XXX CONFERÊNCIA - CAMINHOS PARA UM PORTUGAL EXTRAORDINÁRIO
2026-05-21 21:09:24

Xxx CONFERéNCIA xecutive DIGEST CAMINHOS PORTTIGAL EXITRAORDINARIO) Foi este o tema da XXX Conferência Executive Digest, realizada a 15 de Abril na Culturgest, em Lisboa. Fique a conhecer, ou recorde, os assuntos mais importantes debatidos durante um evento que reuniu importantes nomes dos sectores académico, empresarial e público Xxx CONFERéNCIA FOTOS: Nuno Carrancho XXX CONFERÉNCIA CAMINHOS PARA UM PORTUGAL EXTRAORDINÁRIO ACulturgest abriu as suas portas para a XXX Conferência Executive Digest, um evento de referência que juntou, em palco e fora dele, presidentes, CEO, gestores e líderes de prestígio do tecido empresarial, académico e público, sob o tema “Caminhos para um Portugal Extraordinário”. O sucesso de mais um encontro da Executive Digest ficou espelhado ónos números do evento, com mais de 140 convidados a encherem um dos auditórios da Culturgest e mais de 55.000 pessoas a assistir via streaming. Durante o evento explorou-se de que forma é que, efectivamente, poderemos transformar Portugal num país extraordinário e quais os caminhos que temos de percorrer para alcançar esse objectivo. Ao longo das várias apresentações e mesas-debate dessa manhã destacou-se a necessidade de reforçar a ambição nacional, acelerar a execução das políticas públicas, reduzir a burocracia e apostar na inovação, no talento e na escala das empresas. Entre os temas centrais estiveram a competitividade da economia portuguesa, a transição digital e energética, o papel do Estado na criação de condições para o investimento e a importância de uma maior cooperação entre Estado, empresas e cidadãos para transformar o potencial do país em resultados concretos. «TEMOS DE DEIXAR DE PENSAR PEQUENINO» Ricardo Florêncio CEO do Multipublicações Media Group AXxx Conferência Executive Digest, sob o tema “Caminhos para um Portugal Extraordinário”, decorreu na Culturgest, em Lisboa, e a abertura do evento esteve a cargo de Ricardo Florêncio, CEO do Multipublicações Media Group. Na sua intervenção inicial, referiu que «temos de deixar de pensar que somos pequeninos« se quisermos um crescimento sustentável (e sustentado) da economia nacional, impulsionado pelo dinamismo do trabalho e pelo crescente sucesso das empresas portuguesas. Após o agradecimento aos patrocinadores, parceiros, oradores e convidados, O CEO do Grupo recordou que a Conferência arrancava com a pergunta que tinha encerrado a XXIX Conferência Executive Digest: “Somos bons, por que não extraordinários?”. «Temos todas as características para nos tornarmos extraordinários, porque não somos?», questionou o líder do Multipublicações Media Group, referindo que O País dá cartas em diversos sectores e áreas como a inovação, as energias renováveis, a tecnologia, o turismo e o mar. «Começamos pelo princípio: nos portugueses. Talvez nos falte mais ambição, a capacidade de arriscar, de deixar de pensar que somos pequeninos e de abandonar este pensamento pequeno; talvez Onos falte perder o receio de celebrar o sucesso», sublinhou Ricardo Florêncio. Acres-centou ainda que «talvez seja uma questão de cultura e de um pouco de tudo», mas que o paradigma tem de mudar perante a pressão internacional para «mais exigência e maior eficácia», no caminho do crescimento económico. Deu como exemplo a actuação do Estado, sublinhando que «as organizações devem estabelecer regras», mas que os organismos governamentais «não podem ser um entrave, mas sim um impulsionador». Assinalando a burocracia como um dos principais obstáculos às empresas e à economia, alertou que a demora e os prazos podem conduzir ao desinteresse e à perda de investimento. Por isso, defendeu que a tecnologia, a desburocratização e a digitalização são medidas essenciais para o avanço do País e para ultrapassar os bloqueios ao crescimento. Mas «todo o ónus não está no Estado». Ricardo Florêncio apelou às empresas, defendendo que «têm de mudar, inovar, criar, rever processos e métodos; têm de crescer e tornar-se grandes empresas, exportar e internacionalizarse». «o tecido empresarial não pode assentar numa esmagadora maioria de pequenas, micro e nanoempresas», destacou O CEO do Multipublicações Media Group, lembrando que Portugal ultrapassa, em área e população, países europeus como a Dinamarca, a Irlanda ou OS Países Baixos, razão pela qual considera que as condições de base para um caminho extraordinário já estão instaladas. O que falta? «Para além do Estado e das empresas, os cidadãos também têm um papel a desempenhar», resumiu Ricardo Florêncio, antes de passar a palavra aos intervenientes que iriam apresentar (e percorrer) os caminhos capazes de conduzir a um Portugal verdadeiramente extraordinário. «TEMOS SOLUçõES, FALTAEXECUCãO» Paulo Moita de Macedo Presidente da Comissão Executiva e vice-presidente do Conselho de Administração da CGD 0 presidente da Comissão Executiva (CEO) e vice-presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Moita de Macedo, defendeu, na xxx Conferência Executive Digest, que o maior desafio da eco-nomia portuguesa não reside na falta de soluções, mas sim na sua concretização. «Andamos sempre à procura da resposta do milhão de dólares, mas vejo muitas soluções , o que falta mesmo é capacidade de execução», afirmou o responsável, sublinhando que a dificuldade em transformar estratégias em resul-tados concretos continua a ser um dos principais entraves ao desenvolvimento. Na sua intervenção, que iniciou com uma análise ao contexto macroeconómico global, Paulo Moita de Macedo destacou a mudança de paradigma trazida pelos Estados Unidos da América, apontando a liderança política como cada vez mais próxima de uma lógica empresarial. Referindo-se a Donald Trump como um “CEO", salientou o papel das grandes empresas norte-americanas nomeadamente ónos sectores da energia e defesa , na condução da economia, bem como o recurso a tarifas comerciais como instrumento para financiar o défice, com impactos directos nas economias europeias, incluindo Portugal. Ainda no plano internacional, chamou a atenção para a ausência de uma relação clara entre taxas de juro e investimento. «Quando as taxas estiveram em níveis historicamente baixos, o investimento não disparou; e mesmo com taxas mais elevadas, manteve-se débil», notou, defendendo que, perante factores externos incontroláveis, o foco deve estar nas variáveis que o país consegue influenciar. Os BLOQUEIOS INTERNOS PARA UM país EXTRAORDINãRIO