IPD CONFERENCE JUNTA MAIS DE 270 PROFISSIONAIS NO PORTO PARA DEBATER FLUXOS DIGITAIS
2026-05-21 21:09:24

A conferência organizada pelo IPD Dental Group reuniu médicos dentistas e técnicos de prótese dentária para debater previsibilidade, eficiência e colaboração nos fluxos digitais. ACasa da Música, no Porto, recebeu, no dia 8 de maio, a IPD Conference, uma iniciativa organizada pelo IPD Dental Group que reuniu mais de 270 participantes, entre médicos dentistas e técnicos de prótese dentária. O encontro colocou em debate a evolução dos fluxos digitais na medicina dentária, com especial enfoque na previsibilidade clínica, na comunicação entre clínica e laboratório e na forma como a tecnologia pode simplificar processos sem comprometer a qualidade dos resultados. Entre os oradores estiveram os Drs. Ricardo Recena, Ricardo Rodrigues, Ruben Monteiro e Bruno Borges, que abordaram diferentes dimensões da integração digital na prática clínica e laboratorial. O denominador comum foi a ideia de que a inovação tecnológica só ganha verdadeiro valor quando é acompanhada por protocolos claros, formação adequada e uma maior aproximação entre todos os intervenientes no tratamento. Para o Dr. Ricardo Recena, a excelência deve ser entendida como um processo contínuo e não como um ponto de chegada. “O que a gente no fim consegue e considera como excelente hoje é o nosso ponto de partida de amanhã”, afirmou, defendendo que a melhoria constante depende da capacidade de tornar os processos mais simples e replicáveis. “A ideia de descomplicar o processo de trabalho é fundamental para conseguir a excelência e que ela seja replicável”, acrescentou. O médico dentista sublinhou ainda a importância de ultrapassar uma lógica de trabalho isolado. Na sua visão, a evolução da medicina dentária passa por aproximar clínicos, técnicos de prótese e pacientes em torno de um objetivo comum. “O que a gente consegue com a IPD e o que a gente pretende com isso é aproximar todas as peças do processo. Então, tanto o clínico, quanto o protético, quanto o paciente, que caminhem junto com uma ideia que é perseguir a excelência”, referiu. Também o Dr. Ricardo Rodrigues destacou o papel da digitalização na obtenção de resultados mais previsíveis. Embora reconheça que os métodos analógicos também per-mitem alcançar bons resultados, considera que as ferramentas digitais facilitam esse caminho. “O analógico também se consegue aperfeiçoar ao ponto de termos um bom resultado, mas com a digitalização acho que temos a possibilidade de mais facilmente chegar lá”, afirmou. Ainda assim, alertou para a importância da formação e da curva de aprendizagem. “Os limites dependem muito do nosso software e da nossa formação também”, explicou, referindo que algumas limitações técnicas, nomeadamente na captura da relação interimplantária em casos de reabilitações de arcada completa, começam a ser ultrapassadas com novas soluções digitais. Para o Dr. Ricardo Rodrigues, estas ferramentas permitem hoje chegar a “um protocolo digital do início ao fim de um tratamento”. A perspetiva do paciente esteve no centro da intervenção do Dr. Ruben Monteiro, que destacou o conforto como uma das principais vantagens dos fluxos digitais. “Começo pela primeira, porque para mim é mais importante, que é o conforto do meu paciente”, afirmou. A esse benefício junta-se, segundo o médico dentista, uma maior precisão quando os Para ver o vídeo clique sobre a imagem. protocolos são corretamente aplicados. “Temos um melhor dos dois mundos: conforto do paciente, maior precisão e maior veracidade no nosso fluxo de trabalho”, resumiu. O Dr. Ruben Monteiro deixou ainda uma mensagem direta aos profissionais que continuam afastados destas ferramentas. “O fluxo digital veio para ficar, não há como fugir”, afirmou, apelando ao investimento em tempo e conhecimento nas novas tecnologias digitais. Já o TPD. Bruno Borges centrou a sua intervenção na relação entre clínica e laboratório, defendendo que ferramentas como o scanner intraoral têm contribuído para reduzir erros e aumentar a eficiência. “O uso dessa ferramenta que é o scanner intraoral na nossa prática clínica, a clínica em conjunto com o laboratório, reduziu drasticamente os problemas que encontramos diariamente”, afirmou. Segundo o orador, estas soluções não só melhoram o fluxo de trabalho como ajudam a prevenir erros, aumentar a qualidade e reduzir o tempo dos planos de tratamento. Para o TPD. Bruno Borges, tecnologias como scanners intraorais, scan bodies e componentes pensados especificamente para o fluxo digital são “uma mais-valia fundamental para a comunicação entre a clínica e o laboratório”. Ao longo da conferência, os participantes insistiram na ideia de que a digitalização já é uma mudança estrutural na forma como os tratamentos são planeados, comunicados e executados. Os fluxos digitais surgem como ferramentas para tornar os resultados mais previsíveis, melhorar a experiência do paciente e reforçar