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CHEGOU A “CARA DE IA”. CLIENTES FAZEM PLÁSTICAS PARA SE PARECEREM COM IMAGENS GERADAS PELO CHATGPT

AEIOU.pt Online

2026-05-20 21:03:27

Sam Moghadam Khamseh / Unsplash Há cada vez mais pessoas a aparecer nos consultórios dos cirurgiões plásticos com o objetivo de ficarem iguais às imagens criadas por Inteligência Artificial, que muitas vezes nem sequer são medicamente possíveis. A inteligência artificial está a remodelar rapidamente a indústria da cirurgia plástica, com os médicos a reportarem um número crescente de pacientes que chegam às consultas munidos não de fotos de celebridades, mas de versões geradas por IA de si próprios. A dermatologista estética Rachel Westbay disse ter ficado impressionada no início deste ano quando uma paciente da sua clínica em Nova Iorque apresentou uma imagem caricata gerada pelo ChatGPT. A imagem mostrava olhos demasiado grandes, lábios artificialmente volumosos e uma pele impecável “É como dizer que quero parecer-me com a Ariel, de A Pequena Sereia”, disse à Business Insider. A ascensão dos geradores de imagens por IA e dos filtros de embelezamento está a criar um novo desafio para os cirurgiões plásticos e dermatologistas, que são cada vez mais incumbidos de lidar com expectativas irreais alimentadas pela tecnologia. Os pacientes estão a utilizar ferramentas como o ChatGPT, o Nano Banana e aplicações de edição especializadas para imaginar versões idealizadas de si mesmos antes de procurarem procedimentos estéticos. O fenómeno de levar fotos de inspiração para o consultório não é novo. “Há anos, os pacientes chegavam com uma fotografia recortada da Vogue. Isto seria um sinal de alerta, se entrasse no meu consultório e me mostrasse uma fotografia da Gisele Bündchen ou da Claudia Schiffer”, explica Justin Sacks, cirurgião plástico reconstrutivo da faculdade de medicina da Universidade de Washington. Com a ascensão dos filtros e da IA, os pacientes usam agora imagens otimizadas de si mesmos. Um inquérito publicado no ano passado pelo Beth Israel Deaconess Medical Center descobriu que as pessoas que utilizavam frequentemente imagens melhoradas por IA tinham expectativas significativamente mais elevadas em relação aos resultados das cirurgias plásticas. Os médicos afirmam que as imagens refletem muitas vezes uma estética genérica de “boneca Bratz”: olhos grandes, maxilares bem definidos, cinturas finas e lábios exagerados. Embora estas características possam parecer atraentes numa imagem alterada digitalmente, muitas são fisicamente impossíveis de serem alcançadas cirurgicamente. O cirurgião plástico Steven Williams disse que recebe regularmente pedidos com imagens geradas por IA para rinoplastias, aumentos mamários e procedimentos de contorno corporal. “Os pixéis são mais fáceis do que a cirurgia“, observou. Os médicos dedicam agora cada vez mais tempo a explicar porque é que certos resultados gerados digitalmente não podem ser replicados. Algumas imagens de IA criam formatos de nariz que dificultariam a respiração ou cinturas tão estreitas que não deixariam espaço para os órgãos internos. “Os corpos não são de barro”, disse Williams. “Há sistemas fisiológicos que precisamos de proteger.” Ainda assim, muitos cirurgiões acreditam que a IA representa também uma promessa para o futuro da medicina. Justin Sacks defende que a tecnologia poderá no futuro ajudar os médicos a criar simulações visuais mais precisas para procedimentos como a reconstrução mamária após cirurgia oncológica. Os especialistas instam os pacientes para que reflitam profundamente sobre o motivo pelo qual desejam submeter-se às cirurgias. “Qual é a sua expectativa?”, questiona Williams. “Se for um novo emprego, um novo relacionamento ou uma mudança de estatuto social, este é um sinal de alerta”. ZAP // ZAP