GESTÃO - COMO A GM ESTÁ A MOLDAR O FUTURO DO DESIGN AUTOMÓVEL, UM CORVETTE DE CADA VEZ
2026-05-21 21:09:25

ARAT LABO. NAM NIS ET QUOSAPICIAM FACESED QUATEM QUE CONET VOLUPTAQUAE. REICIENT ITATUR ACCULLOREM FACCUS DOLECTO RUMQUATI CONSEQUO MAXIMUSTIA EXPED EXCEATUR AD QUI stou num showroom na nova sede de design da General Motors, nos arredores de Detroit. à minha frente está O Corvette cx um automóvel desportivo experimental único meticulosamente construído à mão pela marca para apresentar uma aparência simultaneamente fluida e veloz. Ao baixar-me para perceber quão baixo este carro anda, o tejadilho do Corvette CX eleva-se diante de mim e abre-se como o cockpit de um caça multimilionário. A precisão robótica é um espectáculo por si só, que se soma ao impacto do próprio automóvel. A GM concebeu este “hipercarro” totalmente eléctrico para Fast Company parecer saído de um filme de acção. é capaz de circular em estradas normais ou em pistas de corrida, com o chassis e a estrutura interior a serem feitos de fibra de carbono ultraleve E, quando uma curva apertada poderia abalar os nervos, um spoiler traseiro ajustável optimiza a aerodinâmica em tempo real. O Corvette cx é uma demonstração ostensiva de engenharia, design e fabrico avançados, que exigiu uma equipa de centenas de pessoas durante três anos e um investimento de muitos milhões não divulgados, provenientes da capitalização bolsista da GM, superior a 60 mil milhões de euros. Durante a minha recente visita às principais instalações de design da GM, ficou claro que concept cars como O CX são mais do que simples antevisões para coleccionadores entusiastas.com a crescente concorrência de novos fabricantes chineses, a adopção intermitente de veículos eléctricos nos EUA e a prolongada incerteza no sector associada às tarifas da administração Trump, a indústria automóvel atravessa um dos períodos mais dinâmicos da sua história recente. Concept cars como O CX oferecem aos designers uma aspiração concreta para aquilo que eles , e a empresa , querem que seja o futuro dos automóveis. «Se não criarmos um farol», afirma Bryan Nesbitt, o novo vice-presidente sénior de design global da GM, «limitamo-nos a andar às voltas sem rumo.» UMA VIsão DO FUTURO Estas condições ajudam a explicar por que razão a GM apresentou três ou quatro versões de um concept Corvette só em 2025. Sob a supervisão de Michael Simcoe, o recentemente aposentado chefe de design, a empresa iniciou um esforço de design multiestúdio para criar novas visões para a Corvette, lançada pela primeira vez em 1953. Simcoe convocou três estúdios de design distintos da GM, espalhados pelo mundo, para reinventar O Corvette para uma era marcada pelo declínio dos motores de combustão interna, pelo crescimento da electrificação e pela aproximação da condução autónoma. O primeiro a ser tornado público veio de um estúdio de Birmingham, em Inglaterra, que revelou uma versão totalmente eléctrica do famoso muscle car. Outra versão foi desenvolvida nos estúdios de Design Avançado da GM em Pasadena, Califórnia, com um aspecto mais serpentino e uma estética próxima de street racing. O conceito de inspiração aeronáutica que observei de perto no campus da GM, denominado cx, foi também adaptado para um modelo de competição híbrido eléctrico. Estes concepts, embora não sejam radicalmente diferentes entre si, sugerem uma variedade de possíveis novos rumos para uma das marcas mais valiosas da GM. Para a empresa, os concept Corvette tornaram-se marcos raros e estratégicos num negócio que gira sobretudo em torno de melhorias incrementais associadas aos ciclos anuais de modelos. os anteriores concepts Corvette surgiram em 2009, 2002 e 1992, e cada um deles acabou por influenciar uma das oito gerações de Corvettes de produção vendidos ao público, bem como o design automóvel em sentido lato. O concept de 1992 incluía um dos primeiros exemplos de uma câmara de marcha atrás, hoje quase um equipamento de série. O de 2002 tinha um compartimento do motor em fibra