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LIVRO BRANCO DA ENFERMAGEM APONTA DÉFICE DE QUASE 14 MIL PROFISSIONAIS NO SNS

HealthNews Online

2026-05-16 21:09:16

Documento apresentado no VII Congresso dos Enfermeiros, em Gondomar, identifica 13 áreas prioritárias e propõe criação de internato de especialização e regulamentação da prática avançada Amanhã, em Gondomar, no encerramento do VII Congresso dos Enfermeiros, é apresentado o Livro Branco da Enfermagem: Diagnósticos, Desafios e Estratégias para o Futuro da Profissão de Enfermeiro em Portugal. O documento chega num momento em que o Serviço Nacional de Saúde já não consegue disfarçar as costuras a ceder: populações mais velhas, doenças que se arrastam anos, urgências a abarrotar e filas de espera que parecem não ter fim. E, no meio disto tudo, uma classe profissional que há muito reclama por atenção. O retrato que o Livro Branco traça é cru. Portugal tem 7,6 enfermeiros por cada mil habitantes. A média da OCDE? Mais alta. E a conta que o documento faz ao défice no SNS é redonda: faltam 13.733 enfermeiros. Um número que, dito assim, parece abstracto, mas que no dia-a-dia dos serviços se traduz em turnos duplos, burnout a rebentar pelas costuras e doentes à espera de cuidados. O documento não se fica pelo diagnóstico. Aliás, se assim fosse, pouca novidade traria. O que o torna relevante é o conjunto de propostas que avançam, organizadas em quatro dimensões estratégicas: valorização e sustentabilidade da força de trabalho; desenvolvimento científico e profissional; integração e governação dos cuidados; e, por fim, inovação e transformação digital. Quem espera um amontoado de ideias soltas engana-se. Entre as 13 áreas prioritárias, saltam à vista algumas medidas concretas. A criação de indicadores nacionais sensíveis aos cuidados de Enfermagem é uma delas. A revisão dos modelos de avaliação, progressão e remuneração também. Mas há mais: as dotações seguras vinculativas - que basicamente obrigam a que haja enfermeiros suficientes em cada serviço, sem margem para interpretações criativas - e a prevenção do burnout, que não é apenas uma palavra da moda, mas uma necessidade premente. O Livro Branco defende ainda a criação do internato de especialização em Enfermagem. Uma reivindicação antiga, que nunca pegou. E a regulamentação da Prática de Enfermagem Avançada, figura que permitiria a enfermeiros com formação específica assumir responsabilidades que hoje estão confinadas a outros profissionais. A participação dos enfermeiros nos órgãos de decisão também é defendida, assim como a integração dos resultados da Enfermagem nos modelos de governação e contratualização. A articulação entre níveis de cuidados é outro dos calcanhares de Aquiles. O documento aponta a necessidade de a melhorar, tal como defende o reforço da interoperabilidade dos sistemas de informação - algo que, na prática, significa que os computadores e os registos deixem de falar línguas diferentes dentro do mesmo hospital. No documento, lê-se que “o investimento na Enfermagem deve ser entendido como uma estratégia essencial para melhorar o acesso, a qualidade, a equidade e a sustentabilidade do sistema de saúde”. Uma frase que, por mais óbvia que pareça, ainda não entrou pelos ouvidos de quem decide. O VII Congresso dos Enfermeiros termina este sábado, 16 de maio, em Gondomar. Fica a certeza de que o Livro Branco não é um daqueles documentos que vão parar à gaveta para ganhar pó. Ou pelo menos é essa a intenção de quem o escreveu. O resto, como sempre, depende da vontade política e da capacidade de quem governa ouvir - e agir. PR/HN/MM Documento apresentado no VII Congresso dos Enfermeiros, em Gondomar, identifica 13 áreas prioritárias e propõe criação de internato de especialização e regulamentação da prática avançada [Additional Text]: VII Congresso dos Enfermeiros 1