pressmedia logo

VOZ À SAÚDE - LITERACIA EM SAÚDE: UM INVESTIMENTO QUE COMPENSA

Correio do Minho

2026-05-16 21:09:17

ODETE RODRIGUES Enfermeira e Interlocutora Local de Literacia em Saúde da ULS Braga Para a comunidade, para o doente crónico e para o Serviço Nacional de Saúde. A literacia em saúde é a forma como cada pessoa compreende, gere e participa ativamente nas decisões relacionadas com a sua saúde, a doença e os serviços de saúde. Segundo o modelo de Kristine Súrensen, a literacia em saúde assenta em quatro competências essenciais: aceder, compreender, avaliar e aplicar informação em saúde, permitindo escolhas mais informadas ao longo da vida. Em Portugal, o Inquérito à Literacia em Saúde mostrou que cerca de 61% dos portugueses apresentavam níveis de literacia em saúde problemáticos ou inadequados, especialmente pessoas mais velhas, com menor escolaridade e com doença crónica. Esta realidade associa-se à maior dificuldade na gestão da doença, à menor adesão terapêutica e à utilização menos adequada dos serviços de saúde. Reconhecendo este desafio, a literacia em saúde passou a integrar as políticas públicas nacionais, com destaque para o Programa Nacional de Educação para a Saúde, Literacia e Autocuidados da Direção-Geral da Saúde e para a Estratégia Nacional de Saúde 2021, 2030, que identifica a capacitação das pessoas como condição para a equidade e a sustentahilidade do SNS A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), fundada pela professora Cristina Vaz de Almeida, também tem tido um papel relevante na sensibilização, formação e partilha de boas práticas, reforçando a ideia de que a literacia em saúde é uma responsabilidade partilhada entre profissionais, instituições e cidadãos A comunicação ACP = assertiva, clara e positiva, preconizada pela fundadora da SPLS, sublinha a importância de mensagens simples, empáticas e orientadas para a ação. Cuidar da linguagem verbal e escrita, evitar jargão técnico e confirmar a compreensão são passos fundamentais para transformar informação em conhecimento útil. A literacia em saúde não depende apenas das pessoas. Como sublinha Cindy Brach, é essencial desenvolver organizações de saúde literadas, capazes de simplificar processos, adotar uma comunicação clara, apoiar decisões informadas e tornar os serviços mais acessíveis e compreensíveis para todos. e neste enquadramento que as estratégias nacionais mais recentes apontam para a necessidade de trabalhar em rede e de levar a literacia em saúde ao terreno, próximo das pessoas. O Plano Nacional de Literacia em Saúde e Ciências do Comportamento 20232030 reforça esta abordagem, valorizando a implementação local através de equipas locais de literacia em saúde. Na ULS de Braga, a existência dessa equipa e de um interlocutor para a literacia em saúde pretende unir serviços, profissionais e comunidade, criando respostas mais próximas, adequadas e eficazes, de modo a obter ganhos importantes. Pretende-se maior autonomia, participação ativa e bem-estar da comunidade, melhor gestão da doença e melhor qualidade de vida para os doentes crónicos, bem como o uso mais eficiente dos recursos do sistema de saúde, minimizando custos por meio de decisões mais adequadas. Envolver a comunidade e os próprios doentes na criação destas estratégias é essencial. Como consta na Carta de Genebra para o Bem-estar (2021), é fundamental garantir que as pessoas e as comunidades possam assumir o controlo da sua saúde e viver vidas com sentido e propósito, através da educação, do conhecimento, da verdadeira capacitação e da sua participação ativa. A literacia em saúde é, assim, um investimento que compensa , para Todos ODETE RODRIGUES