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PROCURA DE VACINAS CONTRA O HPV DISPARA NAS FARMÁCIAS

Jornal de Notícias Online

2026-05-19 21:06:08

A vacina contra o HPV foi recentemente alargada para a população até aos 26 anos Foto: Pedro Correia A procura de vacinas contra o vírus do papiloma humano (HPV) tem aumentado nas farmácias portuguesas, o que espelha a preocupação da população que ainda não está coberta pelo Plano Nacional de Vacinação em proteger-se de infeções que podem originar diversos tipos de cancro, nomeadamente o do colo do útero. De acordo com dados enviados ao JN pela Associação Nacional das Farmácias, a dispensa tem vindo a crescer nos últimos anos: passou de 52.594 em 2023 para 57.102 em 2024, chegando às 61.390 no ano passado. Ou seja, no espaço de dois anos, a procura cresceu cerca de 16%. Este ano, a corrida às farmácias continua. Nos primeiros quatro meses de 2026, os estabelecimentos registaram a venda de 21.083 vacinas contra o HPV, um crescimento de 4% face a igual período do ano passado. Para Vítor Veloso, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), o crescimento é um "sinal positivo" que evidencia que "as pessoas estão mais consciencializadas de que com a vacinação, muita coisa dramática pode deixar de acontecer". A LPCC tem promovido diversas campanhas ao longo dos últimos anos para "sensibilizar e dar conhecimento a todos", pelo que é "natural que haja um aumento da compra de vacinas". "Percebe-se que elas são fundamentais para erradicar estas doenças e para as pessoas se precaverem para o futuro", afirma. "A decisão de alargar a vacinação contra o HPV até aos 26 anos, baseada em evidência científica sólida, é um passo extremamente relevante para conseguirmos proteger mais pessoas numa fase decisiva da vida" Vítor Veloso Em causa estão geralmente pessoas que ainda não foram abrangidas pelo Plano Nacional de Vacinação, mas também aqui há sinais de progresso, pois o Ministério da Saúde anunciou recentemente o alargamento da idade de vacinação contra este vírus até aos 26 anos. Até aos 50 anos A Liga saúda a medida, mas pede mais. "A eliminação dos cancros associados ao HPV exige uma abordagem continuada e abrangente ao longo do ciclo de vida, sendo que não nos podemos esquecer do caminho que ainda falta percorrer. É fundamental continuar a refletir sobre as estratégias que permitam alargar a vacinação a outras faixas etárias, como entre os 30 e os 50 anos, mas também aos grupos da população particularmente vulneráveis". A vacina, realça Carlos Sottomayor, permite prevenir a "infeção por uma série de tipos de HPV, que podem levar ao desenvolvimento de cancros nas regiões genitais, colo do útero, pénis e ânus". "Não é uma vacina contra o cancro, é contra o vírus", mas, ao evitar a infeção, "estamos a reduzir drasticamente os casos de cancro naquelas áreas", especifica o presidente do Colégio de Especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos. "Os rastreios são importantes. Permitem detetar precocemente lesões malignas que podem ser tratadas sem necessidade de cirurgia ou outras técnicas mais invasivas", Carlos Sottomayor Para além da vacinação, é necessário continuar a sensibilizar a população e manter os rastreios. O rastreio do cancro do colo do útero - abrange habitualmente mulheres até aos 65 anos, que muitas vezes não foram vacinadas - "é muito importante e continua a ser necessário", defende Carlos Sottomayor. Vírus comum Exposição elevada Calcula-se que entre 75% e 80% das pessoas tenham, em alguma altura das suas vidas, contacto com o HPV. É um vírus comum, transmitido por contacto sexual. Diversos tipos Existem mais de 200 tipos de HPV. As vacinas protegem contra os mais perigosos e comuns. Rapazes e raparigas A vacina contra o HPV integra o Plano Nacional de Vacinação desde 2008 para raparigas e, desde 2020, também para rapazes. Relação com cancro É responsável por cerca de 100% dos cancros do colo do útero, 99% dos condilomas genitais, 84% dos cancros do ânus e percentagens significativas de cancros da orofaringe, vagina, vulva e pénis. Rastreios e lesões Em 2024, foram rastreadas ao cancro do colo do útero 344.405 mulheres, das quais 43.968 tiveram teste de HPV positivo. No rastreio ao cancro do cólon e reto, 20.230 dos 268.710 utentes rastreados apresentaram lesões identificadas por colonoscopia. Zulay Costa