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GUERRA NO MÉDIO ORIENTE ACELERA CORRIDA AOS ELÉTRICOS EM BUSCA DE POUPANÇAS

Negócios Online

2026-05-20 21:06:40

Choque petrolífero provocado pelo conflito no Médio Oriente está a reforçar a atratividade económica dos veículos elétricos e pode acelerar a redução da dependência global do petróleo. Agência Internacional da Energia estima que os elétricos já evitaram o consumo de 1,7 milhões de barris por dia em 2025 e que esse valor deverá triplicar até 2030. A nova crise energética provocada pela guerra no Médio Oriente está a dar um novo impulso global aos veículos elétricos. A conclusão é da Agência Internacional da Energia (AIE), que considera que o atual choque petrolífero poderá acelerar a transição para a mobilidade elétrica, à semelhança do que aconteceu após as crises petrolíferas da década de 1970. Segundo o relatório "Global EV Outlook 2026", o aumento da volatilidade nos mercados do petróleo e os receios sobre segurança de abastecimento estão a reforçar o interesse dos consumidores e dos governos nos veículos elétricos, numa altura em que os combustíveis fósseis voltam a pressionar famílias e empresas. A agência lembra que o setor rodoviário representa atualmente quase metade da procura mundial de petróleo, o que faz da eletrificação do transporte uma das principais ferramentas para reduzir a dependência energética externa. Em 2025, a frota global de veículos elétricos evitou já o consumo de cerca de 1,7 milhões de barris de petróleo por dia, sobretudo em mercados com políticas mais agressivas de eletrificação, como a China e a União Europeia. E a tendência deverá acelerar nos próximos anos, com a agência a estimar que os elétricos possam retirar cerca de 5 milhões de barris por dia da procura mundial de petróleo até 2030, num contexto de crescimento contínuo das vendas globais e de reforço das metas climáticas. "O atual choque energético está novamente a expor os riscos associados à dependência do petróleo importado", sublinha a agência no relatório. Os veículos elétricos estão a proporcionar algum alívio numa altura marcada pelo maior choque de oferta petrolífera da história. Fatih Birol, diretor executivo da AIE Combustíveis caros tornam elétricos mais competitivos A escalada do petróleo está também a alterar a equação económica para os consumidores. Os veículos elétricos continuam a apresentar custos de utilização mais baixos do que os automóveis a combustão, sobretudo devido à maior eficiência energética, mas a recente subida dos combustíveis ampliou ainda mais essa diferença. Na União Europeia, as poupanças anuais em combustível associadas à utilização de um carro elétrico aumentaram 35% face ao ano passado, tendo por base os preços médios do petróleo registados em abril. Para empresas com grandes frotas e elevados quilómetros percorridos, os ganhos podem ser ainda superiores, refere a agência. A AIE identifica já sinais de aceleração das vendas em países mais expostos ao risco de abastecimento ou onde os preços dos combustíveis subiram mais rapidamente. No Sudeste Asiático, por exemplo, vários governos começaram a reforçar incentivos fiscais aos elétricos como resposta à crise energética. Vietname, Indonésia e Tailândia surgem entre os mercados com maior crescimento mundial. Vendas globais apontam para novo recorde Apesar da instabilidade geopolítica, o mercado dos elétricos continua em expansão. Em 2025, as vendas globais cresceram 20% e ultrapassaram os 20 milhões de unidades, o equivalente a um em cada quatro carros vendidos no mundo. Para 2026, a previsão aponta para um novo máximo histórico: cerca de 23 milhões de veículos elétricos vendidos, representando perto de 28% do mercado automóvel mundial. A Europa deverá liderar o crescimento entre os grandes mercados, enquanto a China poderá aproximar-se de uma quota de 60% de veículos elétricos nas vendas totais de automóveis. Mesmo sem novas medidas políticas, a AIE estima que a frota mundial de elétricos possa ultrapassar os 510 milhões de unidades até 2035, mais de seis vezes acima dos níveis atuais. "Os carros elétricos estão a proporcionar algum alívio numa altura em que enfrentamos o maior choque de abastecimento petrolífero da história”, afirmou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol. 23Veículos A Agência Internacional da Energia prevê um vendas recorde de 23 milhões de veículos elétricos em 2026, o equivalente a quase 30% do mercado automóvel mundial. Patrícia Vicente Rua patriciarua@negocios.pt Patrícia Vicente Rua patriciarua@negocios.pt