AMADORA-SINTRA - ORDEM DOS MÉDICOS DIZ "NÃO HAVER MOTIVO” PARA NOVA "AVALIAÇÃO” A CASOS DENUNCIADOS
2026-05-20 21:06:35

Amadora-Sintra. Bastonário diz “não haver motivo” para nova “avaliação” a casos denunciados REAÇÃO Cirurgião que denunciou casos de má prática no Serviço de Cirurgia Geral disse em entrevista ao DN que relatório da Ordem não teve "imparcialidade” e que a “verdade” ficou por apurar. O presidente do Colégio da Especialidade que fez o relatório reitera que “faria tudo igual”, até porque o relatório "envolveu mais 11 cirurgiões, a Secção Regional do Sul e o Conselho Nacional”. Bastonário diz que foi uma "página que se virou”. Hospital não comenta por “haver processos, judiciais a decorrer”. Faria tudo igual. Eo que fiz foi na qualidade e de presidente do Colégio da Especialidade de Cirurgia Geral da Ordem dos Médicos, e não foi feito só por mim. O relatório foi aprovado em reunião de direção do colégio, por mais 11 cirurgiões, pelo Conselho da Secção Regional do Sul e homologado pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos. Houve muitas pessoas envolvidas na aprovação deste relatório”. Foi desta forma que António Menezesé e Silva, o cirurgião e presidente do colégio da especialidade que avaliou OS casos denunciados de má prática no Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra), comentou ao DN a primeira entrevista do cirurgião Vítor Nunes, O denunciante dos casos, ao fim de três anos de o caso ter saltado para as páginas dos jornais (janeiro de 2023). Confrontado pelo DN sobre as críticas que foram feitas porVítor Nunes, nomeadamente de “imparcialidade” no relatório que fez e sobre o facto de não O ter ouvido, o então presidente do colégio da especialidade reitera: “Tudo o que fiz foi avaliar O que estava escrito em relação aos processos e que foi discutido e analisado por todos OS cirurgiões do Colégio de Cirurgia Geral. O Dr. Vítor Nunes acha que fez tudo bem, mas a suaatividade foi analisada por 11 cirurgiões que consideraram que não. Não houve nada que ultrapassasse as regras”. Na entrevista ao DN, Vítor Nunes diz que gostaria que o caso fosse reavaliado de forma “independente” para não haver duvidas quanto ao que estava certo ou errado. “Se se apurasse que eu é que estava errado então teria de ser eu a deixar de exercer Medicina6 e olhe que estou muito certo do que disse”. Mas o bastonário, que confirma ter tido uma reunião de mais de uma hora com Vítor Nunes para ouvir a sua versão, defende ao DN “não haver motivo algum, que a Ordem te-nha conhecimento, para se fazer nova avaliação técnica. O caso foi avaliado há três anos pelo presidente do Colégio de Cirurgia Geral e pelos cirurgiões que integram este organismo, que na altura aprovaram por unanimidade o relatório. A Secção Regional do Sul também o aprovou e não havendo dúvidas do ponto de vista técnico, obviamente que o Conselho Nacional homologou”, sustenta. Carlos Cortes destaca ainda que, “após este colégio entrou um outro que não viu necessidadeem reabriri o processo”. Portanto, “foi uma página que se virou e se há vontade do médico em que se reabras ou se faça nova avaliação técnica só tem de contactar a Secção Regional do Sul com esse pedido”. Recorde-se que na entrevista ao DN Vítor Nunes critica o facto de nunca ter sido ouvido pelo perito da Ordem dos Médicos que conduziu o relatório também para o hospital, mas Menezes e Silva justifica-se dizendo que “só tinha de analisar o que estava escrito, se tinham sido cumpridas ou não as regras de boas práticas, não precisava de falar com pessoas”. Mas esta é uma das acusações feitas no relatório final da Inspeção Geral das Atividades em Saú- de (IGAS), abertoa a 13 de fevereiro de 2023, quando