Olhando para os constrangimentos internos, o CEO da CGD identificou diversas áreas críticas. Apesar dos progressos registados, o défice demográfico continua a ser um desafio estrutural, apenas mitigável através da imigração. O aumento da esperança média de vida traz também novas exigências às empresas e ao Estado, desde logo na forma como se aproveita o conhecimento acumulado das gerações mais velhas e na adaptação da oferta de produtos a uma população mais envelhecida e com maior concentração de património. Para Paulo Moita de Macedo, a burocracia surge, segundo vários estudos citados, como o principal factor penalizador para as empresas e a carga regulatória deverá, aliás, manter-se como o maior risco para a competitividade europeia ónos próximos anos. A este cenário soma--se a baixa confiança dos cidadãos nas instituições públicas, com uma procura crescente por mecanismos de controlo da corrupção e maior eficácia regulatória. Num contraste que considera significativo, o gestor apontou que Portugal apresenta bons resultados em indicadores “soft”, como qualidade de vida, inclusão e reputação, mas revela fragilidades nas áreas que exigem maior investimento público e privado. INOVAçãO, INVESTIMENTO E NOVãS OPORTUNIDADES No plano económico, destacou sinais positivos na inovação, nomeadamente no crescimento das exportações de serviços, tecnologias de informação e consultoria. Ainda assim, sublinhou a necessidade de maior escala e investimento para reforçar a competitividade. Entre as áreas com maior potencial de crescimento, referiu o comércio electrónico, a cloud, cibersegurança, software e baterias. Quanto à Inteligência Artificial (IA), revelou que a Caixa Geral de Depósitos já a utiliza de forma transversal, com especial destaque para a aceleração na produção de código. No entanto, criticou a dificuldade das empresas portuguesas em realocar recursos, optando frequentemente por adicionar novos meios em vez de os redistribuir de forma estratégica, uma limitação que considera transversal à economia. Apesar do contexto de incerteza global, marcado por tensões geopolíticas e elevada carga fiscal, Paulo Moita de Macedo destacou um aparente paradoxo: «As coisas não estão boas, mas a generalidade das empresas apresenta resultados positivos e mantém-se optimista.» Como exemplo do dinamismo empresarial, referiu que, em 2025, a Caixa Geral de Depósitos concedeu seis mil milhões de euros em novo financiamento a empresas, acima da média do mercado. CONTAS PúBLICAS ESTãVEIS, MAS DESAFIOS ÑA GOVERNANCE Na vertente das finanças públicas, o CEO da CGD mostrou-se confiante, afastando cenários de descontrolo da dívida e sublinhando que Portugal apresenta um desempenho comparativamente sólido face à zona euro. Já ao nível da governance, defendeu uma maior exigência nos conselhos de administração. «Não basta ter pessoas simpáticas nos boards; é preciso que acrescentem valor», afirmou, apelando a uma maior intervenção e responsabilidade dos órgãos de gestão. A concluir, Paulo Moita de Macedo reforçou a ideia central da sua intervenção: o país conhece muitos dos caminhos a seguir, mas continua a falhar na sua execução. «Temos de delinear soluções, mas, sobretudo, perceber como as executamos», concluiu. MESA-DEBATE COMO EQUILIBRAR INCENTIVOS (OU DESINCENTIVOS) NAS EMPRESAS? Ana Trigo Morais Sociedade Ponto Verde António Casanova Unilever Fima Vasco Antunes Pereira Lusíadas Saúde Na primeira mesa-debate da XXX Conferência Executive Digest, “Caminhos para um Portugal Extraordinário”, sob o mote “Incentivos ou Desincentivos , Como acertar o passo”, ficou patente que «falta definir a posição do Estado», para que este nem burocratize demasiado, nem se intrometa em excesso nas actividades das empresas, segundo referiram três CEO: Ana Trigo Morais, CEO e administradora-delegada da sociedade Ponto Verde; António Casanova, CEO da Unilever Fima; e Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde. Ana Trigo Morais começou por destacar que «há muito tempo discutimos como melhorar, ser extraordinários, e andamos há muitos anos com problemas que são verdadeiros bottlenecks. O que me parece é que somos extraordinariamente resilientes: ao mesmo tempo que não resolvemos problemas, continuamos a aguentar e a fazer com que o País tenha alguns desempenhos positivos», motivando alguns risos na audiência. Mas rapidamente deixou um sério alerta: «No sector dos resíduos e das políticas ambientais, estamos actualmente num momento em que o sistema de re-ciclagem se prepara para entrar em colapso por um conjunto de razões. Há muitos anos que sabemos o que é preciso implementar para termos um sistema eficiente de economia circular, mas andamos a adiar essas decisões até que estamos a chegar ao colapso», avisou, exemplificando com o aterro em Coimbra. «Para sermos extraordinários, gostava de ver maior confiança no sector privado», disse ainda a responsável da Socie-dade Ponto Verde, que identificou também um caminho claro para o país: «o que falta é coragem! Falta coragem aos políticos para tomarem decisões. Tem existido uma extraordinária falta de coragem para olhar e dizer que temos um problema para resolver. A última vez que houve coragem nas questões ambientais foi na decisão de acabar com as lixeiras a céu aberto. De resto, têm sido apenas pequenas medidas que tratamos como trans-formadoras , mas não são. Temos de deixar de atirar dinheiro para os problemas e esperar que se resolvam sozinhos», afirmou, agitando a sala. Por sua vez, Vasco Antunes Pereira, começou por referir que, no sector da saúde, «temos assistido a um crescimento do sector privado, que tem preenchido uma lacuna. Não é um sector que estimule a procura; responde, sim, a uma procura insatisfeita.» O gestor sustentou que, no sector da saúde (não apenas no privado), «a sustentabilidade está na intersecção entre valor social e sustentabilidade económica». Os maiores problemas são «a escas-sez de recursos humanos» e uma dessincronização entre os sistemas de saúde e a actual realidade da esperança média de vida. Por isso, defendeu que «é urgente, para garantir a curto e médio prazo a sustentabilidade, implementar medidas objectivas de maximização dos recursos existentes, em vez de proliferar investimentos desnecessários ou alternativos». «Consideramos que é necessário menor dogmatismo na saúde, mas também maior exigência sobre os recursos, e um Estado com papel de regulador e fiscalizador, mas sem criar burocracia desnecessária”, indicou