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EMERGÊNCIA MÉDICA - EX-PRESIDENTES DO INEM ABREM GUERRA AO GOVERNO

Correio da Manhã

2026-05-16 21:09:17

SAÚDE Antigos dirigentes criticam mudanças previstas na nova Lei Orgânica do instituto. Consideram que a emergência médica não se deve dedicar a doentes não urgentes Num ato inédito, quatro ex-presidentes do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) juntaram-se para criticar as mudanças previstas na nova Lei Orgânica do instituto. Miguel Soares de Oliveira, Regina Pimentel, Luís Meira e Sérgio Dias Janeiro quatro dos cinco presidentes do INEM entre 2010 e 2025 =, bem como Vítor Almeida (que chegou a ser convidado para assumir a presidência do instituto em 2024), criticam, em carta aberta publicada no Expresso , algumas das medidas aprovadas pelo Governo para o INEM. Entre as quais estão o regresso das VMER aos transportes inter-hospitalares, a concentração do nível básico de Socorro nos bombeiros e Cruz Vermelha, e a passagem das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) para as unidades locais de saúde, com foco na transfe-rência de doentes. Segundo os ex-presidentes do INEM, as alterações traduzem-se numa fragmentação do SIEM (Sistema Integrado de Emergência Médica)”, com a passagem de meios, competências e responsabilidades operacionais para as ULS, que “poderá comprometer a capacidade de coordenação nacio-nal e de resposta integrada em situações de catástrofe”. No documento, consideram essencial expandir as redes de AEM e SIV e preservar as equipas de VMER, evitando o seu desvio para transportes inter-hospitalares”, e dos helicópteros de emergência médica no Interior. Os antigos responsáveis do INEM sugerem a criação de uma rede específica de transporte inter-hospitalar de doentes urgentes, “com meios próprios (ou contratualizados) das ULS, sob coordenação médica do INEM”. Para os ex-presidentes do instituto, O INEM deve ser libertado de atividades relacionadas com transporte de doentes não urgentes e vistorias de ambulâncias. Ontem, foi conhecido o arquivamento do inquérito-crime à morte de um idoso em Bragança durante a greve dos técnicos do INEM, em 2024. O Ministério Público justifica a decisão com o facto de não terem sido colhidos “indícios da existência de um anexo causal entre o alegado atraso no acionamento dos meios e o falecimento” do homem de 86 anos. Sociedade CRITICOS CONSIDERAM QUE ALTERAçõES FRAGMENTAM A EMERGENCIA MEDICA Críticos são quatro dos cinco presidentes do instituto entre 2010 e 2025 Dois mil impedidos de serem tarefeiros O diploma do Governo que aplica regras aos médicos tarefeiros ainda não está em vigor, mas já gera preocupação. Cerca de 2 mil médicos podem ficar impedidos de trabalhar no SNS como tarefeiros com as novas regras, o que pode criar “situações de rutura” nalguns hospitais, alerta o bastonário, Carlos Cortes. Estão em causa 1620 profissionais que deixaram o SNS nos últimos dois anos, bem como mais de 450 jovens especialistas que, após o internato, não optaram por uma vaga no SNS. Tarefeiros são importantes para garantir urgências Edgar Nascimento