PORTO SANTO RECUSA TRAVAR ALOJAMENTO LOCAL
2026-05-19 21:05:33

Cuidado para não repetir erros do passado Na crise financeira de 2008-14, o Porto Santo perdeu todas as empresas de construção civil de origem local. "Faliram todas", recorda-se Nuno Batista, presidente da Câmara Municipal. “ A empresa maior que trabalha no Porto Santo a Tecnovia , chegou a ter cinco e seis funcionários", concretizou. Mas a realidade mudoue e hoje a Tecnovia tem 81 trabalhadores na ilha. Além disso, estão presentes grandes grupos como AFA e Socicorreia, e novas empresas de construção civil criadas posteriormente, motivadas pela atratividade criada. Mas o autarca não quer que o cenário dramático do passado volte a repetir-se e, por isso, defende que as empresas sejam sustentáveis. “ As coisas estão a acontecer, mas não têm que acontecer depressa demais, têm que acontecer da melhor forma possível". Turismo AL é recebido de braços abertos no Porto Santo O Porto Santo não fomenta tensões com o Alojamento Local, nem segue os caminhos que, por exemplo, o Funchal e Machico tomaram de suspender ou anunciar a suspensão de novas licenças. albertopita@jm-madeira.pt Ao contrário do que se passa noutros concelhos da Madeira, o Porto Santo não está a criar resistência à presença e expansão do alojamento local na ilha. O presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, Nuno Batista, diz com satisfação que o território atraiu “a melhor empresa portuguesa ou da Península Ibérica de alojamento local” (AL) para investir, e, para comprová-lo, “basta ver as casas que estão a ficar quase prontas na Calheta". Cada uma tem “um valor superior a um milhão de euros". E não é para venda, é para AL. O Porto Santo não fomenta tensões com o Alojamento Local, nem segue os caminhos que, por exemplo, o Funchal e Machico tomaram de suspender ou anunciar a suspensão de novas licenças. Na ilha dourada, são investimentos que importam. A abertura camarária para o Alojamento Local não significa, contudo, a lei da selva. O autarca defende a existência de "regras" e promete mais "fiscalização", mas vê nesta solução uma forma de desenvolvimento mais harmonioso, do ponto de vista do enquadramento paisagístico, e, por isso, rejeita a ideia de suspender a atribuição de novas licenças. Por agora, as limitações devem estar mais no lado da construção de novas unidades hoteleiras. E, nesse sentido, lembra que suspendeu o Plano de Urbanização entre o Hotel Porto Santo, o Ribeiro Cochino e a Calheta, por o documento não espelhar a sua “visão” para o desenvolvimento turístico, ao permitir “a construção de unidades hoteleiras na frente-mar entre o Hotel Porto Santo e a Calheta". Para Nuno Batista, construir hotéis nessa faixa de terra “não faz sentido”, se o propósito é ter um “turismo de qualidade". O autarca sustenta que esse plano de urbanização estava dividido em cerca de 12 ou 13 parcelas e que a construção de “mais 13 unidades hoteleiras de grande dimensão no Porto Santo ia trazer cerca de talvez 13.000 clientes, mais o mesmo número de trabalhadores nessas unidades hoteleiras, que, muito provavelmente, seriam tão sazonais quanto o turismo”. Por outro lado, o edil vê vá- rias vantagens na solução do AL. “Primeiro, receita para a câmara. Segundo, permite uma oferta de emprego que eu acho que é mais valorizada do que a área da hotelaria. Terceiro, traz valor acrescentado à ilha se for numa aposta de qualidade", argumenta. A propósito do valor acrescentado que esta atividade pode representar para a ilha em contraponto com a solução de grandes hotéis, o presidente da Câmara Municipal do Porto Santo recorre às escolhas patentes no Plano de Urbanização entre o Ribeiro Cochino e o Penedo do Sono, onde não é permitido construir em áreas inferiores a 1.000 metros quadrados (m?), só pode haver 25% da utilização do território e a altura está limitada à cota da estrada". No entender do autarca, toda essa faixa de terra junto ao mar tem "condições” para receber investimentos de AL, numa lógica de “sustentabilidade; proteção da ilha e criação de qualidade de vida para as pessoas”. Mas Nuno Batista não espera que os terrenos libertados, entretanto, pelo plano de urbanização sejam logo ocupados com obras. “Eu quero que aconteça de forma sustentada, ou seja, eu não estou à espera que aconteça tudo no tempo que eu estou aqui”, clarifica. Mas haverá um limite para o AL no Porto Santo? Nuno Batista diz que sim, mas, a seu ver, ainda há um longo percurso a fazer. Será quando estiver criada a “sustentabilidade financeira no município” e houver uma “boa qualidade de vida” sem comprometer a “sustentabilidade ambiental". “Esse será o momento, que julgo que já não estarei aqui (na presidência da Câmara), mas será importante que chegue alguém com coragem e que diga stop: é chegado o momento, temos o retorno, temos agora é de continuar a desenvolver”, disse. Nuno Batista também não quer que se repitam erros do passado. “Não podemos descurar a manutenção ou caímos no risco de ter campos de desportos de praia ou bares abandonados”, atirou. O autarca não quis avaliar as decisões do passado e de outras lideranças, mas disse que as entidades públicas não podem “introduzir concorrência desleal no mercado” e defendeu que “as obras têm de ser, em primeiro lugar, para a população”. 0 presidente da Câmara, Nuno Batista, distancia-se de restrições impostas noutros concelhos e considera ao JM que o setor funciona como motor de desenvolvimento turístico da ilha. Pág. 12 Por agora, as limitações devem estar mais no lado da construção de novas unidades hoteleiras. O presidente da Câmara Municipal do Funchal vê várias vantagens na solução do Alojamento Local. Alberto Pita