como aconteceu neste caso com as viagens para Chipre. KC-390 já está operacional O primeiro dos cinco aviões KC-390 comprados por Portugal para substituir a frota dos C-130 aterrou ontem à tarde na Base Aérea de Beja. O voo entre Brasil e Portugal foi o início da actividade operacional desta aeronave, "que, a partir de agora, integra em pleno o sistema de armas da Força Aérea", refere a FAP num comunicado de imprensa, que acrescenta que o KC-390 será operada pela Esquadra 506 - "Rinocerontes", sediada em Beja. Este avião militar já esteve na base de Beja em Outubro do ano passado com a garantia de que seria entregue à FAP em Fevereiro deste ano, contudo só agora a aeronave ficou efectivamente à disposição das Forças Armadas. Em 2019, o Estado anunciou a compra de cinco aviões KC-390 por 827 milhões de euros à empresa brasileira Embraer. Além das aeronaves - que serão entregues, uma por ano, entre 2023 e 2027 -, o negócio inclui a aquisição de um simulador de voo e a sua manutenção nos primeiros 12 anos. Em 2016, o KC-390 foi apresentado como o "maior projecto de aeronáutica" com "participação da indústria portuguesa". É um avião militar de transporte estratégico produzido pela empresa brasileira Embraer com o contributo de Portugal - através da OGMA e do Centro para a Excelência e Inovação da Mobilidade (CEiiA) de Portugal, tendo sido investidas "650 mil horas de trabalho de engenharia portuguesa" -, República Checa e Argentina. De acordo com a resolução do Conselho de Ministros que aprovou a despesa de aquisição das aeronaves, o avião KC-390 é "capaz de executar operações estratégicas e tácticas, civis e militares, sem limitações, desde o transporte de tropas, veículos e cargas paletizadas, lançamento de pára-quedistas e carga, evacuações sanitárias, missões de busca e salvamento, reabastecimento aéreo e combate a incêndios florestais". A frota da Força Aérea A Força Aérea possui 108 aeronaves na sua frota, divididas entre 13 modelos diferentes, dos quais apenas um não é tripulado. Esta é a lista disponibilizada ao PÚBLICO: • cinco helicópteros AW119; • um avião KC-390 (outros quatro encomendados); • quatro aviões C-130; • doze helicópteros EH-101; • três aviões Falcon 50; • um avião Falcon 900B; • vinte e oito caças F-16 AM; • cinco aviões P-3C CUP+; • seis aviões DHC-1; • dezasseis aeronaves TB-30; • doze aviões C-295M; • três planadores ASK-21; • doze drones OGS 42, não tripulados.