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IEA QUER APOIOS A ELÉTRICOS USADOS PARA BAIXAR EMISSÕES

Turbo Online

2026-05-18 21:09:16

A Agência Internacional de Energia defende que Portugal deve passar a apoiar a compra de carros elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, motoristas profissionais e PME. A medida surge numa altura em que 80% das vendas automóveis no país continuam a ser de usados A Agência Internacional de Energia defende que Portugal deve passar a apoiar a compra de carros elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, motoristas profissionais e PME. A medida surge numa altura em que 80% das vendas automóveis no país continuam a ser de usados A Agência Internacional de Energia (IEA) considera que o atual modelo de incentivos à mobilidade elétrica em Portugal está desalinhado com a realidade do mercado automóvel nacional. No relatório da Revisão da Política Energética de Portugal 2026, a agência recomenda a criação de um subsídio específico para a compra de carros elétricos usados. A recomendação parte de um dado estrutural: cerca de 80% das vendas de ligeiros de passageiros em Portugal correspondem ao mercado de usados. Apesar disso, os programas públicos continuam centrados exclusivamente nos veículos elétricos novos. O mais recente concurso do Fundo Ambiental, aberto a 29 de dezembro de 2025, esgotou rapidamente os 17,6 milhões de euros disponíveis. O modelo mantém-se para 2026: apoio de 4.000 euros por particular, limitado a automóveis 100% elétricos novos até 38.500 euros e condicionado ao abate de um carro a combustão com mais de dez anos. A próxima fase do programa, já confirmada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, deverá arrancar entre maio e junho, com uma dotação reforçada para 20 milhões de euros. Ainda assim, os elétricos usados permanecem excluídos. Elétricos crescem nas vendas, mas não no parque automóvel Segundo os dados citados pela IEA, os veículos elétricos representaram 38% das vendas de automóveis novos em Portugal em 2025, um valor acima da média europeia. Contudo, a quota destes veículos no parque automóvel total permanece reduzida, situando-se nos 6%. Para a agência, esta diferença explica porque as emissões do setor dos transportes continuam elevadas, apesar da forte subida nas vendas de BEV. Em 2024, os transportes representaram 54% das emissões energéticas nacionais de gases com efeito de estufa, enquanto o petróleo assegurou 92% do consumo final de energia do setor. A IEA sublinha que Portugal já oferece vantagens fiscais relevantes aos elétricos, incluindo isenção de ISV e IUC vitalício, tanto para veículos novos como usados importados. No entanto, considera que esses benefícios não chegam às famílias que compram no mercado de segunda mão. “A introdução de um subsídio para a aquisição de veículos elétricos usados destinado às famílias de baixos rendimentos permitiria reduzir a idade média do parque automóvel e as emissões”, refere o relatório. Motoristas profissionais e PME na linha da frente A agência defende que os apoios aos elétricos usados devem privilegiar os condutores que percorrem mais quilómetros diariamente, como motoristas profissionais e pequenas e médias empresas. A lógica é económica e ambiental: um carro elétrico que percorre 50 mil quilómetros anuais evita muito mais emissões do que um veículo novo utilizado apenas ocasionalmente. Além disso, muitos profissionais rapidamente ultrapassam o limite de 38.500 euros imposto aos modelos novos elegíveis, recorrendo naturalmente ao mercado de usados. O relatório destaca também que o mercado de elétricos usados começa agora a ganhar dimensão em Portugal, impulsionado pela chegada ao mercado de segunda mão da primeira geração de BEV vendida no país há vários anos. Carregamento urbano e mobilidade coletiva são prioridades Além do incentivo aos usados, a IEA pede um reforço da infraestrutura de carregamento urbano de baixa tensão, sobretudo em bairros residenciais onde muitas famílias estacionam na via pública e não têm possibilidade de instalar carregadores privados. A agência recomenda ainda a instalação de postos junto de interfaces de transportes públicos, defendendo uma maior integração entre mobilidade elétrica e transporte coletivo. Segundo o relatório, a próxima fase de expansão da rede deverá centrar-se “nos bairros”, acompanhada por tarifas previsíveis e mecanismos de proteção para consumidores vulneráveis. Ferrovia e transportes públicos continuam essenciais Apesar de considerar a eletrificação indispensável, a IEA alerta que os carros elétricos, por si só, não resolvem o problema energético dos transportes. A agência defende uma aposta mais forte na transferência modal para transportes públicos, ferrovia, deslocações pedonais e bicicleta. O reforço do transporte ferroviário de mercadorias surge igualmente como prioridade para reduzir o consumo de petróleo e as emissões nacionais. Dez medidas para acelerar a transição energética O apoio aos carros elétricos usados integra um conjunto de dez recomendações apresentadas pela IEA ao Governo português, num pacote de medidas que inclui ainda a criação de um roteiro nacional de descarbonização desenvolvido em articulação com a indústria e as autarquias, estratégias específicas para reduzir emissões industriais por subsetor, programas de renovação energética de edifícios através de balcões únicos e uma nova coordenação entre o planeamento das redes elétricas