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OPINIÃO - HÁ QUE CELEBRAR, MAS É PRECISO MAIS MÉDICOS DE FAMÍLIA E MAIS SAÚDE PARA TODOS

Região de Leiria

2026-05-21 21:09:25

Médico de família, Leiria Odia 19 de maio é o dia do Médico de Família, e há que o celebrar. Se é conhecido que Portugal tem um dos melhores serviços nacionais de saúde (SNS) do mundo, e que é verdade também que tem dos melhores profissionais de saúde, onde os médicos de família (MF) são bom exemplo disso, também é verdade que há muito por fazer, não fossem as mais de 83.000 pessoas na região de Leiria sem MF, ou seja, mais de 20%, bem acima dos 15% da média nacional. Esta realidade é problemática por vários motivos. Em termos simples, pessoas sem MF não têm o acompanhamento preventivo e terapêutico adequados e, perante essa carência, recorrem mais frequentemente ao serviço de urgência, sobrecarregando os serviços já há muito desajustados às necessidades sociodemográficas da região, em que uma população crescentemente idosa, com maior carga de doença e, por isso, mais complexa, tem uma maior necessidade de cuidados de saúde, urgentes e não urgentes. É um ciclo vicioso que se perpetua e que, todos os anos, empurra bons profissionais para o esgotamento, para a emigração ou para o privado, agravando ainda mais o problema. Todos perdemos: utentes e o SNS. À data que escrevo, foi aberto o concurso com 52 vagas para a colocação de MF na região de Leiria, a totalidade das carências identificadas. Se preenchidas, resolveriam um dos maiores problemas estruturais da região. Sim, um dos maiores e reais flagelos sociais. O esforço e o dinamismo da diretora clínica e da sua equipa são conhecidos, e esperemos que sejam bem sucedidos nesta árdua tarefa, nem que parcialmente. Contudo, não é compreensível, nem aceitável, que o SNS seja competitivo quando um MF, mesmo a trabalhar numa unidade de saúde familiar (USF), o modelo mais atrativo para jovens MF, recebe, por uma mesma “tarefa”, menos de metade do que no privado. E tudo isto enquanto embrenhado em listas de utentes sobrelotadas, perdido num sem fim de burocracias, num local de trabalho onde a revolução digital, apregoada ad nauseam, teima em não chegar (publicidade enganosa?). A integração de cuidados, que nos foi vendida e prometida pelo modelo Unidade Local de Saúde (ULS), não existe, e a falta de respostas de proximidade (nutrição, psicologia, estomatologia) é uma miragem, um desespero, especialmente perante utentes com carências económicas, onde o curto salário e a reforma anémica não chegam para tudo. Portanto, celebremos o dia do MF, que devia ser para todos, mas é preciso mais, bem mais, médicos de família e mais saúde para todos. “Não é compreensível, nem aceitável, que o SNS seja competitivo quando um médico de família (...) recebe, por uma mesma “tarefa”, menos de metade do que no privado”, escreve Rafael Henriques Rafael Henriques