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"SURTO" EM BEJA. TUDO O QUE PRECISA DE SABER SOBRE SARAMPO

Notícias ao Minuto Online

2026-05-19 21:06:05

Os recentes casos em Beja reacenderam o alerta para o sarampo. Apesar de as autoridades considerarem improvável uma epidemia em Portugal devido à elevada taxa de vacinação, especialistas reforçam a importância da prevenção e da vigilância dos sintomas. Três casos de sarampo foram identificados em adultos entre os 30 e os 55 anos em Beja desde o início de abril, conforme revelou à Lusa a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), preenchendo os critérios para denominação de "surto". Dois dos episódios verificaram-se em pessoas não vacinadas e o outro num indivíduo com o esquema vacinal recomendado no Programa Nacional de Vacinação (PNV) da Direção-Geral de Saúde. De acordo com um relatório emitido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças foram diagnosticados 7.655 casos de sarampo, em 2025, em 30 países da União Europeia, dos quais 21 confirmados em Portugal. Segundo os dados, cerca de metade dos casos em Portugal registaram-se em março de 2025, com a taxa de vacinação a atingir os 99% na primeira dose e os 96% na segunda. Afinal, o que é o sarampo? O que precisa de saber De acordo com o website do SNS 24, o sarampo "é uma infeção provocada por um vírus, caraterizada por febre, tosse, conjuntivite, corrimento nasal e manchas vermelhas na pele". O vírus do sarampo transmite-se através de "contacto direto com gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra". Normalmente, o doença é benigna, contudo, em casos extremos poderá levar à morte. Quais são os principais sintomas de sarampo? - "Início com febre e mal-estar, seguido de corrimento nasal, conjuntivite e tosse de seguida"; - "Em algumas situações podem surgir pontos brancos no interior da bochecha, cerca de 1 a 2 dias antes do aparecimento da erupção cutânea aparecimento da erupção cutânea (manchas que se iniciam na face e que depois se espalham para o tronco e para os membros); - "Febre alta e estado de extremo cansaço físico e psíquico". A melhor forma de prevenir o sarampo é através da vacinação, que é gratuita em Portugal, estando disponível para todas as pessoas. A idade mínima de administração da vacina é de 6 meses e é administrada em duas doses, sendo a segunda dada até aos 18 anos. Outra forma de prevenção passa por manter a distância de pessoas que já tenham contraído a infeção. O SNS 24 destaca que o contágio "pode ocorrer desde 4 dias antes e até 4 dias após o início da erupção cutânea". Para quem perceber sintomas de sarampo são dadas as seguintes recomendações: - "Evitar o contacto com outras pessoas para prevenir o contágio (até 4 dias após o início da erupção cutânea)"; - "Realizar análises ao sangue, urina e secreções orais, cujos resultados são enviados para o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) para confirmação ou não do diagnóstico de sarampo"; - "Comunicar aos profissionais de saúde quais as pessoas com quem contactou durante o período de contágio, para que possam ser sinalizadas". Qual o tratamento para os sintomas de sarampo? "A maioria das pessoas recupera apenas com o tratamento dos sintomas. Os antibióticos não são eficazes contra o vírus do sarampo, mas são prescritos pelo médico para tratar as complicações, como pneumonia e otite, se ocorrerem", informa-se. É possível acontecer uma epidemia de sarampo em Portugal? Dados os casos que surgiram em Beja, esta é uma das questões que se coloca. Contudo, o SNS 24 realça que é pouco provável, uma vez que a maioria das pessoas está protegida. "No entanto, durante um surto, algumas pessoas vacinadas poderão contrair a doença, por diminuição, ao longo do tempo, da proteção conferida pela vacina", é indicado. Bruno Pinto Rebelo, médico da médico da Autoridade de Saúde Local (ASL) da ULSBA, disse à Lusa que um episódio numa pessoa vacinada "não é, necessariamente, causa para apreensão". "Sabemos que o aparecimento de casos de sarampo em pessoas vacinadas, de acordo com o esquema do PNV, é altamente improvável, mas possível", sublinhou. Sobre a possibilidade de surto, Bruno Pinto Rebelo confirmou tratar-se desse cenário, segundo a sua definição de "surto", que envolve o surgimento súbito e inesperado do número de casos de uma doença, numa determinada área geográfica e num curto espaço de tempo. "O aparecimento destes casos considera-se, efetivamente, que estamos perante um surto", completou. Mariline Direito Rodrigues