O CEO da Lusíadas Saúde. «Não queremos menos Estado, queremos melhor Estado. Entendo a necessidade de regulação e fiscalização; só não entendo a forma como se faz», continuou, referindo exemplos como a certificação de aparelhos de raiosX, com processos pendentes primeiro na APA, depois na ERS = desde as décadas de 80 e 90. Numa perspectiva complementar, António Casanova, referiu o exemplo da Casa Gallo: «Somos duas das três ou quatro melhores empresas do mundo nessa área. Não há empresas muito mais rentáveis do que as nossas. Estamos no top mundial, e isso resulta de circunstâncias felizes, eventualmente devido ao Alqueva, que possibilitou grande produção de azeite.» Incentivos do Estado? «os incentivos podiam ajudar mais, mas sobretudo ôno sentido de não criar mais entraves.» «Em Portugal não temos rastreabilidade porque há 20 anos que O Estado não regula o sector neste aspecto dos dados de produção. Estamos há 20 anos à espera , uma coisa banal que não é feita. Assim, não temos rastreabilidade montada e temos de ter mais um processo administrativo, mais demorado, que aumenta em três semanas a importação», lamentou. Mas o caminho não é simples. «o Estado não precisa de ajudar; precisa de sair quando está a dificultar. Os perus não são a favor do Natal... esperar que o Estado se desmantele não vai acontecer. Todos os anos, o nível de complexidade cresce», concluiu António Casanova. «UMA DOLiTIGA ENERGÉTICA EXTRAORDINáRIA NáO SEFAZ APENAS DE ELECTRôES, MAS TAMBÉM DE MOLéCULáS» Maria João Carioca Co-CEO da Galp Na XXX Conferência Executive Digest, Maria João Carioca, co-CEO da Galp, deixou um apelo claro: Portugal tem condições para afirmar uma política energética de excelência, mas precisa de passar da ambição à execução, e com maior consistência estratégica. O país enfrenta o desafio de transformar visão em acção. «Muito tem sido feito», reconheceu, apontando, no entanto, a necessidade de uma orientação mais clara e consistente quanto aos objectivos finais da política energética nacional. No centro da sua intervenção esteve o chamado trilema energético , o equilíbrio entre segurança de abastecimento, sustentabilidade ambiental e acessibilidade económica. Para Maria João Carioca, este equilíbrio é essencial para garantir um caminho sólido e competitivo, sobretudo num país com recursos limitados. «Portugal tem de maximizar a produtividade dos recursos que tem, sob pena de continuar a enfrentar constrangimen-tos de capital e dificuldades em atrair investimento», alertou, sublinhando que este é um desafio profundamente estratégico para o futuro do país.. Apesar de destacar o desempenho de Portugal na produção de electricidade a partir de fontes renováveis , onde o país surge frequentemente bem posicionado em rankings internacionais =, a gestora lembrou que esta representa apenas cerca de 25% do consumo energético total. Sectores como os transportes e a indústria continuam fortemente dependentes de outras fontes, o que exige uma abordagem mais ampla. «Uma política energética extraordinária não se faz só de electrões, mas também de moléculas?, afirmou, defendendo a necessidade de desenvolver alternativas aos combustíveis fósseis que garantam maior autonomia ao país. Nesse contexto, apontou o investimento da Galp em Sines como exemplo dessa estratégia, com cerca de 1,3 mil milhões de euros aplicados desde 2020 em soluções ligadas a combustíveis de origem biológica. Maria João Carioca destacou a importância de criar condições atractivas para o investimento, sublinhando que Portugal pode afirmar-se como um destino competitivo na produção de “moléculas verdes”, combinando soberania energética, sustentabilidade e viabilidade económica. No entanto, deixou críticas ao enquadramento regulatório. Considera que o excesso de processos de licenciamento e a multiplicidade de entidades envolvidas representam uma «atrofia» para o sector energético, travando projectos e investimento. Por fim, defendeu uma visão à escala ibérica, comparando Portugal com Espanha no que diz respeito aos apoios ao sector. «os rácios são de nove para 150», disse, concluindo que, nestas condições, o investimento tende naturalmente a deslocar-se para o outro lado da fronteira. A mensagem final foi clara: Portugal tem potencial para liderar na energia, mas só o conseguirá com execução, escala e um enquadramento mais favorável ao investimento. MESA-DEBATE SIMPLIFICAçãO OU DIGITALIZAçãO PRIMEIRO? Luísa Pestana Vodafone Manuel Dias CTO do Estado Mário Sousa CTT Asegunda mesa-debate da xxx Conferência Executive Digest, sob o tema “Simplificação e Digitalização os seus efeitos na produtividade e crescimento”, discutiu qual das acções deve vir primeiro: simplificar ou digitalizar? Ou ambas? Manuel Dias, CTO do Estado e presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE); Mário Sousa, director de B2B dos CTT; e Luísa Pestana, administradora da Vodafone, apontaram caminhos para garantir que ônos tornamos extraordinários por esta via. Luísa Pestana indicou que «na Vodafone temos esta visão de começar por simplificar os processos, de forma mais ou menos radical, mais ou menos complexa». «e fácil simplificar um processo, é difícil fazer uma simplificação radical. Quando há um legacy muito grande, há que harmonizar processos para ter impacto ôno cliente, o que não é assim tão simples, perante o contexto tecnológico e de dados que temos visto nos últimos cinco anos. Mas é o caminho , a simplificação “by design”, por desígnio, para que a experiência do cliente seja extraordinária», começou por explicar. E a cibersegurança na era da Inteligência Artificial (IA) vem colocar desafios ou oportunidades? «o tema ganha uma importância enorme neste contexto de mudança. Há cinco ou seis anos estava centrada em ataques de agentes externos, hoje temos esses agentes com IA, mais rápidos nas actividades e, por outro lado, temos os colaboradores a usar plataformas e ferramentas de IA não certificadas, as chamadas “shadow AI”, e as implementações que se fazem podem ter vulnerabilidades.» Assim, para a administradora da vodafone, «já não temos de olhar só para fora, mas também para dentro». «Acelerar a velocidade é ter mais camadas de controlo, mas o que faz mais sentido é ter toda a infra-estrutura e arquitectura de sistemas desenhada para que os controlos sejam feitos por desígnio. Outra questão é a responsabilização de quem desenha o uso destes sistemas e as competências que as pessoas têm de ter», continuou, num