CONSULTÓRIO SEXUALIDADE - CONGELAR ÓVULOS. GANHAR TEMPO SEM CRIAR FALSAS GARANTIAS
2026-05-18 21:09:15

Tenho 32 anos, ainda não estou pronta para ter filhos, mas começo a sentir pressão devido à idade. Já ouvifalar em congelar óvulos, mas não sei bem em que consiste nem se faz sentido para mim. O que devo saber? Joana Quintela Esta é uma preocupação cada vez mais frequente entre mulheres a partir dos 30 anos. Querem ter filhos, mas ainda não têm um parceiro com quem sintam que faz sentido avançar, não se sentem preparadas ou simplesmente não têm estabilidade emocional, profissional ou financeira. O problema é que a fertilidade feminina não espera pelas condições ideais. A partir dos 35 anos, a fertilidade começa a diminuir de forma mais acentuada. ê precisamente aqui que surge a preservação social de ovócitos: a possibilidade de recolher e congelar ovócitos numa fase mais fértil da vida, para serem utilizados mais tarde. O processo começa com uma avaliação por um especialista em fertilidade, e inclui exames para avaliar a reserva ovárica. Depois, é feita uma estimulação hormonal durante cerca de 10 dias para estimular os ovários a produzirem vários ovócitos ono mesmo ciclo. A colheita é realizada através de um procedimento rápido, geralmente com sedação, em que os folículos são aspirados e os ovócitos recolhidos. No laboratório, os ovócitos maduros são selecionados e congelados a temperaturas muito baixas, podendo permanecer armazenados durante anos. Importa dizer que congelar ovócitos não é uma garantia de gravidez futura. No entanto, pode aumentar a probabilidade de conseguir engravidar mais tarde, sobretudo quando a preservação é feita antes dos 35 anos. Em Portugal, este procedimento pode ser realizado em clínicas privadas, mas não é comparticipado pelo SNS. E isso levanta uma questão importante: até que ponto o planeamento reprodutivo não deveria ser também encarado como uma questão de saúde pública? A preservação de ovócitos não resolve os fatores que levam ao adiamento da maternidade, como a precariedade laboral, os baixos salários ou a dificuldade em conciliar carreira e família. Mas pode ser, para muitas mulheres, uma forma de ganhar tempo, reduzir a ansiedade e tomar decisões reprodutivas com menos pressão e mais liberdade. * Radioncologista e sexóloga ANM TEM UM ESPAçO PARA QUESTõES DOS LEITORES NAS AREASI DE DIREITO, JARDINAGEM SAUDE FINANçAS PESSOAIS, SUSTENTABILIDADE E SEXUALIDADE AS PERGUNTAS PARA O CONSULTORIO DEVEM SER ENVIADAS PARA O EMAIL MAGAZINE NE@NOTICIASMAGAZINE.F PT Mafalda Cruz