JULGAMENTO DA MORTE DE ODAIR MONIZ EM CONTAGEM DECRESCENTE: ALEGAÇÕES FINAIS ARRANCAM ESTA SEGUNDA-FEIRA
2026-05-18 21:09:13

Esta segunda-feira, o Ministério Público e as defesas vão poder esgrimir os últimos argumentos num dos caso mais mediáticos dos últimos anos O julgamento da morte do cozinheiro Odair Moniz, de 43 anos, baleado na Cova da Moura em outubro de 2024 durante uma operação policial, aproxima-se do fim. Esta segunda-feira de manhã têm início as alegações finais no Tribunal de Sintra. O Ministério Público, em primeiro lugar, e as defesas da família da vítima e do agente acusado de homicídio qualificado vão poder esgrimir os últimos trunfos e argumentos do mediático processo. Há dez dias, numa entrevista ao Expresso, o diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, falou do caso. Inquirido se os agentes agiram de modo correto durante a operação da madrugada de outubro de 2024, o superintendente-chefe respondeu: "Os nossos polícias, estou certo, deram o seu melhor e tem de lhes ser garantido todo o direito de defesa, num caso que está em julgamento. A morte de uma pessoa, quaisquer que sejam as circunstâncias, é sempre de lamentar". Numa das sessões de julgamento a que o Expresso assistiu, Bruno Pinto, o agente suspeito de homicídio, garantiu ter visto Odair empunhar uma faca, afirmando que foi por esse motivo que disparou. Ricardo Serrano Vieira, o advogado de Bruno Pinto, chamou a atenção para a existência de contradições nos depoimentos de algumas testemunhas que estavam presentes na rua da Cova da Moura, naquela madrugada. Já a viúva do cozinheiro relatou o impacto da morte do marido na família. “Odair saiu de casa por volta das oito e meia”, sem indicar o destino. “Disse-me só que ia sair e que já vinha. Era suposto voltar para jantar”, referiu, acrescentando que “ainda hoje" continua sem saber "as razões pelas quais saiu de casa e para onde foi”. Segundo disse, “não era habitual Odair sair sem dizer onde ia, mas como era fim de semana, talvez tivesse ido ter com amigos”. A testemunha relatou que só voltou a ter notícias do marido por volta das seis da manhã, quando um dos filhos a alertou de que “tinha acontecido algo ao pai”. Soube depois que o marido estava no Hospital de São Francisco Xavier, para onde foi levado depois de ter sido atingido por dois tiros. Dois agentes não vão a julgamento O dado mais recente sobre o processo dava conta que o Tribunal de Instrução Criminal decidiu em março deste ano não levar a julgamento Rui Machado e Daniel Nabais, dois agentes da PSP acusados de prestarem falsas declarações sobre a existência de uma faca empunhada por Odair Moniz no momento em que foi morto. O agente Rui Machado foi ouvido duas vezes. O seu depoimento foi crucial para a investigação por ser ele quem acompanhava Bruno Pinto na madrugada em que Odair foi morto. Na altura, disse que não viu o cozinheiro empunhar qualquer arma no momento do confronto físico, mas que a viu, depois, debaixo ou ao lado do corpo da vítima. Daniel Nabais foi um dos primeiros agentes da PSP a chegar ao local do crime. Quando foi ouvido também na qualidade de testemunha, declarou que quando foi verificar os sinais vitais do cozinheiro, virou o corpo e viu a faca "junto à bacia". A procuradora do MP Patrícia Naré Agostinho considerou estes depoimentos "inverosímeis" e confirmou que há "suspeitas" de que a faca foi plantada no local ou “posta à vista”. E não é "verosímil" que tendo os agentes visualizado a faca não a tivessem recolhido ou falado nela aos operacionais do INEM. Mas para a juíza de instrução Cláudia Pina, o Ministério Público agiu de forma "desleal" ao acusar os dois agentes da PSP de falsas declarações. Segundo o Público, esta magistrada considera que, no momento em que ouviu os dois policias que declararam ter visto uma faca junto ao corpo de Odair Moniz, o MP já tinha indícios de que estes tinham mentido e por isso devia tê-los ouvido como arguidos e não como testemunhas. Para Cláudia Pina, houve uma violação do “direito ao silêncio” e a utilização de um “meio de prova desleal”. "Temos de concluir que assiste razão aos arguidos quando afirmam que foram indevidamente inquiridos na qualidade de testemunhas", afirmou a juíza. Hugo Franco Jornalista Hugo Franco