aspecto que foi transversal a todos os participantes no debate. Manuel Dias deu o exemplo da Carteira Digital de Empresa. «Somos muito bons em diagnósticos ao Estado, mas é nas soluções e execução que falhamos. Passar à acção é o grande desafio para o Estado e para as empresas. Temos de nos focar nas acções concretas. A Carteira é uma iniciativa da ARTE e fomos pioneiros na Europa! Permite agilizar a interacção morosa com o Estado, em múltiplas acções e processos repetitivos. São as PME OS principais alvos. Mas é importante olhar para o impacto das acções. O que fazemos deve ser orientado a metas de impacto. Há 10 mil a usar activamente a carteira, mas deviam ser 50 mil. Temos de promover e adoptar o que fazemos bem. Mas esse é o grande desafio», sustentou, indicando que também existe trabalho de literacia digital a fazer. O presidente da ARTE referiu ainda que falta perceber como usar a IA. «Usamos muito pouco e leva-nos ao tema das competências. O potencial não está minimamente concretizado.» Mário Sousa também concordou que há que começar pela simplificação e só depois dar o passo seguinte. «o que temos procurado fazer é ajudar a tornar os processos mais simples e mais ágeis. Nos CTT tivemos um processo enorme em que tirámos experiência, mas quisemos aplicá-lo numa empresa especializada do grupo para digitalização, e quisemos tornar isto acessível a várias empresas.com vários casos, tentamos democratizar abordagens e ajudar empresas a fazê-lo. Não é ciência espacial, mas é acessível a todos, até às PME. Para digitalizar processos bem desenhados, temos de começar por simplificar e só depois avançar para a digitalização, alavancada pela IA, mas com foco sempre na execução.» O responsável alertou também que «não podemos querer fazer tudo sozinhos nas empresas». «Temos de criar pontes entre os sectores privado e público para ajudar neste processo. Há um papel importante do Estado no apoio às PME que, sozinhas, têm dificuldades em encetar planos de transformação , e O Estado pode ser o catalisador necessário.» «(PORQUE PORTUGAL ATRAT2») Rui Malcata Director da Steelcase 0 que leva as empresas internacionais a escolher e manter investimento em Portugal? Esta foi uma das questões colocadas por Rui Malcata, director da Steelcase, na sua intervenção “o que atrai Portugal?”, na xxx Conferência Executive Digest. O responsável da Steelcase começou por sublinhar que, quando se pergunta o que torna o país atractivo, surgem respostas imediatas como o clima, a gastronomia e as pessoas. Ainda assim, defendeu que, no caso da empresa, a decisão de investimento vai além desses factores. Fundada em 1912 nos Estados Unidos da América, a Steelcase evoluiu de uma empresa focada na resolução de problemas básicos em ambientes de escritório , como o desenvolvimento do cesto de papéis metálico , para um dos principais players globais em mobiliário e soluções para espaços de trabalho, combinando design, ergonomia e investigação sobre comportamento organizacional. A entrada na Europa foi feita através de aquisições industriais, num sector que, apesar de não apresentar crescimento expressivo a nível global, é visto pela empresa numa perspectiva mais ampla. O responsável destacou que a transformação dos espaços de trabalho tem impacto directo em organizações de serviços, que representam cerca de 60% da economia portuguesa. No caso de Portugal, Rui Malcata sublinhou ainda o investimento crescente na área da educação (que em 2024 representou cerca de 10% da aposta global da empresa), com o objectivo de preparar melhor os estudantes para o mercado de trabalho. Durante a sua intervenção na xxx Conferência Executive Digest, identificou como factores-chave de atracção empresarial a eficiência, a redução de risco, a inovação e a capacidade de atrair e reter talento. «Na realidade, temos todas as condições para sermos extraordinários; temos, possivelmente, um problema cultural e comportamental», afirmou. Quanto à competitividade face aos produtores nacionais, muitos deles fortemente exportadores, o responsável indicou a evolução do sector após a crise financeira, marcada pela pressão para reduzir custos e simplificar produtos, o que terá contribuído para uma perda de valor na indústria. Em contrapartida, a Steelcase tem apostado numa estratégia de criação de valor, centrada na integração de produtos e serviços. «Focamonos em trabalhar com as organizações que procuram que os seus espaços de trabalho estejam alinhados com os seus objectivos estratégicos de negócio», referiu. Para Rui Malcata, a permanência e aposta da empresa em Portugal explica,se sobretudo por um factor central: o capital humano. «o que atraiu a Steelcase para Portugal foi o valor das pessoas ede quem nelas acredita e investe. Acreditamos que há valor no mercado e nas empresas portuguesas, sobretudo naquelas que apostam nas pessoas», concluiu. MESA-DEBATE QUAL 0 PAPEL DA I&D NO CAMINHO PARA SERMOS EXTRAORDINARIOS? Bruno Gonçalves Eurodeputado José Vale IAPMEI Marcelo Nico Tabaqueira Como articular a Inovação e o Desenvolvimento (I&D) com as transformações em cada mercado, sector, país ou realidade num contexto global, tendo em conta a regulamentação europeia e a competição de várias potências mundiais, garantindo que o talento nacional é valorizado, foi o grande tema em discussão na terceira mesa-debate da xxx Conferência Executive Digest, “Caminhos para um Portugal Extraordinário”. Subordinada ao tema “Portugal 2035: Inovação, Resiliência e Liderança num mundo em mudança”, a discussão contou com a participação do eurodeputado Bruno Gonçalves; José Vale, director de Empreendedorismo e Inovação do IAPMEI; e Marcelo Nico, director-geral da Tabaqueira. Marcelo Nico começou por referir que «a inovação e a tecnologia são fundamentais para a empresa continuar a operar». «A Tabaqueira tem 99 anos; se não fosse a inovação e a tecnologia, seria inviável ter a empresa em operação, sendo, hoje em dia, o sétimo maior exportador português. E boa parte disso é fruto da tecnologia e da inovação. O talento que continuamos a ter em Portugal também é um aspecto importante e a ligação com a academia é essencial neste aspecto, para desenvolver e crescer; é assim que se garante milhões de euros em exportações. Se não há investimento, outras fábricas ou outras geografias vão “roubar” o nosso mercado. Sem inovação e tecnologia é impossível competir hoje», referiu o responsável máximo da Tabaqueira. Para além disso, o gestor referiu algumas barreiras