SAÚDE - SNS ATINGE RECORDE ABSOLUTO DE GASTOS EM REMÉDIOS
2026-05-20 21:06:36

DADOS Despesa do Estado foi de 4417 milhões € em 2025, com famílias a gastar 966,1 milhões €. Portugueses são dos últimos a ter acesso a fármacos inovadores Os gastos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em medicamentos chegaram aos dois dígitos desde 2020, tendo sido registado um novo máximo em 2025, com 4417 milhões de euros. E uma subida de 60% em relação aos 2758,6 milhões gastos no primeiro ano da pandemia de Covid-19. Os hospitais representam a maior fatia da despesa, com 2523,2 milhões de euros, enquanto a comparticipação de fármacos em ambulatório custou 1893,8 milhões, segundo noticiou a Lusa com base em dados do Infarmed. Em 2025, houve também um aumento de 4,9% dos gastos das famílias com medicamentos, atingindo os 966,1 milhões de euros. Até março deste ano, a despesa dos utentes foi 243,1 milhões de euros, mais 1,3% do que no mesmo período de 2025. A principal explicação para o aumento dos gastos deve-se a remédios inovadores. Mas o acesso a estes fármacos é muito desigual na Europa, com Portugal a ser o segundo país com maior tempo médio de espera (784 dias), ficando apenas atrás da Roménia (1201 dias). Em sentido contrário, os alemães esperam só 56 dias, segundo a Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas, que fala numa “desigualdade crescente”. Para Hélder Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, deve haver “mecanismos que permitam que o custo seja o menor possível”, mas sem limitar “o acesso à inovação terapêutica”. O responsável deixa ainda um alerta: “a estagnação da quota de medicamentos genéricos” pode dificultar o acesso aos fármacos. Bernardo Esteves