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CARLOS COSTA FALA SOBRE OS DESAFIOS DA TRANSIÇÃO DE GÉNERO E A FASE EM QUE SE ENCONTRA: “NÃO É UMA FUTILIDADE"

Fama Show Online

2026-05-21 21:09:26

O artista abriu o coração sobre o atual momento da sua vida Carlos Costa - artista que ficou conhecido do grande público no programa Ídolos - atravessa uma nova fase da sua vida. Recentemente, a figura pública fez saber que iniciou um processo de transição de género. Em declarações ao site Fama Show, Carlos Costa falou sem tabus sobre o tema, abordando as dificuldades sentidas até aqui e a atual etapa em que se encontra. "Encontro-me numa linha muito ténue de exposição pessoal que pode desvirtuar a minha carreira musical, mas há uma coisa que eu decidi: a minha verdade ninguém vai calar e o meu exemplo há de servir para bem dos demais", começou por referir. Para o artista há estereótipos que precisam de ser derrubados e, por isso, é importante informar e que exista uma voz ativa nesta temática. “Eu vi demasiadas pessoas a sucumbir, a morrer e a cometerem suicídio por disforia de género, por não serem atendidas atempadamente no Serviço Nacional de Saúde, por se automedicarem com hormonas e por aí fora. Portanto, é preciso mesmo desconstruir a ideia de que os transexuais são seres extremamente promíscuos com seios e nádegas gigantes e que só se prostituem”, notou. “Não se trata de uma futilidade, é algo que é diagnosticado e provado cientificamente. É uma luta complicada, porque se eu pudesse escolher, eu não passaria por tudo isto. Se eu pudesse escolher, estaria casado, com dois filhos, com uma casa comprada, com o meu carro, contas pagas, heterossexual, vida quadradinha. Isto não é uma escolha, isto é algo intrínseco. E é isto que as pessoas têm de perceber. Eu não acordei de um dia para o outro e decidi ser mulher, e de repente o Serviço Nacional de Saúde é obrigado a comparticipar tudo isto por uma futilidade. Isto não é uma futilidade, isto é algo que está comprovado por psiquiatras, por cientistas. Existe disforia de género e pode levar à morte quando não é socorrida”, esclareceu. No caso de Carlos Costa, os questionamentos começaram numa fase da sua vida em que se encontrava mais fragilizado. "No meu caso, a minha disforia de género começou a sentir-se muito tarde, porque eu também, desde muito cedo, estava ocupado com outras coisas. Já diziam que eu era incrível. Portanto, eu não precisava de mudar nada. Até quando tu entras num momento mais depressivo em que, se calhar, percebes que já não és assim tão incrível, e aí é que vêm as dúvidas. De onde é que vem esta depressão? De onde é que vêm estes pensamentos sobre mim mesmo? É porque perdeste o namorado? É porque o teu pai morreu? Porque é que voltaste para a Madeira? . Depois tu começas a estudar e a perceber só te sentes bem, feliz e completo, quando estás e seguro, quando toda a tua aura transpira e transmite feminilidade", recordou. Carlos Costa Marco Fonseca O artista garante ainda que nunca se sentiu no corpo errado. “Não me sinto no corpo errado, no meu caso é mais interior. Eu acredito que exista mais uma disfunção e um desequilíbrio hormonal mais do que propriamente físico. Eu tenho a sorte de ter nascido baixinho, não fiz grandes alterações à minha cara, eu aumentei os lábios e, ligeiramente, os pómulos das maçãs do rosto, mas isso já foi há muito tempo. Basta colocar as extensões e as pessoas já pensam que eu sou uma rapariga. Eu não sinto uma grande disforia, gostava, logicamente, de que a distribuição da minha massa gorda e muscular fosse ligeiramente diferente", esclareceu. Neste momento, Carlos encontra-se numa fase em que fez todos os exames hormonais, tendo já iniciado "os bloqueadores de testosterona e terapêutica de hormonas femininas“. ”Começas a sentir uma instabilidade quase como se fosses bipolar em alguns momentos, mas rapidamente tu consegues perceber, que o teu corpo se está a habituar a toda esta terapêutica e mudança", contou. “Há uma sensibilidade no peito. Embora não tenha volume, dá para começar a sentir que há qualquer coisa