de carbono, testando materiais estruturais mais leves para melhorar o desempenho. O design do concept de 2009 era mais exuberante, mas acabou por ter um impacto talvez ainda maior como ferramenta de construção de marca quando o carro apareceu como uma das personagens principais no filme “Transformers: Revenge of the Fallen”, de 2009. Os quatro concepts Corvette apresentados em 2025 não são diferentes. Junto ao cx no showroom executivo do edifício Design West da GM, Phil Zak, director executivo de design da Chevrolet, assegura-me que o modelo é totalmente conceptual. A GM teve um período no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 em que os veículos de produção eram quase indistinguíveis dos carros que tinha apresentado como concepts poucos anos antes. Mas Zak afirma que O CX não é, de forma alguma, uma antevisão do c9, a nona geração do Corvette, que se diz poder estrear o seu primeiro modelo em 2029. O projecto dos concepts é também uma oportunidade para testar esses futuros modelos de Corvette antes de autorizar a sua produção. Simcoe diz que investir nos concepts dá à GM algo tangível para apresentar a potenciais compradores, como forma de medir o interesse deles naquilo que poderá em breve estar exposto num concessionário. «o nosso objectivo é criar essa reação visceral nos clientes nas pessoas que estão na presença destes objectos físicos, porque é isso que vendemos», diz Simcoe. O trabalho de design orientado para o futuro que aqui se desenvolve tem repercussões nas pessoas que irão querer comprar determinado carro, como no seu fabrico. Estes designs avançados e concept cars ajudam a informar uma vasta rede de fornecedores e fabricantes externos envolvidos na criação da estrutura base de um veículo. UM ESPAçO PARA ? CRIação Deslizando por uma porta no piso inferior, nas entranhas do complexo de design da GM com mais de 46 mil metros quadrados, Nesbitt conduz me ao que poderá ser a oficina mecânica mais ima-culada da Motor City. Lá dentro estão quatro veículos igualmente imaculados que, por acaso, são alguns dos concept cars mais famosos da empresa. Um deles, o Chevrolet Engineering Research Vehicle de 1959, ou CERV I, de um só lugar, parece um foguete saído de um filme de ficção científica. Ao lado está O Pontiac Banshee de 1988, um concept vermelho diabo em forma de flecha. Mais adiante encontra se o reluzente Stingray Racer de 1959, prateado, elegante. Entre estes carros ousados e chamativos está aquilo que, para um leigo, poderia parecer pouco mais do que um descapotável de gama média alta dos anos 1940, com detalhes cromados, guarda lamas salientes e uma traseira que desce suavemente. Mas, apesar de uma aparência que hoje pode parecer comum, este carro foi revolucionário no seu tempo. é O Buick Y Job de 1938, o primeiro concept car alguma vez criado pela indústria automóvel. Foi um projecto do primeiro chefe de design da GM, Harley Earl, uma figura imponente a quem se atribui a introdução do estilo e do design automóvel na indústria no final da década de 1920. «Antes disso, eram basicamente operações de construção», diz Nesbitt. Earl usou O Y Job como campo de testes real para integrar novas abordagens de design e tecnologias. Entre as ideias inovadoras estavam faróis ocultos, vidros eléctricos e puxadores embutidos, além do seu perfil inclinado para a frente. Ao contrário dos concept cars que viriam depois, o Y Job não era propriamente uma ferramenta de marketing. Para além de ser um protótipo interno, era também um carro de serviço. Earl usava o diariamente, no trajecto en-tre a sua casa e a sede da GM em Detroit. No tempo de Earl, construir um veículo conceptual era uma correria. Hoje, a GM e alguns dos seus maiores concorrentes têm espaços dedicados onde designs conceptuais podem ser transformados, dentro da mesma instalação, de desenhos em maquetes à escala e depois em veículos de tamanho real. Deixando O Y Job para trás, entramos numa oficina luminosa e vibrante, onde mais concept cars da próxima geração