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O VERDADEIRO RISCO DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (SNS) NÃO É O COLAPSO - É O ADIAMENTO!

HealthNews Online

2026-05-20 21:06:35

Enquanto o custo político de reformar for superior ao de adiar, a degradação será lenta, racional e repetida. A cultura do adiamento! Portugal não está perante um colapso iminente do Serviço Nacional de Saúde. Está perante algo mais perigoso: a institucionalização do adiamento. Portugal não está a reformar - está a gerir sucessivos adiamentos. É essa a verdade desconfortável por trás dos anúncios, dos decretos que vão e voltam, dos planos que nascem como “emergência” e morrem como “transição”. O SNS resiste, mas resiste cansado - e a fadiga deixou de ser acidente: tornou-se cultura! O terreno que não engana! No terreno não se vive de “linhas estratégicas”. Vive-se de turnos longos, equipas exaustas, corredores cheios antes do amanhecer. A distância entre discurso e prática mede-se em horas - e o relógio não suspende quando um decreto é devolvido. Três números que não são exceção! Três números ajudam a iluminar este desfasamento (dados públicos consolidados até final de 2025): Despesa em saúde: em 2024, a despesa total situou-se em torno de 10,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Acesso a consultas e cirurgias: cerca de 1,09 milhões aguardavam consulta e 264 mil aguardavam cirurgia. Tempos de espera: várias Unidades Locais de Saúde (ULS) ultrapassam três anos em Dermatologia e centenas de dias em Cardiologia. Estes números não descrevem falhas pontuais. Descrevem fricção estrutural entre procura crescente e capacidade estagnada. O modelo que trava a mudança! Financiamento adicional pode ser necessário - mas sem reforma institucional é apenas manutenção. O SNS permanece preso a governação híbrida: decisões financeiras centralizadas coexistem com responsabilidade clínica descentralizada. Reforma: decisão, não retórica! Reformar implica escolhas verificáveis. Três são incontornáveis: 1) Contratualização plurianual vinculativa. 2) Autonomia executiva real das lideranças clínicas. 3) Planeamento de recursos humanos a 10,20 anos. O custo político de não decidir! Sistemas complexos exigem tempo. Mas complexidade não é paralisia. Enquanto for politicamente menos custoso adiar do que reformar, o adiamento continuará racional. O minuto de verdade! O SNS é uma infraestrutura moral de coesão social. Não colapsa de repente - degrada-se! Quando o adiamento se normaliza, o que era direito transforma-se em privilégio. O SNS não precisa de heroísmo permanente: precisa de arquitetura reformada! O futuro não nos acusará de falta de lucidez - acusar-nos-á de falta de decisão! Fontes: Despesa em saúde (10,2% do PIB) - dados OCDE Health at a Glance 2025 e projeções nacionais baseadas em 2024. Listas de espera (1,09M consultas; 264 mil cirurgias) - ACSS, Relatórios de Acesso a Cuidados de Saúde 2024,2025 (dados públicos até final de 2025). Tempos de espera Dermatologia / Cardiologia - Relatórios de desempenho ULS 2024,2025 (dados públicos), com destaque para tempos superiores a 1.000 dias em áreas específicas. Modelos de governança, autonomia e contratualização plurianual - recomendações OCDE/UE para Portugal (2023,2025) e propostas de contratualização por resultados adotadas em vários sistemas europeus. Planeamento de recursos humanos 10,20 anos - alinhado com WHO Health Workforce 2030 e recomendações europeias sobre escassez de profissionais de saúde Enfermeiro Ricardo Conceição, Presidente do Conselho Consultivo e Científico da Sociedade Portuguesa de Enfermagem Doente Crítico