EDITORIAL - BEM-VINDOS AO CAOS
2026-05-21 21:09:26

Editorial Começar um texto com um comboio de números não é o ideal, mas aqui vão eles: em 2025, as dormidas aumentaram 2,2%, os hóspedes 3% e as receitas turísticas 5%; em valores absolutos, registaram-se 32,5 milhões de hóspedes e contabilizaram-se 29,1 mil milhões de euros de receita. Mais dados: segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), que estuda o turismo com a Oxford Economics, o sector e estas são citações directas “poderá valer mais de 74,6 mil milhões de euros, representando 22,6% do PIB” e “criar cerca de 1,4 milhões de empregos” em 2035. Não se discute aqui a dependência excessiva do turismo na economia portuguesa, os riscos da descaracterização das cidades, nem os perigos ambientais do vaivém de viagens potenciado pelas transportadoras low cost. Aqui importa ressalvar um facto: Portugal ganha muito com as muitas pessoas que visitam o país; à falta de melhor, o melhor é assegurar bons serviços. Portanto, Carlos Moedas tem razão quando se refere ao “caos” no aeroporto de Lisboa, com os passageiros alinhados em carreiras de formigas enquanto o controlo electrónico falha. Recuperando as suas palavras, isto, “no fundo, dá uma imagem terrível” do país, que na verdade se multiplica por milhares de outras imagens nas redes sociais que nada ajudam à causa portuguesa. A pressão de Moedas sobre Luís Montenegro para suspender temporariamente este controlo e o reforço de agentes no aeroporto prometidos pelo Governo são pedidos e respostas circunscritos no tempo que não resolvem o problema maior que não é de agora, nem de ontem nem tão pouco do Natal passado, quando a ministra da Administração Interna assumiu laconicamente que o sistema tinha pifado. Sim, é verdade que esta não é uma singularidade portuguesa e que em alguns aeroportos europeus as complicações são semelhantes desde que foram criadas as novas regras europeias que obrigam à recolha de dados biométricos. Mas os especialistas, o Sindicato dos Técnicos de Migração e a própria PSP alertam paraonúmeroinsuficientede boxes e quiosques para o volume de chegadas, um tema já identificado anteriormente, mas que foi proverbialmente varrido para debaixo do guiché. À sua escala, as filas no aeroporto são para o turismo o que o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) é para os incêndios, os partos em ambulância para a obstetrícia ou as urgências entupidas para o Serviço Nacional de Saúde: falhas recorrentes que regressam como estações do ano, desgastam governos e resistem a soluções. Não são excepções, são hábitos. Bem-vindos ao caos. Carlos Moedas tem razão quando se refere ao caos no aeroporto de Lisboa, com os passageiros alinhados em carreiras de formigas enquanto o controlo electrónico falha Pedro Candeias