e de gás. A agência deixa ainda um aviso claro: a transição energética poderá perder aceitação social se continuar inacessível às famílias de menores rendimentos. No setor automóvel, essa preocupação traduz-se diretamente numa proposta concreta: abrir finalmente os apoios públicos ao mercado dos carros elétricos usados. A Agência Internacional de Energia (IEA) considera que o atual modelo de incentivos à mobilidade elétrica em Portugal está desalinhado com a realidade do mercado automóvel nacional. No relatório da Revisão da Política Energética de Portugal 2026, a agência recomenda a criação de um subsídio específico para a compra de carros elétricos usados. A recomendação parte de um dado estrutural: cerca de 80% das vendas de ligeiros de passageiros em Portugal correspondem ao mercado de usados. Apesar disso, os programas públicos continuam centrados exclusivamente nos veículos elétricos novos. AD AD O mais recente concurso do Fundo Ambiental, aberto a 29 de dezembro de 2025, esgotou rapidamente os 17,6 milhões de euros disponíveis. O modelo mantém-se para 2026: apoio de 4.000 euros por particular, limitado a automóveis 100% elétricos novos até 38.500 euros e condicionado ao abate de um carro a combustão com mais de dez anos. A próxima fase do programa, já confirmada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, deverá arrancar entre maio e junho, com uma dotação reforçada para 20 milhões de euros. Ainda assim, os elétricos usados permanecem excluídos. Elétricos crescem nas vendas, mas não no parque automóvel Segundo os dados citados pela IEA, os veículos elétricos representaram 38% das vendas de automóveis novos em Portugal em 2025, um valor acima da média europeia. Contudo, a quota destes veículos no parque automóvel total permanece reduzida, situando-se nos 6%. AD AD Para a agência, esta diferença explica porque as emissões do setor dos transportes continuam elevadas, apesar da forte subida nas vendas de BEV. Em 2024, os transportes representaram 54% das emissões energéticas nacionais de gases com efeito de estufa, enquanto o petróleo assegurou 92% do consumo final de energia do setor. A IEA sublinha que Portugal já oferece vantagens fiscais relevantes aos elétricos, incluindo isenção de ISV e IUC vitalício, tanto para veículos novos como usados importados. No entanto, considera que esses benefícios não chegam às famílias que compram no mercado de segunda mão. “A introdução de um subsídio para a aquisição de veículos elétricos usados destinado às famílias de baixos rendimentos permitiria reduzir a idade média do parque automóvel e as emissões”, refere o relatório. AD AD Motoristas profissionais e PME na linha da frente A agência defende que os apoios aos elétricos usados devem privilegiar os condutores que percorrem mais quilómetros diariamente, como motoristas profissionais e pequenas e médias empresas. A lógica é económica e ambiental: um carro elétrico que percorre 50 mil quilómetros anuais evita muito mais emissões do que um veículo novo utilizado apenas ocasionalmente. Além disso, muitos profissionais rapidamente ultrapassam o limite de 38.500 euros imposto aos modelos novos elegíveis, recorrendo naturalmente ao mercado de usados. O relatório destaca também que o mercado de elétricos usados começa agora a ganhar dimensão em Portugal, impulsionado pela chegada ao mercado de segunda mão da primeira geração de BEV vendida no país há vários anos. AD AD Carregamento urbano e mobilidade coletiva são prioridades Além do incentivo aos usados, a IEA pede um reforço da infraestrutura de carregamento urbano de baixa tensão, sobretudo em bairros residenciais onde muitas famílias estacionam na via pública e não têm possibilidade de instalar carregadores privados. A agência recomenda ainda a instalação de postos junto de interfaces de transportes públicos, defendendo uma maior integração entre mobilidade elétrica e transporte coletivo. Segundo o relatório, a próxima fase de expansão da rede deverá centrar-se “nos bairros”, acompanhada por tarifas previsíveis e mecanismos de proteção para consumidores vulneráveis. Ferrovia e transportes públicos continuam essenciais Apesar de considerar a eletrificação indispensável, a IEA alerta que os carros elétricos, por si só, não resolvem o problema energético dos transportes. AD AD A agência defende uma aposta mais forte na transferência modal para transportes públicos, ferrovia, deslocações pedonais e bicicleta. O reforço do transporte ferroviário de mercadorias surge igualmente como prioridade para reduzir o consumo de petróleo e as emissões nacionais. Dez medidas para acelerar a transição energética O apoio aos carros elétricos usados integra um conjunto de dez recomendações apresentadas pela IEA ao Governo português, num pacote de medidas que inclui ainda a criação de um roteiro nacional de descarbonização desenvolvido em articulação com a indústria e as autarquias, estratégias específicas para reduzir emissões industriais por subsetor, programas de renovação energética de edifícios através de balcões únicos e uma nova coordenação entre o planeamento das redes elétricas e de gás. AD AD A agência deixa ainda um aviso claro: a transição energética poderá perder aceitação social se continuar inacessível às famílias de menores rendimentos. No setor automóvel, essa preocupação traduz-se diretamente numa proposta concreta: abrir finalmente os apoios públicos ao mercado dos carros elétricos usados. Fernando Marques