PRODUÇÃO DA ASTON MARTIN ESTÁ DE VENTO EM POPA, MAS AS FINANÇAS ESTÃO UMA MISÉRIA
2026-05-21 21:09:30

Em termos de gama, a Aston Martin não podia estar melhor, com modelos extremamente dispendiosos que todos querem comprar, do Valhalla por 1 milhão ao Valkýrie por 2,5 milhões. Mas as finanças A gama de veículos proposta actualmente pela Aston Martin aos seus clientes, nunca foi tão rica em emoção e preços elevados como em 2026. Aos modelos desportivos mais luxuosos e tradicionais na marca, como o Vanquish, o DB12, o DBS e o SUV DBX, o construtor britânico junta hiperdesportivos como o Valkyrie e, mais recentemente, o Valhalla, alguns dos mais exclusivos e dispendiosos do mercado. Contudo e a acreditar nos administradores do construtor inglês, o valor da Aston Martin caiu 10 vezes nos últimos tempos, com a empresa a necessitar urgentemente de dinheiro fresco. Quando o pai do piloto de F1 Lance Stroll assumiu o controlo da Aston Martin 2020, depois de reunir um um conjunto de investidores, o construtor valia 5 mil milhões de euros. Desde então, mesmo com a melhor gama de sempre, o valor do construtor caiu para apenas 497 milhões, ou seja, caiu para 10 vezes menos. E isto são péssimas notícias para um construtor cotado na bolsa de Londres e que necessita urgentemente de liquidez. Apesar do pai de Lance Stroll controlar a administração do construtor, o que a imprensa britânica avança que, com prejuízos de 421 milhões de euros, o que representa um incremento de 25% nas perdas face a 2025, a Aston Martin necessita urgentemente de cash e não parece que os accionistas que dominam a companhia possam suprir as necessidades de dinheiro vivo. A fonte de dinheiro mais provável provirá da última empresa que a Aston Martin gostaria de ver aumentar de poder dentro do construtor, ou seja, os chineses da Geely. O The Telegraph avança que uma das hipóteses mais prováveis para lançar uma boia de salvação poderá provir efectivamente da Geely, um accionista chinês que já controla 14% do capital, sendo o 3º maior accionista, logo atrás do Fundo Soberano Saudita. O grupo de accionistas liderado pelo canadiano Stroll, que detém 31% do capital, não parece disposto a incrementar o investimento, pelo que o único accionista que poderá avançar é mesmo a Geely, que possui a necessária liquidez, caso esteja interessada. Investidores chamam a atenção que se a Geely reduziu em 2025 a sua presença na Aston Martin de 17% para 14%, enquanto a Mercedes, outro dos construtores que mantém uma presença no construtor britânico , tanto mais que lhes fornece os motores V8 biturbo , fez em 2025 a fatia do negócio cair de 20% para somente 8%. De recordar que a Geely, liderada pelo privado Li-Shufu, além da presença na Aston Martin, é ainda o maior accionista privado na Mercedes, com cerca de 10%, possuindo ainda 50% da Smart e o controlo da Volvo, da Polestar e da Lotus, além dos LEVC, a companhia que produz os táxis londrinos. A imprensa britânica chama contudo a atenção de que a Geely, a aumentar a presenta na Aston Martin, poderá tentar deslocar a produção dos Aston Martin da Inglaterra para a China, sobretudo por uma questão de redução de custos. Os britânicos, pelo seu lado, temem que esta transferência do local de produção possa beliscar a imagem da marca e da confiança dos potenciais clientes. Alfredo Lavrador