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PS PEDE EXPLICAÇÕES AO GOVERNO SOBRE APOIOS PRESTADOS AOS DOIS MÉDICOS PORTUGUESES DETIDOS POR ISRAEL

TSF Online

2026-05-20 21:06:34

O grupo parlamentar do PS pede ao Governo que identifique as diligências diplomáticas e consulares desencadeadas após a detenção, em águas internacionais, de dois médicos portugueses que integravam a flotilha humanitária Global Sumud que rumava a Gaza. Os socialistas sublinham que "persistem dúvidas quanto ao paradeiro, condições de detenção e acesso consular dos cidadãos portugueses envolvidos". Numa nota enviada aos jornalistas, o partido explica que, com a pergunta enviada ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, pretende ficar a conhecer quais as ações iniciadas pelo Estado português junto das autoridades israelitas para "confirmar a localização, o estado de saúde e as condições de detenção" de Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias. Os socialistas notam ainda que existem relatos de familiares dos cidadãos portugueses detidos que dão conta de uma "aparente passividade das autoridades portuguesas e à insuficiência de informação prestada até ao momento", aos quais se juntam denúncias do uso de "meios militares e drones" na operação israelita, que deteve "dezenas de dezenas de cidadãos de várias nacionalidades, posteriormente transferidos" para Israel. "A interceção de embarcações integradas na flotilha humanitária internacional Global Sumud Flotilla com destino à Faixa de Gaza, ocorrida esta segunda-feira, 18 de maio, em águas internacionais ao largo do Chipre, volta a suscitar sérias preocupações, envolvendo uma vez mais cidadãos portugueses", acentua. No documento enviado a Paulo Rangel, assinado pelos deputados João Torres, Catarina Louro, Edite Estrela, Elza Pais, Eva Cruzeiro, Luis Dias, Porfírio Silva e Rosa Isabel Cru, sublinha-se que esta situação é "agravada" pelo facto de, até ao momento, "persistirem dúvidas quanto ao paradeiro, condições de detenção e acesso consular dos cidadãos portugueses envolvidos". O PS quer ainda saber se o Governo pediu "esclarecimentos formais às autoridades israelitas sobre as circunstâncias da interceção, nomeadamente quanto à sua legalidade à luz do Direito Internacional". E, tendo em conta que a situação humanitária em Gaza continua a degradar-se "de forma dramática", os deputados do PS entendem ser "essencial" que o Governo português "assuma uma postura clara e inequívoca na defesa do Direito Internacional, do Direito Internacional Humanitário e da proteção dos seus cidadãos". Os socialistas pretendem ainda que o ministro dos Negócios Estrangeiros esclareça se o Estado português já teve "contacto direto com os cidadãos portugueses detidos ou com representantes legais por si designados". "A bancada socialista instou o Governo da AD a responder se está a articular-se com outros Estados-membros da União Europeia cujos cidadãos também foram afetados por esta operação, no sentido de assegurar uma resposta coordenada", resumem. O Bloco de Esquerda já tinha também questionado o Executivo de Luís Montenegro sobre esta situação. Na segunda-feira, o Governo convocou o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, "em violação do direito internacional", de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud, disse à Lusa o ministro do Negócios Estrangeiros. Já na terça-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos disse hoje que o Estado português está a agir no sentido de garantir a integridade, segurança e repatriamento dos profissionais que integravam a flotilha e foram detidos pelas autoridades israelitas. Os dois médicos portugueses foram detidos pelas autoridades israelitas no âmbito da missão "Sumud Global Flotilla", pois a embarcação onde seguiam, que se deslocava para a Faixa de Gaza, foi intercetada em águas internacionais. Na segunda-feira, o bastonário tinha condenado a detenção dos médicos portugueses pelas autoridades israelitas, sublinhando que estava acompanhar o caso, em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com o Ministério da Saúde. [Additional Text]: Os dois médicos portugueses foram detidos pelas autoridades israelitas no âmbito da missão Imagem do autor Cláudia Alves Mendes Cláudia Alves Mendes