a colaboração entre médicos dentistas e técnicos de prótese dentária. n Osono das mulheres não pode continuar a ser lido com a mesma régua usada durante décadas para os homens. Essa foi uma das ideias que atravessou o Women & Sleep , The Female Sleep Journey, um encontro científico promovido pela Católica Medical School, em Lisboa, e dedicado às várias etapas da vida feminina, da gravidez ao pós-parto, da nutrição à menopausa, passando pelos critérios de rastreio e diagnóstico das perturbações do sono. Ao longo do programa, os intervenientes insistiram na necessidade de olhar para o sono feminino como uma realidade clínica própria, marcada por fatores hormonais, biológicos e psicossociais que exigem maior atenção. A gravidez foi um dos principais temas em destaque. Amélia Feliciano, professora da Católica Medical School, sublinhou que a apneia do sono nesta fase “muitas vezes não apresenta sintomas muito claros” e pode confundir-se com sinais tidos como normais da gestação, como a fadiga ou a sonolência diurna. Ainda assim, alertou que a perturbação do sono, o ressonar, os despertares noturnos ou a necessidade frequente de ir à casa de banho “deve[m] ser, efetivamente, perguntado[s] na mulher grávida”. A especialista defendeu também um papel mais atento dos médicos dentistas no encaminhamento destas doentes, lembrando que as consultas são “janelas de oportunidade” para identificar sinais de alerta e orientar para estudo do sono ou referenciação adequada. Na sua mensagem aos clínicos, lembrou que “o sono é um pilar da saúde, juntamente com a alimentação e com o exercício físico”. Outro dos momentos centrais do encontro foi a reflexão sobre o pós-parto, uma fase em que as alterações hormonais, emocionais e sociais se combinam de forma particularmente exigente. André Sousa, especialista em psiquiatria, explicou que a descida abrupta de hormonas como o estrogénio tem “um impacto significativo”, não só pelas suas funções no sistema nervoso central, mas também pela regulação do humor e do processamento emocional. A isso juntam-se dor, complicações médicas e a exigência súbita de uma nova rotina, num contexto em que o sono “é tão sensível a estas mudanças”. Perante esse cenário, o psiquiatra deixou recomendações tão simples quanto difíceis de concretizar. “Na medida do possível, é importante procurar ter uma estrutura de suporte”, criar oportunidades para compensar o sono perdido, manter horários relativamente estáveis, controlar a exposição à luz solar e integrar gradualmente a atividade física. Este é, assinalou, um período “sempre desafiante” da vida da mulher e não adianta prometer receitas milagrosas, mas antes medidas práticas e realistas que todas possam aplicar na sua vida. A relação entre a alimentação e o sono também ganhou espaço no debate. A professora Paula Ravasco destacou a dieta mediterrânica como “o padrão alimentar mais equilibrado e mais rico”, associando-a de forma consistente a ganhos fisiológicos e de saúde, entre os quais o sono. Em contrapartida, alertou para o efeito de padrões alimentares marcados por produtos processados, açúcares refinados, álcool e outros hábitos que favorecem alterações metabólicas. Para a especialista, melhorar o sono passa por uma abordagem global que implica “comer peixe, comer proteína de origem vegetal”, garantir equilíbrio nutricional e integrar o tema do metabolismo na abordagem clínica. “A multidisciplinaridade neste tratamento é absolutamente essencial”, assinalou ainda. Essa ideia de cruzamento entre áreas e saberes surgiu ainda no encerramento do evento, com Susana Falardo a defender para os próximos anos “uma evolução qualificada, com muita qualidade e que saiba trabalhar em multidisciplinariedade com as outras áreas médicas”. Num evento que reuniu especialistas nacionais e internacionais, essa parece ter sido a conclusão mais forte: compreender melhor o sono das mulheres não é apenas aprofundar um campo científico, mas corrigir um atraso clínico e diagnóstico com impacto direto na qualidade de vida. n Francisco Almeida A ideia de descomplicar o processo de trabalho é fundamental para conseguir a excelência e que ela seja replicável Dr. Ricardo Recena Para ver o vídeo clique sobre a imagem. Para ver o vídeo clique sobre a imagem. Temos um melhor dos dois mundos: conforto do paciente, maior precisão e maior veracidade no nosso fluxo de trabalho Dr. Ruben Monteiro Ferramentas digitais, tal como os scanners intraorais e os scan bodies, são uma mais-valia fundamental para a comunicação entre a clínica e o laboratório O sono é um pilar da saúde, juntamente com a alimentação e com o exercício físico WOMEN & SLEEP PÕE O SONO FEMININO NO CENTRO DO DEBATE CIENTÍFICO Da gravidez à menopausa, um encontro da Católica Medical School reuniu especialistas para defender uma abordagem multidisciplinar e atenta às diferenças entre mulheres e homens. A multidisciplinaridade neste tratamento é absolutamente essencial Francisco Almeida