que a regulamentação representa, já que «a indústria evolui mais rápido». Assim, «a única maneira de encontrar sinergias é õno diálogo» entre Estado e empresas, «porque é assim que se criam regulamentações para acelerar o desenvolvimento no caminho que queremos. Se assim não fosse, seria impossível avançar». José Vale pegou na mesma questão do talento para referir que o instituto identificou e analisou este aspecto logo nas primeiras edições da Web Summit. «é reconhecido internacionalmente, mas não chega. é preciso produzir mais e, como reter é mais complexo, conseguimos criar mecanismos no IAPMEI que atraem talento. São dois vistos especiais dirigidos a pessoas altamente qualifica-das, para empreendedorismo, e o Tech Visa, para empresas», explicou. «Desde 2018 conseguimos atrair 10 mil pessoas. é preciso interpretar o que a I&D é capaz de fazer em ambiente empresarial e vimos de um passado em que a investigação e desenvolvimento tinha de ter aplicação em valor económico. Isto está a permitir que se desenhem condições para atingir 3% do PIB em I&D. é essencial para o tecido empresarial e não tem de passar por laboratório; pode ser a partilha de realidade já existente», afirmou o responsável. Por outro lado, o eurodeputado Bruno Gonçalves destacou que «Portugal fez um caminho extraordinário para alcançar um nível europeu ordinário, mas com resultados muito positivos em algumas áreas, e as últimas décadas foram únicas. A diferença mais evidente é o gap geracional, no talento e na formação, e na forma como a geração dos meus avós e a minha olha para o mundo. é mau? Eu acho que é bom, se for bem aproveitado». O socialista assinalou a importância de uma política comercial bem definida na União Europeia, que «significa que podemos usar o poder dos 27 de forma mais ágil», e revelou que a «Europa é sempre, nos momentos de grande oportunidade, quem mais se supera», tendo,se revelado ainda mais resiliente no último ano. «A Europa assinou mais acordos comerciais este ano do que ónos últimos 25, mesmo com as sanções do parceiro Estados Unidos da América (EUA)», sublinhou Bruno Gonçalves. O eurodeputado defendeu que o «Estado tem de ser mais ágil, capaz e menos burocratizado, e a digitalização é uma grande oportunidade para as pessoas e empresas. Se as PME não estiverem a par das revoluções, ficamos para trás. o modelo europeu é importante nas revisões de como O Estado pode investir publicamente, como catalisador. Mas Portugal é muito minifundiário; há uma dificuldade na acção, no imediatismo, porque estamos pouco preparados para errar». Mas, afirmou, «o diferencial está aqui, em comparação com OS EUA. O problema não é o dinheiro, o problema é a adaptação, a estabilidade e a resis-tência ao risco, e é aqui que falhamos». Referiu ainda que as «empresas europeias olham para a regulação e pensam “o que posso fazer?”; ónos EUA é ao contrário, pensam “o que é que não posso fazer?”. O contrário do que a inovação deve ser; deve ser disruptiva», resumiu. «Precisamos de empresas que se ajustem ao mercado e precisamos de apoios claros, para garantir que o Estado apoia a inovação e o risco, como nos EUA ou na China. PORTUGAL PRECISA DE (AMBICAO COLECTIVA» PARA COMPETIR GLOBALMENTE Pedro Brito Associate Dean e CEO da Nova SBE Executive Education NO encerramento da XXX Conferência Executive Digest, Pedro Brito, Associate Dean e CEO da Nova SBE Executive Education, deixou um diagnóstico crítico sobre a economia portuguesa e a forma como empresas, instituições e sociedade encaram o crescimento, defendendo que falta ao país uma verdadeira «ambição colectiva». Sob o tema “Do potencial à escala: quando a ambição se torna colectiva”, Pedro Brito defendeu que Portugal continua a pensar em pequeno, o que limita o seu desempenho económico e a capacidade de competir internacionalmente. «Portugal tem um nível de ambição relativamente reduzido, sobretudo porque muitos de nós pensam sempre em pequenino; o benchmark é sempre o bairro, não o que podemos ser em pleno potencial», afirmou. Apesar disso, o CEO da Nova SBE Executive Education sublinhou que o país reúne condições estruturais relevantes, como segurança, estabilidade, infra-estruturas de classe mundial, posição geoestratégica, tecnologia, conectividade e sustentabilidade. Ainda assim, conside-ra que esses factores não estão a ser plenamente aproveitados. PME, FALTA DE ESCALA E «TECTO INVISiVEL» Um dos principais pontos da apresentação centrou-se na estrutura empresarial nacional, dominada por PME , muitas delas microempresas. Para Pedro Brito, esta realidade impede a criação de escala e limita a competitividade global. «Em Portugal, 99% SáO PME, mas 95% são microempresas, o que faz com que não tenhamos escala para competir no mercado global», referiu ainda, acrescentando que predomina uma lógica de crescimento incremental, e não de ambição transformacional. O responsável alertou ainda para a dificuldade de cooperação entre empresas: «Não nos unimos para criar escala e ir para mercados onde nunca iríamos sozinhos. Temos pouca ambição colectiva.» Para Pedro Brito, existe também um «tecto invisível» que vai além das justificações habituais relacionadas com fiscalidade ou legislação laboral: «Há um medo de perder o que já foi alcançado, que coloca muitas organizações em modo de sobrevivência.» ESTRUTURá ECONoMICA E PRODUCTIVIDADE Pedro Brito recordou que, nas últimas quatro décadas, a entrada de fundos europeus terá sido acompanhada por opções económicas que privilegiaram sectores não transaccionáveis, como turismo e serviços, em detrimento de áreas de maior valor acrescentado. Essa opção, defendeu ainda, teve impacto directo nos níveis de produtividade e competitividade de Portugal, reflectidos em rankings internacionais como O IMD. «os nossos empresários não têm boas práticas de gestão, têm pouca literacia financeira, não compreendem como podem ser mais produtivos , e, ono final do dia, ficamos surpreendidos com o facto de os salários em Portugal serem tão baiXos», afirmou. O responsável da Nova SBE destacou também o desafio da retenção de talento jovem, sublinhando que os profissionais procuram essencialmente três factores: «carreiras rápidas, recompensa adequada e projectos interessantes.» COMO PROMOVER ? AMBIçáO COLECTIVA Pedro Brito deixou ainda um conjunto de propostas dirigidas a diferentes agentes da sociedade. Para os indivíduos, defendeu a necessidade de sair da zona de conforto e «fazer algo novo todos os dias». Nas famílias, defendeu