HOSPITAL DE SÃO JOÃO TEM TECNOLOGIA 3D PARA OPERAR A COLUNA
2026-05-21 21:09:30

São João tem nova tecnologia 3D para operar a coluna Exoscópio foi adquirido com o apoio de mecenas e permite intervir com recurso a imagens ampliadas e tridimensionais ana.correia@jn.pt PORTO O doente, cujo diagnóstico apontou uma hérnia discal com estenose do canal, causando-lhe dor constante na perna esquerda, já está anestesiado quando os dois enormes monitores deslizam sobre rodas até à ísala de operações. Hão de refletir as imagens ampliadas e a três dimensões captadas pela mais recente estrela tecnológica do Hospital de SâO João, óno Porto o exoscópio, que começou a operar há cerca de um mês e que, através de uma poderosa câmara, se transforma nos olhos dos dois cirurgiões e da equipa que se prepara para fazer uma operação à coluna de um homem com cerca de 40 anos. Iniciada a cirurgia, que O JN acompanhou ao longo da manhã de ontem, o braço do equipamento = “o primeiro exoscópio do país”, como assegura a unidade hospitalar , é apontado à zona das costas do paciente onde foi feita a incisão, para que a câmara capte com “uma precisão submilimétrica e tridimensional”, cada passo da intervenção, que é feita numa região muito sensível, uma vez que implica a descompressão de feixes nervosos. ALTA DEFINIçâO “Vamos entrar óno canal vertebral, calibrá-lo e retirar uma hérnia discal que está a apertar estruturas neurológicas”, indica Francisco Serdoura, que dirige o Serviço de Ortopedia do Hospital de São João e explica que, nestes ca-Sos, “a precisão é mais crítica”, sendo que a nova tecnologia de “última geração” permite realizar a intervenção “com mais pormenor” e de “forma imersiva”. Quando as imagens surgem ónos monitores, a sala parece transformar-se num cenário do filme "Matrix”: toda a equipa tem de usar óculos 3D para poder acompanhar a operação nos monitores como se estivesse a olhar para a zona da intervenção, mas a uma escala muito superior. Aliás, é através das imagens transmitidas pelos monitores deste “sistema digital de alta definição tridimensional” que os cirurgiões operam e calculam cada movimento, ao contrário do que sucede quando utilizam o microscópio tradicional, que obriga a efetuar a cirurgia através das óticas. “No fundo, é como ver um filme em 3D ou um filme normal”, compara Francisco Serdoura, sublinhando que o exoscópio permite ter “uma capacidade técnica melhorada e potenciada”. Além disso, “em termos de interação da equipa é mais fácil, porque todos estão a acompanhar o que está a acontecer”, explica o médico ortopedista, salientando, ainda, que “a volumetria do que se coloca em cima do doente é menor”. Enquanto a câmara do exoscópio “parece uma lata de coca-cola, o microscópio é uma máquina de tirar cerveja”, sorri o cirurgião, que se socorre das analogias para ilustrar as diferenças fisicas dos dois equipamentos. CONFORTO DO CIRURGIâO As vantagens do novo equipamento, que custou perto de 353 mil euros e foi adquirido graças ao apoio de três mecenas , a Super Bock Group, Fuste e Maria Fernanda Amorim estendem-se também ao conforto do cirurgião. “Estamos a trabalhar verticalizados, numa posição muito mais ergonómica, porque olhamos para um ecrã”, realça o diretor do serviço de ortopedia. "ê uma tecnologia muito intuitiva, e quem usava o microscópio faz uma adaptação muito rápida ao exoscópio”, constata FrancisCo Serdoura. Exoscópio funciona há um mês e foi comprado com o apoio de mecenas P.6 Novo equipamento está a operar há cerca de um mês Cirurgiões operam de olhos postos nos monitores Toda a equipa cirúrgica acompanha a operação graças às imagens © Francisco Serdoura Diretor serviço de ortopedia “Não é POI capricho que os cirurgiões querem a tecnologia. Estes equipamentos ajudam-nos a servir 0 doente o melhor possível” Ana Correia Costa