estão a ser construídos à mão. Estão a ligar manualmente componentes de portas construídos à mão ao carro, um concept Cadillac de quatro lugares chamado Elevated Velocity. Foi concebido para alternar entre condução autónoma e controlo humano, com um volante retráctil que só surge quando solicitado. Quase todas as partes do carro , desde os bancos até às portas asa de gaivota foram fabricadas internamente. «A única coisa que subcontratámos foram os pneus», afirma Nesbitt. Parte disto deve se à necessidade de sigilo. Concept cars são alvos óbvios de espionagem corporativa. Mas Nesbitt afirma que fazer todo este trabalho internamente é, por si só, uma forma de construir conhecimento, com designers, engenheiros e especialistas em fabrico a trabalharem juntos para compreender como transformar uma ideia em realidade. «E a flexibilidade de ter tudo isto num único lugar que onos dá eficiência operacional», diz Nesbitt. «Quando subcontratas, não.» O centro de design da GM, incluindo o novo complexo Design West de mais de 33 mil metros quadrados inaugurado em 2024, está configurado para uma colaboração aberta entre departamentos: designers e engenheiros trabalham a poucos metros de carros de produção a receber os retoques finais e de designs mais experimentais ainda em formação. «Tens um grupo inteiro de pessoas que vivem dentro do futuro», diz Simcoe. «Estão a trabalhar com a visão futura na mente enquanto desenvolvem veículos de produção e encontram soluções para produção.» E aqui que os designers responsáveis pelo concept Corvette cx desenvolveram o aspecto, a sensação e as escolhas de materiais do carro. Trabalhando lado a lado com outros especialistas da em-O que poderia ser construído com os meios existentes, o que não poderia, e como a GM poderia começar a influenciar os seus fornecedores a criar os tipos de peças e componentes de que espera precisar dentro de alguns anos. Misturando design de alto nível, engenharia avançada e fabrico futurista, o trabalho conceptual que aqui acontece tem repercussões que vão além da GM e se estendem a toda a indústria automóvel. VELHA-GUARDA VS. NOVA-GUARDA No piso do Salão Automóvel de Detroit, em Janeiro, o concept Corvette cx estava estacionado num pequeno palco simples. No meio do ruído visual e sonoro do salão, o cx podia passar despercebido. Num passado não muito distante, um concept como este teria recebido tratamento de estrela, com uma revelação cintilante num grande palco. Hoje, o concept car é, no geral, um número secundário: oferece a alguns visitantes uma oportunidade rápida de foto e a outros um breve momento de surpresa antes de seguirem para ver os carros reais. Esse parece ser o verdadeiro propósito do salão automóvel actualmente , dar aos consumidores o equivalente a um centro automóvel. «os concept cars eram outrora parte de uma grande celebração colectiva, previsível e itinerante pelo mundo. Isso parece estar em declínio», diz Raphael Zammit, professor associado de design auto-móvel no College for Creative Studies, em Detroit, que anteriormente trabalhou em concepts e carros de produção para a Porsche, Hyundai, GM e outros. «Hoje são demasiado caros. O retorno do investimento torna-se uma incógnita.» A questão da relevância estava na mente de Simcoe quando desenvolveu a ideia para o projecto dos múltiplos concepts Corvette. Após 42 anos na GM, tinha visto o concept car evoluir e observado, nos últimos anos, como as vias tradicionais para apresentar novos concepts e ideias começaram a desintegrar se. «o entusiasmo vinha dos media tradicionais, e das pessoas que passavam a mensagem de boca em boca. Agora é instantâneo», diz. As redes sociais e a cobertura digital passaram para a linha da frente. «Infelizmente, isso não permite que tantas pessoas tenham uma interacção física. Mas provavelmente, no fim, é visto por mais pessoas.» A GM tem experimentado recolher feedback antes mesmo de considerar um modelo físico. Recentemente, a Buick desenvolveu um concept puramente digital, O Electra