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QUAL É O PAPEL DO CHEGA COMO MAIOR PARTIDO DA OPOSIÇÃO? “SOMOS PARCEIROS E UM CONTRAPESO”

Renascença Online

2026-05-18 21:09:15

Jorge Galveias, deputado há quatro anos no partido, acredita que o Chega pode continuar a crescer e rejeita qualquer aproximação às políticas de esquerda. “Não estamos mais socialistas”, garante. Deputado classifica o posicionamento do Chega como “parceiro e contrapeso” do Governo, dependendo dos temas. E o Orçamento do Estado? Há disponibilidade para negociar. Há um ano o Chega estava a alcançar o estatuto de maior partido da oposição. Hoje, oscila entre ser “parceiro” e “contrapeso”. Assim o descreve o deputado Jorge Galveias. Em entrevista à Renascença, o deputado eleito em 2022 defende que o Chega tem sido equilibrado no Parlamento e aprovado “tudo o que seja bom para o povo português”, independente do partido que faz a proposta. Jorge Galveias reconhece que nem tudo correu bem nas escolhas para as autárquicas e mostra abertura para negociar o Orçamento do Estado com o Governo. O Chega mudou desde 2022? Mudou. Em quê? No número de deputados, na capacidade de trabalho e na melhoria do trabalho, por sermos mais, por termos mais sumo. Temos propostas concretas, objetivas, para ajudar a resolver os problemas do país. Entrevista a Jorge Galveias, deputado do Chega desde 2022. Foto: Gonçalo Costa/Renascença Como é que definiria o Chega como segunda força política? O Chega é um partido de direita, conservador, sem qualquer dúvida, sem medo de ir contra o sistema que está instalado desde 1974,-75 e que precisa de ser modernizado, alterado, revisto. E cá está o Chega para o fazer. Agora, é formalmente o partido com a liderança da oposição. Como é que se tem posicionado em relação ao governo? A nossa posição em termos gerais de política é que tudo o que seja bom para o povo português, nós estamos a favor. Tudo aquilo que nós vemos e percebemos que é a favor de alguma elite, a favor de algum grupo específico, e que é contra o povo, estamos contra. O posicionamento do Chega é de direita, conservador, mas sempre ao lado do benefício dos portugueses. Entre o deve e o haver, essas propostas que vota contra e as propostas que vota a favor, definem-se, neste momento, mais como um parceiro ou como um contrapeso ao governo? Somos um parceiro e um contrapeso. Há uma coisa importante, nós não abandonamos as nossas bandeiras de forma nenhuma, portanto, em tudo o que o governo estiver connosco, logicamente que estamos a favor. Em tudo o que o governo for contra aquilo que nós defendemos, obviamente estamos contra. Algumas medidas estruturais deste governo, como a Lei da Imigração e da Nacionalidade, foram aprovadas com o voto a favor do Chega. Não chama isto um parceiro? Não está próximo demais do governo? Nesse assunto, sim. O que não quer dizer que nós estejamos contra noutros. Entrevista a Jorge Galveias, deputado do Chega desde 2022. Foto: Gonçalo Costa/Renascença A Renascença esteve a analisar dados de propostas aprovadas no Parlamento ao longo deste último ano. Apesar destas medidas estruturais, como na área da imigração, o Chega acabou por viabilizar mais propostas do PS do que do Governo. Viabilizou 29 do PS e 12 do PSD. O que é que isto diz sobre o Chega no Parlamento? Não diz nada em relação, e são números, não passam de números, podiam ser exatamente o contrário. Nós não vamos chumbar uma proposta do PS só porque venha do PS. E assim fazemos com o PCP, Bloco de Esquerda, CDS, calhou, coincidiu que tivéssemos aprovado mais propostas do PS. Não quer dizer que não aprovemos da AD, do PSD, do CDS. Não tem a ver com o de onde vem a proposta, tem a ver com a substância. Mas isto não dá razão a alguns protagonistas do PSD de que acusam o Chega de ser um partido com características socialistas? Não, de todo. Quer o Chega, quer o PS estão na oposição, há uma certa lógica nos partidos da oposição. Muitas das propostas do PS eles podiam ter efetivado enquanto estiveram no Governo e não o fizeram, e vêm agora com elas ao Parlamento, propostas que tenham a ver connosco, nós aprovamos, não vamos aprová-las por serem do PS. E isso não significa que estejamos mais perto do PS, que estejamos mais socialistas, não. Mantemos a nossa matriz, o nosso caminho, o que não significa que não aprovemos propostas, neste caso falou do Partido Socialista, como aprovaremos as propostas que nós consideremos que sejam favoráveis para o povo português. Vem aí outra proposta importante do Governo, a reforma laboral, que está prestes a chegar ao Parlamento. O Chega tem falado em duas grandes medidas, duas grandes bandeiras para aprovar esta proposta de reforma, que é a descida da idade da reforma e a recuperação de dias de férias que foram retirados na altura da Troika. Acha que vão chegar a acordo? Não sabemos, é assim, que há capacidade financeira, ou pode haver capacidade financeira, para qualquer uma das propostas. Agora, mas para isso o Governo tem de fazer o trabalho dele. Enquanto for Governo, nós não podemos deixar de olhar para os valores da economia paralela, e eu posso lhe dizer que em 2025 são cerca de 24% do PIB, são mais de 30 mil milhões de euros. Os valores das subvenções vitalícias que estão a ser pagos, e