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GOVERNO TROCA "PROMESSAS QUE NÃO PODE CUMPRIR" POR "REALISMO" AO BAIXAR EXPECTATIVAS NA ATRIBUIÇÃO DE MÉDICOS DE FAMÍLIA

TSF Online

2026-05-19 21:06:03

O objetivo era, até 2025, atribuir um médico de família a 360 mil utentes. Agora, a meta foi reduzida para abranger 60 mil pessoas até 2029. Ouvidos no Fórum TSF, os partidos políticos lamentam que tenham sido criadas "expectativas que induzem as pessoas em erro" e são várias as acusações de que o panorama na saúde tem vido a "agravar-se" O Governo de Luís Montenegro largou as promessas "que não podia entregar" e adotou uma posição "realista" ao baixar as expectativas quanto ao número de médicos de família a atribuir com o apoio das USF-C, os centros de saúde geridos pelos setores privados ou sociais. Este "confronto com a dura realidade" deve agora ter consequências: os partidos políticos nomeiam, desde logo, o fim de uma "política de exaustão remunerada" no Serviço Nacional de Saúde e apelam para que se comece a apostar nas "equipas de saúde familiar", além de sublinharem que este é um problema que só o Estado pode corrigir e não o setor privado. Até 2025, o objetivo era que a atribuição de médio de família pudesse atingir 360 mil utentes, mas, agora, essa meta foi reduzida para 60 mil pessoas abrangidas até 2029, avançou o Jornal Público. Leia também Fórum TSF: o Governo e a falta de médicos de família Ouvido no Fórum TSF desta terça-feira, o presidente da associação dos administradores hospitalares confessa não estar surpreendido com a decisão do Governo, que diz ser "realista". Xavier Barreto considera natural este "reajuste" face aos "recursos que o sistema tem e à capacidade de os mobilizar". "Não há milagres. Não temos médicos de família neste momento para fazer uma cobertura integral da população e, portanto, é o reconhecimento de que este panorama não vai mudar a curto prazo e de que as soluções que foram tentadas pelo Governo, particularmente o Plano de Emergência, não vão funcionar, pelo menos na medida em que se esperava, nomeadamente as USF-C", atira, completando que houve "poucos concursos" e não existiu, por parte das entidades privadas, o interesse "esperado". Na discussão política deste assunto, a deputada do Chega Marta Silva acusou os sucessivos Executivos pela falta de "coragem" para fixar os médicos "onde fazem falta", dando agora origem aos atuais problemas na saúde. E aponta ainda o dedo às medidas adotadas pelo atual Governo liderado por Luís Montenegro. "Este Governo veio agora anunciar uma medida para fixar médicos em dedicação plena, que terão que fazer mais 730 horas extras por ano para atingir aquilo que deveria ser um incentivo normal. Portanto, além das 250 horas já previstas em dedicação plena, iremos ter dez blocos de 48 horas", denuncia. Para Marta Silva, esta medida não corresponde a uma política de valorização médica, mas antes a uma "política de exaustão remunerada". Já pelo PS, a deputada Susana Correia apela ao Governo para que adote uma visão mais "cautelosa" e não procure respostas para o Serviço Nacional de Saúde "fora do SNS". Indo mais longe, a socialista entende que, neste momento, já é mais importante falar em "equipas de saúde familiar", dotando, por exemplo, os cuidados de saúde primários com "respostas multidisciplinares". "E pensarmos, efetivamente, que no país temos diversas regiões a várias velocidades, temos necessidades diferentes e, portanto, talvez o Governo e a ministra da Saúde comecem a olhar para a integração de cuidados como uma boa solução e não afastar este modelo que estava em curso, mas melhorá-lo. Começar a olhar para as vagas carenciadas, para a fixação de jovens médicos especialistas e para a própria formação de profissionais de uma forma mais cuidadosa", sugere. Por sua vez, Mário Amorim Lopes, líder parlamentar da Iniciativa Liberal, identifica outra causa para o problema, que diz ter começado com o Executivo liderado por António Costa. "O problema surge, na verdade, em 2016, quando António Costa promete médicos de família para todos os portugueses no final de 2017. Ao fazer uma promessa que não era possível cumprir, estava a criar uma expectativa errada que induz as pessoas em erro", argumenta. O mesmo erro, diz, cometeu a AD no programa eleitoral de 2024, em que fez "exatamente a mesma promessa" de atribuir a todos os portugueses um médico de família. "E, portanto, o problema está aí: quando surgiram políticos que prometeram aquilo que não podiam entregar", defende. "Estamos perante uma situação inconcebível e inaceitável", descreve a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, lembrando que a AD iniciou o mandato afirmando que iria apresentar um Plano de Emergência para a Saúde nos primeiros 60 dias. "Passaram dois anos e os problemas não só não se resolveram como se têm vindo a agravar, e são estas as consequências das opções políticas deste Governo", acentua. Pelo Livre, o deputado Paulo Muacho sublinha que "apontar objetivos muito ambiciosos" e prometer a resolução de todos os problemas para depois "ir revendo esses objetivos e assumindo a incapacidade de resolver os problemas" tem sido a "história" da governação da AD. "Nós temos visto que, desde que o Governo entrou em funções há dois anos, foi-nos prometido que, em 60 dias, seria apresentado um plano de emergência e transformação da saúde, que também tinha como um dos eixos principais os cuidados de saúde primários - a questão toda dos centros de saúde, médicos de família, etc. - e nós vemos que, nestes dois anos, o problema está a piorar. Há mais pessoas sem médico de família e sem conseguirem ter acesso a cuidados de saúde", reforça. Paulo Muacho critica ainda o "excesso de confiança" depositado pelo Executivo no setor privado, que agora começa a "confrontar-se com a dura realidade de que os privados não têm capacidade de resolver este problema". "Vai ter de ser mesmo o Governo e o Estado a resolverem o problema", sentencia. O CDS, assim como a Direção Executiva do SNS e o Ministério da Saúde, também foram convidados a participar no Fórum TSF desta terça-feira, mas afirmaram não ter disponibilidade. Já da parte do PSD não houve qualquer resposta. [Additional Text]: Imagem de contexto do artigo Governo troca Imagem do autor Cláudia Alves Mendes Imagem do autor Manuel Acácio Cláudia Alves Mendes