Orbit, publicando as imagens sobretudo na China, o mercado que a GM pretendia atingir. «Recebeu muita atenção internacional», diz Nesbitt. E isso é cada vez mais importante, já que a concorrência na indústria automóvel é muito mais diversificada do que na época áurea dos grandes fabricantes de Detroit. Os construtores chineses estão a crescer rapidamente, com marcas como a BYD e a Geely a usar apoio estatal para se expandirem. Isso coloca pressão sobre a velha guarda para se manter actual. Os MODELOS FísIcoS IMPORTAM Enquanto o mundo abraça o poder visual da Inteligência Artificial (IA) e atravessa um dilúvio de conteúdos medíocres gerados por IA, a perspectiva é que o argumento para construir fisicamente um concept car ainda é forte. os concepts Corvette de 2025 poderão funcionar como uma bandeira a marcar o caminho para novas ideias e para a materialização física. Para Nesbitt, que começou na indústria no início dos anos 1990 a desenhar à mão com canetas esferográficas em folhas tiradas da fotocopiadora do escritório, o concept car físico continua a ser uma ferramenta criativa poderosa. A caminhar por um dos longos corredores do novo edifício de design da GM, pára diante de um carro em exposição. ê um concept Cadillac de quatro lugares de 2024, acabado num inesperado amarelo pastel. O interior é realçado com madeira , outra escolha inesperada numa indústria profundamente apaixonada pelo cromado (Nesbitt diz que o interior invulgar acabou por transformar o carro à medida que era construído). Numa versão tardia do design, os designers quiseram dar aos restantes colaboradores e aos executivos da empresa uma melhor visão do interior único e do seu potencial para reconfigurar os carros do futuro, por isso cortaram o tejadilho. Para além do interior, todos ficaram encantados com a forma exterior agora descapotável. «Portanto, agora é um cabrio», diz Nesbitt. Este tipo de alterações não é impossível fazer num espaço puramente digital. «o ritmo da integração tecnológica está a aumentar. A capacidade de computação da IA está a crescer», diz Nesbitt. Mas os avanços tecnológicos não serão suficientes para orientar uma empresa como a GM através da actual era de mudanças drásticas que a indústria automóvel enfrenta. Os concept cars continuarão a oferecer guias tangíveis para a evolução da indústria. Nesbitt é apenas a oitava pessoa a liderar o design da GM ónos seus 118 anos de história, e não quer ser o último. O design conceptual, com as suas ferramentas e funções em transformação, continuará a fazer parte da definição do futuro dos produtos da GM, diz ele. São visões de carros, sim, mas argumenta que também são visões para onde toda a empresa seguirá a partir daqui. «ê preciso identificar o quê antes de identificar o como.» © VISão CARS COMO ? CX OFERECEM AOS DESIGNERS UMA CONCEPT ASPIRAçâO CONCRETA PARA AQUILO QUE ELES , E ? EMPRESA QUEREM QUE SEJA ? FUTURO DOS auTOMõVEIS OS CONCEPT CARS DEIXARAM DE SER APENAS ESPECTâCULO , TORNARAM-SE INSTRUMENTOS ESTRATéGICOS PARA ANTECIPAR O FUTURO DA INDUSTRIA AUTOMõVEL. GESTÃO COMO A GM ESTà A MOLDAR ? FUTURó DO DESIGN AUTOMóVEL, UM CORVETTE DE CADA VEZ «SE NàO CRIARMOS UM FAROL LIMITAMO-NOS ? ANDAR àS VOLTAS SEM RUMO.» Bryan Nesbitt, vice-presidente sénior de design global da GM ® MELHORAR CONCEPT CORVETTE TORNARAM-SE PARA ? EMPRESA, OS MARCOS RAROS E ESTRATéGICOS NUM NEGõCIO QUE GIRa SOBRETUDO EM TORNO DE MELHORIAS INCREMENTAIS ASSOCIADAS AOS CICLOS ANUAIS DE MODELOS O CX NãO é, DE FORMA ALGUMA, UMA ANTEVISaO DO C9, ? NONA GERAçaO DO CORVETTE, QUE SE DIZ PODER ESTREAR ? SEU PRIMEIRO MODELO EM 2029 NUM SECTOR EM TRANSFORMAçãO ACELERADA, ? GM USA O CORVETTE COMO LABORAToRIO PARA TESTAR O QUE VEM ? SEGUIR GESTÃO COMO A GM ESTã A MOLDAR ? FUTURo DO DESIGN AUTOMoVEL, UM CORVETTE DE CADA VEZ Os CONSTRUTORES CHINESES ESTáO ? CRESCER RAPIDAMENTE, COMMARCAS COMO ABYD E ? GEELY ? EXPANDIREM-SE. ISSO COLOCA PRESSáO SOBRE ? VELHA GUARDA Michael Simcoe, ex vice-presidente de Design Global da General Motors Nate Berg