pressmedia logo

PAGAMENTO DE 126 MIL EUROS TRAMA DERMATOLOGISTA DO HOSPITAL DE SANTA MARIA

Correio da Manhã Online

2026-05-16 21:09:15

Artigo exclusivo Miguel Alpalhão recebeu verba elevada, em julho de 2024, o que alertou a administração do hospital. O dermatologista do Hospital de Santa Maria que recebeu pagamentos indevidos por cirurgias realizadas fora do horário normal de trabalho foi descoberto por recebido 126 178 euros num mês. Miguel Alpalhão fez 516 cirurgias extra e recebeu por este trabalho mais de 714 mil euros, entre 2021 e abril de 2025. Em sua defesa, no âmbito do processo da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), o médico disse que “respeitou sempre as boas práticas”. O momento da descoberta do caso de Miguel Alpalhão é revelado no relatório do processo da IGAS a este dermatologista. Segundo o documento da IGAS, o conselho de administração do Hospital de Santa Maria, liderado por Carlos Martins, considerou que os 126 178 euros pagos a Miguel Alpalhão, em julho de 2024, era um valor elevado e questionou o diretor de Recursos Humanos sobre a situação. E este justificou o valor com o pagamento de retroativos e atrasos na codificação dos atos médicos realizada pelo médico. Segundo o relatório da IGAS, no âmbito deste processo, Miguel Alpalhão afirmou em sua defesa: “a codificação é um ato médico e entende que a sua codificação respeitou sempre as boas práticas” e que “até esta polémica, todos os colegas do serviço procediam da mesma forma e segundo as mesmas instruções e que não havia informação sobre o que seria pequena cirurgia versus cirurgia de ambulatório”. O relatório da IGAS indica que foi justamente, em julho de 2024, que este dermatologista recebeu o valor mensal mais elevado dos cinco anos analisados ao pagamento de cirurgias feitas no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC). Com a descoberta deste caso, a administração do hospital tomou medidas para impedir o pagamento de montantes tão elevados: por exemplo, reduziu o valor pago às cirurgias extra e limitou-as a casos de oncologia. Segundo o relatório da IGAS, Miguel Alpalhão fez as seguintes cirurgias extra: 64, em 2021; 113, em 2022; 86, em 2023; 236, em 2024; e 17, no primeiro trimestre de 2025, no total de 516. IGAS determinou devolução do dinheiro recebido Miguel Alpalhão tem de devolver ao Hospital de Santa Maria o dinheiro que recebeu pela realização das cirurgias extra, entre 2021 e o primeiro trimestre de 2025. Em causa, estão mais de 714 mil euros que o médico terá de devolver a este hospital, na sequência das conclusões do processo instaurado pela IGAS. Segundo apurou o CM, o médico interpôs um processo em tribunal, a fim de obter uma decisão que trave a devolução do dinheiro ao hospital. Segundo o relatório da IGAS, o médico realizou os atos clínicos, não estando em causa trabalho não prestado. Segundo o relatório da IGAS, “o que se verificou foi que o procedimento não podia ter sido remunerado através do SIGIC, por não ter enquadramento, mas sim através de outra forma de pagamento, como produção regular, ou trabalho suplementar”. Ganhou 5524 euros com duas cirurgias feitas aos pais Miguel Alpalhão ganhou 5524 euros com duas cirurgias realizadas aos pais: segundo o relatório da IGAS, os dois episódios tiveram um custo, no âmbito do SIGIC, de 8632 euros. Segundo o relatório da IGAS, o médico “marcou as consultas de dermatologia para os seus pais, em que houvesse prévia referenciação, e fez as propostas cirúrgicas e as cirurgias de excisão, considerando que ambos os casos eram muito prioritários pelas condições clínicas particulares dos doentes”. E TAMBÉM Presidente desde 2024 Carlos Martins, antigo secretário de Estado da Saúde, é presidente do Hospital de Santa Maria desde fevereiro de 2024. Foi nomeado pelo então diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Fernando Araújo e substituiu Ana Paula Martins, atual ministra da saúde, que demitiu do cargo em dezembro de 2023. Contrato de trabalho Miguel Alpalhão já não trabalha no Hospital de Santa Maria. Alvo de um processo disciplinar e suspenso de funções, apresentou a demissão no final de 2025. DIAP abre investigação O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa abriu um inquérito ao caso de Miguel Alpalhão. O relatório da IGAS foi enviado ao Ministério Público e ao gabinete da ministra da Saúde. António Sérgio Azenha