MOBILIDADE SUSTENTÁVEL - MOBILIDADE, A CHAVE PARA CIDADES MAIS SUSTENTÁVEIS
2026-05-21 21:09:25

Amobilidade do futuro será, necessariamente, inteligente. Não porque a tecnologia seja um fim em si mesma, mas porque as cidades precisam de responder a desafios cada vez mais exigentes, em termos de congestionamento, emissões, pressão sobre o espaço público, custos energéticos e exigência crescente dos cidadãos por soluções mais simples, acessíveis e integradas. A inteligência aplicada à mobilidade permite antecipar fluxos, otimizar redes, gerir estacionamento, melhorar a segurança rodoviária e tornar o transporte público mais eficiente e mais atrativo. E esta integração entre dados, conectividade e capacidade de decisão que transforma mobilidade em política urbana inteligente. Neste contexto, a articulação com as smart cities é decisiva. Uma cidade inteligente não é a que acumula sensores ou plataformas. E a que consegue usar informação para tomar melhores decisões e prestar melhores serviços. Na mobilidade, isso significa integrar transportes públicos, modos suaves, micromobilidade, partilha de veículos e infraestrutura de carregamento numa lógica única de rede. Significa também ligar mobilidade a energia, planeamento urbano, ambiente e inclusão social. A cidade inteligente não é apenas mais digital. Tem de ser também mais habitável. A descarbonização das cidades exige precisamente esta visão sistémica. Não basta trocar uma frota poluente por outra mais limpa se continuarmos a reproduzir um modelo urbano assente no excesso de viaturas, na fragmentação modal e na dependência do transporte individual. O caminho passa por reforçar o transporte coletivo, promover a intermodalidade, qualificar o espaço para peões e bicicletas e criar soluções eficazes para a última milha. A chamada “pirâmide da mobilidade” lembra-nos que caminhar, pedalar e usar transporte público devem estar no centro da organização urbana. E, quando a tecnologia ajuda a reduzir tempos de espera, a aumentar frequência, a melhorar a cobertura e a simplificar a experiência do utilizador, a escolha sustentável torna-se também a escolha mais conveniente. E aqui que a mobilidade como serviço ganha especial relevância. O cidadão não quer gerir sistemas dispersos. Quer deslocar-se. Quer uma experiência simples, fluida e previsível, idealmente através de uma única interface que permita planear, reservar, pagar e combinar diferentes modos de transporte. O conceito de Mobilidade como um Serviço responde a essa expectativa e representa uma mudança estrutural, pois passamos de uma lógica centrada na posse para uma lógica centrada no acesso. Mais do que ter um carro, importa ter mobilidade. Portugal tem condições para participar ativamente nesta transformação. Tem competências industriais, capacidade tecnológica, centros de engenharia, ecossistemas de inovação e uma crescente agenda de experimentação em mobilidade e cidades. O desafio está em acelerar a articulação entre municípios, operadores, indústria, centros de conhecimento e decisores públicos. Precisamos de pilotos, sim, mas sobretudo de escala, interoperabilidade e visão estratégica. A mobilidade sustentável não se constrói contra a cidade. Constrói-se com a cidade. E será tanto mais transformadora quanto melhor conseguir ligar inteligência, descarbonização e serviço ao cidadão. Esse é o verdadeiro destino da mobilidade do futuro. Diretor Geral da Mobinov, Cluster Automóvel e da Mobilidade Presidente do júri da categoria Mobilidade Sustentável MIGUEL ARAÚJO