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ORDEM DOS MÉDICOS QUER REORGANIZAR LISTAS DE ESPERA DO SNS

Jornal de Notícias

2026-05-20 21:06:36

Proposta apresentada ao Ministério da Saúde integra “roteiro técnico” operacional pedro.santos@jn.pt MEDIDAS A Ordem dos Médicos (OM) quer que as listas de espera do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sejam adaptadas e redimensionadas de acordo com critérios “de complexidade clínica e demográfica”. Esta é uma das ideias que a OM vai apresentar depois de amanhã Ono Ministério da Saúde, com vista a tornar eficaz o funcionamento geral do SNS, da perspetiva dos profissionais à dos utentes. “o objetivo é que todos tenham médico de família e que seja exercida menos pressão sobre as urgências hospitalares”, assinalou ao JN Carlos Cortes, bastonário da OM. O “laboratório de soluções”, como o apelidoua Ordem, é um conjunto de 18 medidas assentes em três eixos principais acesso universal e equitativo, valorização do médico de família e governação eficaz e liderança clínica que a instituição representativa dos clínicos considera um “roteiro técnico e operacional estruturado” para tentar recuperar a eficácia do SNS. Nele é também apontada, entre outros pontos, a “transferência da gestão operacional de rastreios populacionais e de atos periciais secundários, como juntas médicas ou avaliação para cartas de condução, para unidades autónomas e especializadas” como forma de libertar mais médicos de família. “De-PROPOSTAS Devolver tempo A Ordem dos Médicos quer eliminar a “intervenção médica obrigatória em atos administrativos de baixo valor clínico e automatização de fluxos não presenciais”. O objetivo é devolver tempo para os doentes complexos. Processo único Outra das soluções apontadas passa pela criação de um "processo clínico único e partilhado entre os diferentes níveis de cuidados (centros de saúde e hospitais)” Tal servirá para “eliminar barreiras digitais e duplicações de exames”. Novas inscrições Para garantir “o direito à proximidade e o respeito pelo agregado familiar”, é defendida a substituição de inscrições meramente administrativas “por critérios baseados na residência”. pois do Governo, vamos apresentar o nosso compromisso estratégico ao presidente da República e aos partidos”, adiantou Carlos Cortes. O documento foi elaborado após reuniões com um conjunto de entidades, desde o Colégio de Especialidade de Medicina Geral e Familiar até estruturas sindicais ligadas ao setor da saúde. A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) participou nos encontros. “são caminhos identificados e apontados há vários anos, mas que nunca foram levados à prática. é preciso envolver a tutela para que assuma os cuidados primários como prioridade”, entende Nuno Jacinto, presidente da APMGF. PREVISaO EM BAIXA A Ordem também recorda que "1,6 milhões de portugueses continuam sem equipa de saúde familiar”. Isto numa altura em que se ficou a saber que até 2029 o Governo prevê designar médicos de família a apenas mais 60 mil pes-soas, recorrendo a parcerias com os setores privado e social através de unidades de saúde familiar de modelo c, ao invés das 360 mil que tinha planeado abranger inicialmente. “Não se trata de surpresa, é apenas o Governo a confrontar-se com a realidade dos factos”, considerou ao JN Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. “Nos últimos anos criou-se a tempestade perfeita devido ao aumento significativo da população, da subida do número de reformados e das saídas de médicos do SNS que não foram suficientemente cobertas pelas entradas necessárias”, descreve. Para Xavier Barreto, a solução passa pOr “criar melhores condições” para os médicos e ainda pOr “incentivos” aos jovens profissionais que pretendam fixar-se em zonas do país menos densamente povoadas. “Facilitar os processos de mobilidade poderia contribuir para criar outras condições de atração”, aponta o responsável. Ordem pretende criar canais que agilizem o atendimento no SNS Pedro Emanuel Santos