TOMAS DE VARGAS MACHUCA ENTRA PARA A HISTÓRIA COM RECORDE MUNDIAL NO PEQUIM,PARIS A SÓS
2026-05-21 21:09:30

O notável feito de resistência alcançado por Tomas de Vargas Machuca na edição de 2025 do rali histórico Pequim,Paris Motor Challenge, prova registada pela Fédération Internationale des Véhicules Anciens, foi oficialmente reconhecido como recorde mundial O notável feito de resistência alcançado por Tomas de Vargas Machuca na edição de 2025 do rali histórico Pequim,Paris Motor Challenge, prova registada pela Fédération Internationale des Véhicules Anciens (FIVA), foi oficialmente reconhecido como recorde mundial. Após um processo de validação sustentado por extensa documentação, o Comité Internacional de Aceitação da Official World Record Europe confirmou e homologou a proeza, atribuindo-lhe o título oficial de “Primeira pessoa a conduzir sozinha de Pequim a Paris num automóvel pré-guerra”. Para quem acompanha o universo dos automóveis históricos, Tomas de Vargas Machuca não é um desconhecido. O dirigente da HERO-ERA - parceiro de longa data da FIVA - enfrentou a aventura ao volante de um Bentley 3-4½ Litre de 1926, completando sozinho os 37 dias de prova e percorrendo 14.899 quilómetros através de 12 países, numa das mais exigentes competições de endurance do automobilismo histórico. O percurso ligou metade do globo terrestre: começou na China, atravessou o Cazaquistão e o Mar Cáspio até ao Azerbaijão, prosseguiu pela Turquia e pelo Cáucaso, antes de entrar na Europa através da Geórgia, Bulgária, Roménia, Hungria, Áustria, Alemanha, Suíça e, finalmente, França. Pelo caminho, cruzou dez fronteiras internacionais e passou seis noites em acampamentos improvisados, enfrentando temperaturas extremas, chuvas torrenciais e tempestades de areia nas regiões meridionais do deserto de Gobi. Mais do que um teste de condução, esta foi uma prova de resistência física e mental. No final de cada etapa, independentemente da hora ou das condições climatéricas, o Bentley exigia reparações e manutenção constantes. Sem uma determinação férrea, seria impossível alcançar a meta em Paris - e muito menos garantir um recorde mundial. Talvez ainda mais impressionante seja o facto de Vargas Machuca não se ter limitado a concluir a aventura: terminou na 14.ª posição da classificação geral, resultado brilhante tendo em conta a dimensão do desafio e o facto de ter competido sem copiloto nem equipa de apoio permanente no habitáculo. Ao reagir ao reconhecimento oficial, o aventureiro espanhol mostrou-se emocionado: “Estou muito feliz por acrescentar este importante reconhecimento à minha conquista pessoal do ano, nesta aventura a solo à volta do mundo. Tal como fui inspirado pelos pioneiros que me antecederam, espero agora inspirar outros a saírem da sua zona de conforto. Gostaria também de dedicar este reconhecimento ao meu falecido pai, que teve um papel fundamental na construção e partilha da minha paixão pela aventura e pelo automóvel.” A Official World Record Europe dedica-se à promoção, verificação e catalogação de recordes mundiais através de rigorosos processos de investigação e avaliação. Cada candidatura só é aprovada após cumprir exigentes critérios de validação, frequentemente acompanhados por pareceres independentes de especialistas. Com este feito, Tomas de Vargas Machuca junta-se ao restrito grupo de recordistas ligados à história da Pequim,Paris. Entre eles encontram-se Anton Gonnissen, que estabeleceu o recorde da maior distância percorrida num veículo de três rodas, e Mitch Gross, responsável pelo recorde da maior distância realizada num veículo a vapor durante a edição de 2019. A comparação inevitável surge com outro nome lendário da resistência automóvel: Eddie Hall. Nas 24 Horas de Le Mans de 1950, o britânico conduziu sozinho o seu Bentley durante toda a corrida - 236 voltas, cerca de 3200 quilómetros - recusando entregar o volante ao copiloto que aguardava nas boxes. Ainda assim, o feito de Vargas Machuca leva o conceito de endurance solitária para outra escala: continentes inteiros, quase 15 mil quilómetros e mais de cinco semanas ao volante de um automóvel pré-guerra. E, curiosamente, a aventura não terminou em Paris. Inspirado pelos pioneiros do automobilismo, que conduziam os seus próprios carros até aos eventos e regressavam depois a casa pela estrada, Tomas decidiu prolongar a viagem. Após cruzar a linha de chegada, continuou ao volante do Bentley até Londres e daí até às instalações da HERO-ERA, em Bicester Motion. “Alguém me disse que, antigamente, os participantes conduziam até aos eventos e que só terminavam verdadeiramente quando regressavam a casa. Por isso, conduzi o Bentley até Londres e depois até Bicester Motion para completar a missão.” Depois da prova, Vargas Machuca recebeu ainda um prémio de Realização Pessoal nos Historic Motoring Awards, distinção que agora passa a caminhar lado a lado com o recorde mundial oficialmente homologado. Num tempo em que o automobilismo moderno parece cada vez mais distante da aventura pura, histórias como esta recordam-nos porque continuam a existir homens dispostos a desafiar o impossível - apenas com um volante nas mãos, um mapa no banco do passageiro e coragem suficiente para seguir em frente. Imagens: FIVA