uma educação mais orientada para a ambição, curiosidade e pensamento crítico, substituindo expressões limitadoras por estímulos ao desenvolvimento. Nas empresas, defendeu metas mais ambiciosas, maior tolerância ao risco e modelos de incentivo que recompensem a inovação, bem como uma liderança pelo exemplo. Já no caso das PME, apelou ao abandono de uma lógica de sobrevivência em favor da escala, com maior profissionalização da gestão e cooperação empresarial. Defendeu igualmente uma maior aposta na digitalização, internacionalização e partilha de recursos entre empresas. Ao nível do Estado, defendeu a redução da burocracia , apontando os «847 dias» que, segundo referiu, Portugal pode demorar a resolver litígios administrativos , e políticas que incentivem a cooperação, a internacionalização e o crescimento empresarial. Por fim, no sistema educativo, defendeu maior internacionalização, contacto com realidades externas e mecanismos de mentoria que aproximem estudantes e executivos. «Temos de deixar de pensar apenas no que é possível hoje e começar a pensar no que pode ser criado em conjunto», resumiu Pedro Brito. XXX CONFERÊNCIA EXECUTIVE DIGEST TESTEMUNHOS Paulo Moita de Macedo Presidente da Comissão Executiva e vice-presidente do Conselho de Administração da CGD «Foi com muito gosto que participei na 30.2 Conferência da Executive Digest. Na minha intervenção procurei mostrar que os diagnósticos sobre os problemas estruturais da economia portuguesa estão maioritariamente feitos e que as soluções são conhecidas embora, como desejavelmente, não unânimes , o desafio reside hoje na capacidade de escolher e executar. Portugal e a Europa enfrentam um contexto particularmente exigente, mar-cado por tensões geopolíticas, pressões inflaccionistas tendencialmente mais estruturais, novas políticas comerciais, preços com tarifas e aumento de custos de cadeias de abastecimento nearshoring ou friendshoring e uma transformação tecnológica acelerada, em especial através da inteligência artificial. Este enquadramento aumenta a incerteza, o facto de estarmos numa nova era e não apenas numa disrupção mais acentuada, mas também torna mais visível a diferença entre quem consegue antecipar , através de uma gestão dinâmica, elaboração de cenários diversos, e planos de mitigação de riscos , decidir e agir e quem permanece bloqueado na inércia, à espera de estabilidade ou do voltar ao status quo de 2024. Na Europa, o discurso sobre simplificação contrasta com uma realidade de crescente burocracia e complexidade regulatória, que penaliza a competitividade, atrasa o investimento e compromete a capacidade de resposta. Diagnósticos sólidos existem, mas continuam demasiadas vezes a falhar os mecanismos de implementação, designadamente de follow-up, responsabilização e incentivo. Um Portugal Extraordinário exige uma aposta firme na confiança, nas instituições públicas e privadas, na sua governance e transparência, no conhecimento produzido pelos think-tanks, universidades e observatórios, e não espera apenas pelos também necessários ajustes legislativos como forma de reforçar, de forma efectiva, a competitividade do país. Num contexto de forte pressão demográfica, marcado pela redução da população activa e pelo envelhecimento da sociedade, um Portugal Extraordinário passa por aprofundar ainda mais a cooperação com os países da CPLP, reconhecendo em ãfrica o único motor de renovação demográfica global a prazo. Passa também pela capacidade de valorização de uma população cada vez mais longeva, qualificada e experiente, transformando essa realidade numa vantagem económica e social para o futuro do país. E num Portugal Extraordinário, a estrutura empresarial evolui para um tecido composto por mais empresas de maior dimensão, com escala e capacidade efectiva de competir internacio-nalmente. Um país que cria condições para a atracção de capital e de talento, e que assume, com pragmatismo, a reorientação de recursos abandonando projectos e empresas menos produtivos em favor daqueles que geram maior valor económico e impacto sustentável.» António Casanova CEO da Unilever Fima «A XXX Conferência Executive Digest foi um excelente fórum para reflectir sobre como criar condições favoráveis ao investimento, impulsionar o crescimento com escala e reforçar a competitividade económica de Portugal a nível global. O debate sobre incentivos e desincentivos ao investimento destacou pontos de melhoria, nomeadamente na simplificação de processos e na articulação entre entidades. Avanços nestas áreas podem acelerar investimentos, apoiar a internacionalização das empresas e colocar Portugal numa posição mais competitiva face aos restantes concorrentes europeus. Saiu reforçada a ideia de que a ambição tem de ser colectiva: empresas mais focadas em crescer e em ganhar escala, maior cooperação entre organizações e um enquadramento que favoreça decisões rápidas e eficazes. Encontros como este ajudam a promover o diálogo e a encontrar soluções para um crescimento sustentável.» Vasco Antunes Pereira CEO da Lusíadas Saúde «A 30.4 Conferência da Executive Digest voltou a reunir líderes de diferentes setores para uma reflexão relevante sobre os caminhos necessários para construir um Portugal mais competitivo, mais ágil e mais preparado para o futuro. No painel “Incentivos e Desincentivos: como acertar o passo?”, em que participei ao lado de Ana Trigo Morais e António Casanova, numa conversa moderada por Ricardo Florêncio, ficou evidente que, apesar de representarmos sectores distintos, partilhamos uma visão comum: Portugal tem talento, capacidade de investimento e visão estratégica, mas continua a enfrentar dificuldades em transformar esse potencial em execução concreta. Cada um dos participantes trouxe exemplos muito concretos dos desafios que enfrenta nos seus sectores, da saúde à indústria, passando pela sustentabilidade, mas todos convergiram numa ideia central: Portugal precisa de criar condições para transformar ambição em concretização. No fundo, há um “teste do algodão” muito simples: quando uma boa ideia, um investimento relevante ou um projecto com impacto positivo demora excessivamente a sair do papel, então o sistema não está a funcionar à velocidade de que o país precisa. Na saúde, este desafio assume particular relevância. Num contexto de envelhecimento demográfico, maior pressão sobre o sistema e necessidade crescente de resposta, o investimento privado pode desempenhar um papel importante no reforço da