aqui de diferente. A minha pele mudou também bastante em termos de suavidade, e é praticamente aí que estou. Sinto-me bem, mas ao mesmo tempo receoso com a responsabilidade daquilo que assumi", explicou, referindo-se às principais mudanças no seu corpo. “A minha situação não era uma prioridade” Olhando para todo o processo, o artista assume que o mais desafiante foi conseguir as consultas. "Foi o mais difícil de tudo porque cancelavam as consultas sem autorização. Um médico referenciava-me para a psiquiatria e, de repente, quando eu ia à procura dessa consulta, tinha sido cancelada. Isto aconteceu uma ou duas vezes, até que fui referenciado para a endocrinologia, que é a parte da medicina que estuda as hormonas, e eu já estava à espera há quase um ano e meio até que pensei: Não posso esperar mais tempo, vou à procura de respostas. Quando fui à procura de respostas, descobri que todas as minhas consultas tinham sido canceladas", referiu. "A minha situação não era uma prioridade. Quando eu percebi isso, tive uma revolta muito grande, desdobrei-me e fui a todas as entidades reguladoras do Serviço Nacional de Saúde. Todas elas defenderam o Serviço Nacional de Saúde, mais de 90% não me responderam. Até que eu me fiz de de maluco e liguei para uma linha prevenção do suicídio. Vieram buscar-me a casa e, de repente, já tinha consultas para tudo. Portanto, é necessário quase colocares a tua vida em risco para que te venham salvar. É quase como aquela história de só pintar a passadeira no sítio que deveria ser pintado depois de alguém ter sido atropelado", recordou. Carlos Costa Marco Fonseca A mudança do nome Questionado ainda sobre uma possível mudança de nome, Carlos Costa assumiu encontrar-se num dilema e, por isso, ainda não tomou uma decisão definitiva. "É difícil, ainda mais na minha situação porque eu não sou uma pessoa propriamente anónima. Há muita gente que associa o meu rosto ao nome Carlos. Já existe aqui uma associação automática. Para as pessoas que não me conhecem, como por exemplo estrangeiros e pessoas que não sabem quem eu sou, presumem que sou uma menina e quando me perguntam o nome e eu digo que sou o Carlos, é um choque. Portanto, é muito complicado, mas, aparentemente, já existe aqui um nome embrionário que é Diana", referiu. Ainda que goste do nome Diana, Carlos assume uma certa “estranheza”. "Imagino o que é de repente o meu Instagram deixar de ser carloscosta_music e passar a ser dianacosta_music. Desligar [do nome Carlos] teria de ser feito de forma muito grande, para ter um grande impacto. Tinha de ser, por exemplo, ao fazer um programa de televisão de grande impacto e de grande escala em que eu me apresentasse como Diana ( ) Imaginemos que eu fosse ao Festival da Canção, já depois da transição completa, e já participasse como Diana. As pessoas iriam associar: sim, esta é a Diana, que era o Carlos", frisou. Carlos Costa explicou ainda a ligação sentimental ao seu atual nome, que herdou do pai, avô e bisavô. “Tu não mudas interiormente. Continuas a ser a mesma pessoa ( ) Portanto, dizer que não ao nome que o meu pai e a minha mãe me deram quando eu ainda era um bebé indefeso é dizer que não a um legado. É uma história, é algo que me foi entregue, algo que me foi oferecido e escolhido, certamente, com carinho”, afirmou. “Já não existem coisas às quais não saiba responder” Por fim, Carlos Costa assumiu ser uma pessoa com muitos sonhos na bagagem, ainda que tenha alguns receios. “Tenho muitos sonhos e expectativas, algumas delas com algum medo do jogo dos canais de televisão", reforçou. “Para qualquer artista, desde que faça sentido, se lhe derem um microfone, luz e oportunidade de cantar ou de falar é o suficiente. Isto não se trata de competições ou de corridas entre canais de televisão, mas sim de agarrar as oportunidades que fazem sentido”, referiu. O artista salientou ainda que já “não existem coisas às quais não saiba responder”. "Agora fez sentido porque já não há subterfúgio, já não há segredos, já sei exatamente o que responder a cada uma das coisas. Já tenho maturidade para isso", completou.