que em 2025 foram mais ou menos 8.9 milhões de euros. O desperdício que há no Serviço Nacional de Saúde, que ainda há poucos dias saiu a informação do Tribunal de Pontas, que representa um desperdício de 10 a 15% do orçamento do Serviço Nacional de Saúde, são mais ou menos 2 mil milhões de euros. Peguem nesse pacote todo, ponham o Governo a funcionar, e temos dinheiro para fazer todas estas reformas. Mas em relação à questão da economia paralela, são muitos milhares de milhões de euros, se fosse fácil de recuperar esse dinheiro, os governos já não o teriam feito? Supostamente sim, mas nós sabemos de onde vem uma grande parte da economia paralela. É uma questão de, e nós apresentámos o proposta para ajudar a recuperar ou baixar a percentagem da economia paralela, foi chamada no orçamento do Estado passado. Porquê que passava essas medidas? Passava, por exemplo, para aumento do valor das deduções no IRS, e incluir despesas de pequenas reparações em casa. Sechamar um eletricista, um canalizador, para incentivar as pessoas a colocar fatura, se baixar o IVA e criar ali um escalão, logicamente que vamos buscar uma boa fatia de economia paralela. O orçamento do Estado vai ser um período difícil para o Governo? O orçamento do Estado é sempre difícil, e perante todos estes problemas que tivemos, as guerras, os problemas internos com a meteorologia, logicamente que torna mais difícil a execução Orçamento do Estado. O Governo já está há mais de um ano e meio em funções, tem a obrigação de apresentar uma proposta de Orçamento de Estado que seja condizente com a nossa realidade. E o Chega está disponível para negociar o orçamento do Estado? O Chega está sempre disponível para negociar com o Governo ou com os outros partidos da oposição. Mas, se não me engano, orçamento do Estado nunca viabilizou nenhum Alguma vez será a primeira, no caso de acontecer. O Chega aprova não só os orçamentos de Estado como toda a outra legislação, desde que considere que seja bom. E está sempre pronto a negociar. Assim queira, o Governo também negociar com o Chega. Não antecipa um período de instabilidade política no próximo outono? Não antecipo nada. Cada dia é um dia, todos os dias acontecem coisas novas, nós não sabemos o que é o dia de amanhã, tudo pode acontecer. Veja-se o comboio de tempestades que tivemos, quinze dias antes não fazíamos a mais pequena ideia que iria acontecer, e os resultados trágicos que trouxe. Entrevista a Jorge Galveias, deputado do Chega desde 2022. Foto: Gonçalo Costa/Renascença O crescimento do Chega neste último ano também passou por um crescimento autárquico. O partido conquistou as primeiras câmaras, bastantes vereadores, que balanço faz destes primeiros meses? Faço um balanço bastante positivo. Obviamente que estamos todos a aprender, muitos dos novos autarcas nunca tinham sido políticos, e para isso temos a nossa CAN, a Comissão Autárquica Nacional, que vai dando uma ajuda a todas as necessidades que os autarcas sintam, mas faço um balanço francamente positivo. Como é que se reage aos são eleitos pelo Chega, e já aconteceu oito vezes nos últimos meses, e depois se juntam às maiorias, tanto do PS ou do PSD? O que é que explica isto? O que explica isto é que de facto não são Chega, ou não eram Chega. Oito autarcas em comparação com o número enorme de autarcas que nós elegemos é uma quantidade ínfima. Acontece, como já aconteceu também no PSD ou no PS. Quem se tenta aproveitar de um partido que está em ascensão para se levar ou economicamente, ou em termos pessoais, as coisas acabam por correr mal e acabam por sair e ficamos a saber. Mas o Chega também não tem responsabilidade na escolha das pessoas? Claro que tem, claro que tem. Agora, diga-me uma coisa, um registo criminal, está limpo e conhece-se uma dúzia de pessoas que dizem bem, não podemos prever que o “senhor A” na “Câmara B”, lhe acenem com um contrato de trabalho e que ele não vá atrás dessa oferta. Obviamente que é lamentável, nós lamentamos que isso aconteça, mas é a decisão dele, tudo bem, continuamos o nosso rumo. É realista projetar mais crescimento para o Chega nos próximos anos? O facto é que o Chega tem vindo a crescer de uma maneira muito brusca, e isso significa que as pessoas não estão contentes com a governação do país. Se a governação do país não melhora realmente, e as pessoas não sentem realmente essa melhoria, logicamente que a tendência será para que o Chega continue a crescer. O Chega crescerá, e nós as indicações que temos é de um aumento progressivo de militantes e de simpatizantes, e, portanto, eu considero que facilmente o Chega crescerá nas próximas legislativas. E quando é que acha que isso vai acontecer? Um dia destes. Mas acha que vão cumprir o calendário? Acha que a legislatura chega até ao fim? Não fazemos ideia. Supostamente deverá chegar, ou deveria chegar. Não sabemos o que vai acontecer daqui a um mês, daqui a seis meses, daqui a um ano, se o próximo Orçamento de Estado passará ou não. Tudo isso é muito difícil, se não impossível de prever. Tudo depende da forma de governação, de como o Governo olhar para as reformas que tem que fazer e para os portugueses. Portanto, mais um ano, mais dois anos, mais três anos, não sabemos. Um ano de eleições legislativas Tomás Anjinho Chagas