capacidade instalada, na inovação e na melhoria do acesso aos cuidados. Para acompanhar as necessidades do país, é fundamental remover entraves e tornar os processos mais simples e eficientes. Se queremos um Portugal mais competitivo, mais atractivo e mais preparado para o futuro, simplificar deixou de ser apenas um tema administrativo, passou a ser uma condição de crescimento.» Luísa Pestana Administradora da Vodafone «A XXX Conferência Executive Digest proporcionou-nos uma manhã muito fértil em contributos para a transformação do País e das instituições, desde logo pela excelente e completa leitura deixada pelo Dr. Paulo Macedo no arranque dos trabalhos, nomeadamente no que diz respeito aos desafios internos e geopolíticos com que O País se depara. No painel em que tive o gosto de ter como colegas de discussão Manuel Dias, da ARTE, e Mário Sousa, dos CTT, retive como muito oportunas algumas das suas ideias: as de que enquanto País somos bons no diagnóstico mas falhamos muitas vezes na execução; de que temos de tomar acções muito concretas de transformação, enquanto solidificamos o que já temos de bom na simplificação; e de que podemos e devemos tornar essa simplificação também acessível aos nossos clientes, numa verdadeira parceria e proporcionando acompanhamento especializado. No que diz respeito à Vodafone Portugal, pude partilhar a forma como, dentro de portas, temos feito essa simplificação em nome de um serviço cada vez melhor para os nossos clientes. Uma trajectória a que não faltam desafios quando estamos a trabalhar sobre tecnologias e processos com muitos anos, mas na qual implica incorporar uma simplificação by design em tudo o que são os procedimentos novos que desenvolvemos. Sem esquecer a necessidade de termos os processos preparados e estarmos munidos de dados com a qualidade necessária para que possamos, enquanto organizações, retirar o máximo de ganhos possíveis da automação e digitalização. Acredito que o caminho para um Portugal Extraordinário , o mote da conferência deste ano , passa também por aqui.» Mário Sousa Director de B2B dos CTT «Foi um privilégio participar nesta conferência e contribuir para a reflexão sobre um tema de grande relevância, abordado de forma clara no que respeita ao seu impacto na produtividade e no crescimento da economia portuguesa. Este debate assumiu especial importância num momento em que empresas e instituições procuram aumentar a sua eficiência e dar resposta aos desafios da transformação digital. Na minha intervenção, defendi que o primeiro passo deve ser a simplificação dos processos. Muitas vezes, existe a tendência de digitalizar estruturas complexas e pouco eficientes, o que acaba por perturbar o ambiente digital. Acredito que é essencial começar por simplificar, repensando fluxos, eliminando redundâncias e tornando os processos mais claros e intuitivoS. Só assim conseguimos criar uma base sólida para uma digitalização que seja verdadeiramente eficaz e geradora de valor. Nos CTT temos vindo a trabalhar nesse sentido, desenvolvendo soluções que tornam os processos mais simples, rápidos e acessíveis, especialmente para as PME, que são um pilar fundamental da nossa economia. O nosso objectivo é apoiar estas empresas na sua jornada de transformação, reduzindo a complexidade e facilitando a adopção de ferramentas digitais. A digitalização deve, portanto, surgir como um passo natural após essa simplificação, potenciando ganhos de eficiência, escalabilidade e inovação. Mais do que escolher entre simplificar ou digitalizar, acredito que ambas devem caminhar lado a lado, mas sempre com a simplificação como ponto de partida para um crescimento sustentável e duradouro.» Rui Malcata Director da Steelcase «Desde sempre que para a Steelcase O espaço de trabalho é uma ferramenta estratégica para a gestão das pessoas e o alcançar dos objectivos das organizações, devendo por isso, tanto o seu desenho como os produtos que o materializam, serem considerados como parâmetros aos quais deve ser dada a maior atenção. Participar assim numa conferência que pretende abordar estratégias para se alcançar o extraordinário, organizada pela referência que é a Execu-tive Digest e com um painel de oradores cuja experiência é seguramente fonte de saber e inspiração, foi para mim pessoalmente e para a Steelcase, uma oportunidade única de não só podermos dar o nosso contributo, com o conhecimento alicerçado na nossa experiência, mas também de aprender e sairmos mais enriquecidos e motivados para continuarmos a traçar o nosso caminho, que pretendemos excepcional e também para os nossos clientes. Além das experiências enriquecedoras que foram partilhadas, se há algo mais que posso retirar desta conferência, e que confirma também o que penso, é a confirmação de que não há falta de saber como e por onde se pode e deve ir, ficando no final a questão de “então porque não vamos?”. Caberá a cada um responder para si mesmo, mas creio que todos saímos a acreditar um pouco mais que, não obstante as dificuldades, Portugal pode verdadeiramente ser ainda mais extraordinário, e espero que da nossa parte possamos ter contribuído positivamente para essa convicção.» Marcelo Nico Director-geral da Tabaqueira «Foi um privilégio participar nesta conferência e contribuir para a reflexão sobre o futuro do país. A inovação é um dos motores da competitividade, mas precisa de lideranças capazes de ante-cipar mudanças e mobilizar pessoas. Na nossa conversa, reconhecemos que o talento português faz a diferença. Todos valorizaram a importância das parcerias entre empresas e universidades. Precisamos de políticas que incentivem este diálogo juntando também O Estado e as instituições europeias. Num contexto de transformação acelerada, a Tabaqueira vive essa transformação. A caminho dos 100 anos, temos vindo a reinventar-nos, apoiados numa equipa de 1500 colaboradores, preparados para os desafios de um sector que está em mudança. Acredito que, com visão estratégica e compromisso com a inovação, Portugal estará mais bem preparado e que este esforço conjunto vai abrir oportunidades para a Tabaqueira e para o país.» Pedro Brito Associate Dean e CEO da Nova SBE Executive êducation «Portugal tem hoje tudo para ser extraordinário: talento, estabilidade, qualidade de vida e uma posição geoestratégica única. Mas há uma barreira invisível que limita o nosso potencial: a ausência de uma verdadeira ambição colectiva. Somos bons individualmente, mas ainda pouco eficazes a crescer