o conteúdo das denúncias feitas porVítor Nunes à direção clínica da altura do HFF saltou par a as páginas dos jornais. No seu relatório, a IGAS destaca que o perito da Ordem não ouviu “utentes e familiares dos casos, nomeadamente nos casos em que eradenunciada a falta de respeito pelo doente ou revelada incapacidade de definição estratégica e terapêutica” e nem “o denunciante”, acrescentando que na documentação enviada pelo perito à IGAS “não se encontra evidenciada que documentação clínica foi fornecida ou consultada e que esteve na base do parecer” elaborado. No mesmo documento, a IGAS considera ainda que “o perito não se pronunciou sobre os casos em que utente não foi submetido a cirurgia ou que tendo sido, não o foi no HFF, quando a eventual violação da legesartisabrange todas as fases do ato médico e não apenas a intervenção cirúrgica (também não há evidência de ter sido solicitada a nomeação de outro perito médico, caso o nomeado considerasse que não tinha condições para avaliar aqueles casos, pelo ques se concluiu que o mesmo considerava ter as ditas condições). A IGAS alerta ainda no documento, do qual deu conta do conteúdo à tutela, ao hospital e à Ordem, que “o preâmbulo da peritagem (resposta) parece dar a entender que a denuncia resulta de uma vingança por parte do denunciante, extravasando o propósito da perícia médica”. Uma posição que “tem de ser por nós assumida como imparcialidade nula ou mesmo interesse ativo relativa à questão sub judice”. Menezes e Silva reforça, mais uma vez, “que não tinha de ouvir ninguém. Aliás, depois deste relatório escrevi uma carta ao inspetor-geral a dizer que segundo aquilo teria de ouvir também os mortos”. Mas, nofinal, a IGAS decide pelo arquivamento do caso por “não ter qualquer competência sancionatória sobre o exposto”. Ao DN, Menezes e Silva sustenta que “o envio dos casos paraa a IGAS foi um erro”, porque “a inspeção não tem médicos para avaliar casos técnicos tem licencia-dos em Direito”, defendendo que “a Ordem é que tem competência técnica para avaliação e foi o que fez” = recorde-se que foi a IGAS que instaurou uma ação inspetiva a 15 de janeiro de 2023. Para o bastonário dos médicos “a avaliação da IGAS não é técni-ca. Cada um tem o seu papel e o relatório de que falamos teve a aprovação do colégio da especialidade”, relembrando que “a Ordem teve um papel importante na estabilização do serviço de cirurgia do Amadora-Sintra, devido às saídas de muitos médicos durante este processo e quando vítor Nunes regressou ao hospital”. Na entrevista publicada ontem, Vítor Nunes diz ter sido “vítima de um assassinato de carácter” e que a “verdade ficou por apurar”. O que quer é recuperar a "honra”, pois “foi sempre isso que questionaram no processo”. O DN contactou: a Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra para saber o que tinha a comentar às críticas feitas por Vítor Nunes à atuação dos conselhos de administração e se os novos dirigentes da unidade, que tomaram posse há pouco mais de dois meses, equacionavam a possibilidade de reabrir o processo. Fonte da ULS respondeu que “não seriam feitos comentários ao caso por haver ainda processos judiciais, que envolvem ambas as partes, a decorrer.” Vítor Nunes Cirurgião que denunciou casos de má pratica no HFF Carlos Cortes diz ao DN que Ordem já “virou a página” do caso das denúncias no Hospital Amadora-Sintra. “o preâmbulo da peritagem (resposta) parece dar a entender que a denuncia resulta de uma vingança por parte do denunciante, extravasando o propósito da perícia médica. Uma posição que “tem de ser por nós assumida como imparcialidade nula ou mesmo interesse ativo relativa à questão sub judice”. Relatório da IGAS ANA MAFALDA INÁCIO