CARTAS AO DIRECTOR
2026-05-20 21:06:39

A actualidade da "armadilha de Tucídides” Independentemente do desfecho dos conflitos bélicos que lavram na Europa Central e no Médio Oriente, ressalta para já uma evidência: a arrogância de grandes potências mundiais que, frente a médias potências regionais, não conseguem resultados conformes às expectativas iniciais. Sun Tzu, estratega militar chinês (séc. IV a.C.), alerta para o risco dos conflitos prolongados, por darem tempo e espaço para o reencontro dos povos consigo mesmos, a nível psicológico e histórico na descoberta de forças insuspeitas, o esboroar das narrativas que as tentam justificar e a dar azo a alianças, quantas vezes espúrias, que enviesam lógicas, sacrificam vidas e alimentam economias e corrupções. Certo, o ensinamento da História de que fatalmente um dia terão de terminar, seja diplomática ou militarmente. Ainda os actuais conflitos não estão sanados e já outros se perfilam no horizonte, preenchendo noticiários, continuando a não dar espaço aos conflitos sem “padrinhos” que pululam pelo planeta com uma ferocidade tremenda. “Quando a China acordar, o mundo vai tremer”, terá dito Napoleão em 1816, frase que Peyrefitte recuperou, em 1973, para titular um livro sobre a ascensão do Império do Meio. A Armadilha de Tucídides, tese de Graham Allison (2015), “refere-se à inexorável tendência para a guerra quando uma potência emergente ameaça substituir uma grande potência já consolidada”, caso não haja solução negociada. É o que se perspectiva no caso da China face aos EUA? A História está cheia de exemplos, como o caso de Atenas face a Esparta que está na origem da guerra do Peloponeso (séc. V a.C), e que impediu a unificação do mundo grego, ou como no caso da Espanha face a Portugal, que se resolveu com o tratado de Tordesilhas (séc. XVI). Luciano J. Carvalho Marmelada, Lisboa A "manif" dos professores No sábado, acompanhei a minha neta (55 anos mais nova do que eu), que é professora na Escola Secundária de Caxarias, a uma "manif" de professores, para a acompanhar à sua primeira manifestação e matar saudades das minhas. Achei que estavam ali presentes uns milhares de pessoas, com bandeiras, panos e cartazes, o que é bastante, considerando que eram docentes do país inteiro. O que me espantou foi, nos dias seguintes, ter procurado no PÚBLICO uma notícia, por pequena que fosse, sobre a manifestação e o que se procurava obter com ela, e não ter encontrado uma simples linha! Talvez a minha admiração pelo vosso jornal fosse exagerada. Julgava o PÚBLICO um pouco melhor. Carlos Anjos, Lisboa Cuidadinho que não somos ricos Vindos de diferentes lados, os alertas soam. O bom desempenho a que habituámos a Comissão Europeia, no que toca à execução do PRR, desvaneceu-se. Ao que parece, os ouvidos que deveriam escutar esses alertas foram ficando moucos com o tempo, de modo que, para mantermos o “pagode” interessado no assunto, quiçá orgulhoso do trabalho dos executores, alterámos as metas previamente estabelecidas. Como faria qualquer “espertinho” que, primeiro, atira a seta, e depois, desloca o alvo para o ponto de impacto do projéctil. Acerta sempre na mouche. O pior é que a “esperteza” pode sair-nos muito cara, com a perda de fundos europeus e a realocação de recursos que fazem falta noutras aplicações, para além de evitáveis penalizações por incumprimentos assumidos. Pelo mau funcionamento do “sistema”, perseguimos o formalismo vazio de realismo, alteramos regras auto-impostas antes do fim do “jogo”, fingimos que somos alunos exemplares. Mas o Governo mostra que não o somos, e deveria dar mais atenção à escassez dos recursos que acabamos por esbanjar. José A. Rodrigues, Vila Nova de Gaia Mais um flop na saúde Como foi noticiado pelo PÚBLICO, o objectivo apontado pelo Governo de colmatar a falta de médicos de família para 1,6 milhões de pessoas recorrendo aos privados falhou mais uma vez. Entretanto, o Governo quer convencer-nos de que nas novas USF-C, pagando a médicos no privado mais do que no serviço público, acrescido dos lucros das empresas, vamos ter um SNS mais barato e eficiente. Porque não se estuda o que funcionava bem no Norte e se tenta corrigir o que está mal em Lisboa e Vale do Tejo, continuando a expandir as USF modelo B? Só a agenda neoliberal oculta, em que o Estado promove interesses privados, justifica que Montenegro não substitua a ministra: porquê atacar a raposa, se esta consegue estragar a capoeira, pondo as galinhas cá fora a dar ovos de ouro? José Cavalheiro, Matosinhos