juntos. Num país onde 99% das empresas SáO PME, muitas continuam focadas em crescer 5-10%... quando o mundo já exige pensar 10 vezes mais. Este tipo de pensamento exponencial exige fazer perguntas diferentes e adoptar estratégias muito distintas das tradicionais. A ambição colectiva não é um conceito abstrato e traduz-se em comportamentos concretos, todos os dias, em todos os níveis da sociedade. Na minha opinião começa com coisas muito simples: Indivíduos: sair da zona de conforto diariamente. Exemplo: procurar activamente alguém fora do seu sector para aprender matérias diferentes das que domina. Famílias: educar para o risco e não apenas para a segurança. Exemplo: incentivar os filhos a testar ideias, mesmo que falhem, como parte do processo de aprendizagem. Empresas (grandes): liderar pelo exemplo e puxar pela cadeia de valor. Exemplo: premiar quem arrisca e tenta o novo, e não apenas quem cumpre o plano. PME: ganhar escala através de união. Exemplo: criar parcerias ou joint ventures para entrar em mercados internacionais que, isoladamente, seriam inacessíveis. Associações: exigir mais impacto por parte dos associados. Exemplo: medir sucesso por exportações e crescimento das empresas associadas, e não pelo número de iniciativas realizadas. Media: moldar narrativas de ambição. Exemplo: dar palco a casos de co-laboração empresarial que geraram escala global. Governos: criar condições para crescer em conjunto. Exemplo: incentivar fiscalmente projectos colaborativos entre empresas com foco na internacionalização. Escolas: elevar o padrão de exigência. Exemplo: expor estudantes a contextos internacionais de excelência e integrar líderes empresariais no processo formativo. Ser extraordinário não depende de uma grande decisão isolada, mas de milhares de pequenas decisões alinhadas. Quando indivíduos, empresas e instituições passam a pensar em escala, e não apenas em sobrevivência, a ambição deixa de ser individual e passa a ser colectiva. E é nesse momento que um país deixa de ter potencial... para começar, finalmente, a realizá-lo.» ... Nelson Pires General Manager da Jaba Recordati «A Recordati Portugal foi novamente parceira da 30.2 Conferência Executive Digest, um dos mais relevantes fóruns nacionais de reflexão sobre economia, liderança e competitividade. Num tempo em que o futuro exige visão e capacidade de execução, promover debate qualificado é uma necessidade real. Sob o tema “os caminhos para um Portugal Extraordinário”, esta edição reuniu líderes empresariais, gestores e especialistas para discutir crescimento económico, inovação, digitalização, energia e talento, factores decisivos para reforçar a competitividade do país. A elevada participação presencial e digital confirma que existe uma comunidade empresarial mobilizada para encontrar soluções concretas , um sinal encorajador num país tantas vezes viciado em adiar decisões. Para a Recordati Portugal, apoiar esta iniciativa reflecte o compromisso com o desenvolvimento económico e social de Portugal. Enquanto empresa do sector da saúde, sabemos que progresso, bem-estar, ciência e produtividade estão profundamente ligados. Esta participação assume ainda significado especial num momento em que o Grupo Recordati celebrou, a 1 de Maio, o seu centenário. São 100 anos de história marcados pela inovação terapêutica, proximidade aos profissionais de saúde e melhoria da vida dos doentes. Associar esta data a uma conferência dedicada ao futuro reforça a ligação entre legado e ambição, aos caminhos dos próximos 100 anos de Recordati! A Executive Digest tem desempenhado um papel relevante ao reunir decisores e organizações em torno de temas estratégicos. Foi com enorme satisfação que a Recordati Portugal se associou a esta edição e continuará a apoiar iniciativas que valorizem conhecimento, liderança e concretização.» Randstad Portugal Fonte Oficial «A Randstad associa-se com grande satisfação à 30.2 Conferência Executive Digest, uma iniciativa que se destacou como um momento relevante de reflexão sobre os desafios e oportunidades que marcam o futuro de Portugal. Sob o tema “os caminhos para um Portugal Extraordinário”, o evento, realizado no passado dia 15 de Abril, na Culturgest, reuniu um conjunto alargado de líderes empresariais, gestores e decisores, promovendo um debate plural e enriquecedor sobre o desenvolvimento do país. Num contexto económico e social em constante transformação, criar espaços de partilha e discussão estratégica é fundamental. Para a Randstad, contribuir para um Portugal mais preparado e competitivo passa, inevitavelmente, pela valorização do talento e pela construção de um mercado de trabalho mais sustentável e inclusivo. A diversidade de perspectivas e a troca de ideias proporcionadas ao longo da conferência reforçam a importância da colaboração entre diferentes sectores. A forte adesão ao evento evidencia o interesse e o envolvimento da sociedade nestas temáticas, bem como a necessidade de continuar a fomentar este tipo de iniciativas. Para a Randstad, fazer parte deste tipo de eventos é uma experiência muito positiva e alinhada com o nosso propósito. Felicitamos a Executive Digest pela organização e pelo contributo activo na dinamização de um debate essencial para o futuro do país.» 25 TEMA DE CAPA CAMINHOS PARA UM PORTUGAL EXTRAORDINÁRIO O MAIS-VALIAS EM COMO PORTUGAL DESTACA-SE DIVERSOS SECTORES E aREAS ? INOVAçaO, ENERGIAS RENOVaVEIS, TECNOLOGIA, TURISMO OU ? MAR A E FUNDAMENTAL TRANSFORMAR PORTUGAL NUM HUB DE TALENTO GLOBAL; AUMENTAR ? ESCALA E PRODUTIVIDADE DAS EMPRESAS E ATRAIR CAPITAL INTERNACIONAL PARA SECTORES-CHAVE «ANDAMOS ã PROCURA DA RESPOSTA DO MILHãO DE DóLARES, MAS Jã TEMOS SOLUçóES ~ O QUE FALTA ? CAPACIDADE DE EXECUçãO» » Ana Trigo Morais, CEO e administradora-delegada da Sociedade Ponto Verde » António Casanova, CEO da únilever Fima » Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde » Luísa Pestana, administradora da Vodafone » Manuel Dias, CTO do Estado e presidente da ARTE » Mário Sousa, director de B2B dos CTT » Bruno Gonçalves, eurodeputado » José Vale, director de Empreendedorismo e Inovação do IAPMEI » Marcelo Nico, director-geral da Tabaqueira FALTA DE ESCALA NAS EMPRESAS E FRACA COOPERAçàO LIMITAM A COMPETTTIVIDADE DE PORTUGAI NO MUNDO THtItte-TECIDO EMPRESARIAL EM PORTUGAL, 99% DAS EMPRESAS SáO PME, E CERCA DE 95% SáO MICROEMPRESAS, O QUE LIMITA ? CAPACIDADE DE GANHAR ESCALA E COMPETIR NO MERCADO GLOBAL André Manuel Mendes; Pedro Zagacho Gonçalves