OS REMÉDIOS ESTÃO CADA VEZ MAIS CAROS?
2026-05-20 21:06:36

Entre recordes na despesa com fármacos e a resistência em largar o volante. Os portugueses vivem entre contas pesadas e transportes falhados. Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta. Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe. Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente. Calma, Jesus. Penso tanto no Aguiar Branco às 4h da manhã, quando o meu despertador toca. Calma. Jesus, perdão. Eu penso no Presidente da República: qual é a pressa? Mas qual é a pressa? Paulo, não há remédio pro aumento das despesas com medicamentos. Parece que não. Esta é uma despesa do Estado que dificilmente se consegue controlar e os números estão aí para o demonstrar. A despesa do SNS com medicamentos subiu mais de 60% desde a pandemia, bateu um recorde agora em 2025. E aqui estamos a falar tanto dos medicamentos que são dados nos hospitais, utilizados nos hospitais e nas unidades de saúde do Estado, como na despesa do Estado com a comparticipação que está implícita quando vamos à farmácia com uma receita médica. Há uma parte de boas razões para este aumento. O Infarmed diz que este crescimento também resulta da disponibilização de terapêuticas que são inovadoras e frequentemente dirigidas a doenças de elevada complexidade. Aqui falamos, por exemplo, de doenças oncológicas ou doenças raras. E, portanto, a inovação é bem-vinda e ajuda, nós sabemos. Mas é cara. Exatamente, a curar cada vez mais doenças, mas lá está, é cara. Ou mais cara, às vezes muito mais cara do que medicamentos mais antigos. Seja como for, esta é uma despesa que em grande parte está fora de controle dos governos e dos administradores hospitalares, mas é sempre preciso encontrar dinheiro do orçamento para as pagar. É sempre aquela surpresa, quanto é que vai ser este ano. Pois é, não se consegue sequer prever. Bruno, a professora, a senhora professora Europa, ainda gosta do bom aluno Cavaco. Pelos vistos, gosta e até lhe deu uma medalha. Aníbal Cavaco Silva recebeu a recém-criada Ordem Europeia do Mérito, uma distinção do Parlamento Europeu para figuras associadas à construção europeia. E olhando para o currículo europeu de Cavaco Silva, percebe-se a lógica. A entrada de Portugal na CEE, era ele o primeiro ministro de Portugal, o Tratado de Maastricht, a primeira presidência europeia de Portugal. Cavaco acompanhou praticamente toda essa primeira e muito importante temporada da integração portuguesa. Claro que nem toda a gente aplaudiu de pé esta distinção. O PSD, o CDS, PS e Iniciativa Liberal elogiaram a escolha, Bloco de Esquerda e PCP acharam a homenagem menos entusiasmante. Mas na Europa, Cavaco continua a beneficiar daquela imagem de estabilidade, contas certas, um certo europeísmo clássico. É aquela espécie de aluno que fazia sempre os trabalhos de casa e, convenhamos, Bruxelas tem mesmo um fraquinho por este perfil. Sobretudo agora, que há alunos que são um pouco mais barulhentos na sala de aula. Mais baldas. Muito irrequietos. Paulo, e que doença é esta? Não conseguimos largar o nosso automóvel, não há um medicamento para isto inovador? Infelizmente, não há. Há soluções, mas são mais caras. Não é só o medicamento. De facto, somos dos países que mais utilizam automóvel individual, e isso é um mau sinal. Há aquela frase certeira de um autarca, se não me engano colombiano, cujo nome não retive, que diz que: "Um país desenvolvido não é aquele em que os pobres andam de carro, mas é aquele em que os ricos andam de transportes públicos." É uma grande frase. Grande verdade. É uma grande verdade. Essa é que é. E por este indicador, nós somos subdesenvolvidos, muito subdesenvolvidos mesmo. Há um estudo da Greenpeace que acaba de ser divulgado e diz que em Portugal quase 70% das pessoas nunca utilizam os transportes públicos. Somos, de facto, um dos casos mais graves da Europa continental. E por que é que só cerca de um quarto das pessoas é que usa transportes públicos? Por quê? Porque são pouco fiáveis, as redes de funcionamento e os horários não se adequam às necessidades de muitas pessoas e os atrasos são recorrentes. Muitas vezes, a tendência dos políticos e das políticas públicas é baixar preços de passes, quando o motivo está noutros fatores que são muito mais difíceis de compor, como são estes casos da fiabilidade das redes. Enquanto isso não for resolvido, não há transição energética que nos valha, como é evidente. Bruno, o que se passa entre as autarquias e a Agência Lusa? Há um problema? Maria João, isto começa a ser uma relação complicada. Depois da autarca de Coimbra, Ana Brilhosa, ter criticado duramente um jornalista da Lusa e de posteriormente ter pedido desculpas, agora as críticas vieram de Vila Nova de Gaia, com acusações de manipulação, respostas em tom bastante musculado. A direção de informação da Lusa, em resposta, disse que as notícias se baseavam no Diário da República, em documentos oficiais, e exigiu um pedido de desculpas, alegando que os termos usados pelo executivo de Luís Filipe Menezes eram inaceitáveis. A autarquia não respondeu à carta da Lusa, mas em reunião de câmara, o vice-presidente Firmino Pereira reiterou aquilo que já afirmara: a câmara respeita o jornalismo livre, isento e imparcial, dando a entender que o jornalismo da Lusa não segue esses padrões. Agora, vamos ficar à espera da próxima autarquia a escolher como inimigo a agência de notícias. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta. Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe. Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente. Calma, Jesus Bruno Vieira Amaral, Paulo Ferreira