ISTO É O FUTURO PARA QUEM TEM CARRO ELÉTRICO: PORTUGAL TEM DE COPIAR AMESTERDÃO
2026-05-15 21:09:23

Imagem: Elaad Entra no nosso canal Telegram e recebe as melhores ofertas ENTRAR Esta semana fui a Amesterdão e é difícil não notar (para além das bicicletas) na quantidade de carregadores de carros elétricos em zonas residenciais nos passeios. São milhares de pontos de carregamento elétrico, integrados na paisagem urbana com uma naturalidade que faz a nossa realidade em Lisboa ou no Porto parecer, no mínimo, ridícula. Para quem vive num prédio antigo, sem garagem, e sente que a mobilidade elétrica é um clube privado para donos de vivendas ou de prédios com garagem, o modelo holandês é a única solução viável se o caminho for de facto seguir a mobilidade elétrica total como a UE pretende. O modelo de Amesterdão: dados e realidade Amesterdão não se tornou a capital europeia da mobilidade elétrica à toa. Se compras um carro elétrico e não tens onde o carregar em casa, a cidade instala um posto perto de ti. Imagem: Greenflux Portugal: das "puxadas" pela janela à falta de aposta municipal Em Portugal, o cenário é o oposto. Quem arrisca no elétrico sem garagem tem de se preparar para alguma logística. O que vemos muito é cabos pendurados do terceiro andar, extensões a atravessar passeios, uma ilegalidade perigosa que nasce da necessidade e da falta de infraestrutura. Pode um cidadão pedir um carregador de rua em Lisboa? Legalmente, o licenciamento de postos em domínio municipal (via pública) existe, mas está focado em operadores (OPC) e não no pedido direto do residente, como acontece em Amesterdão através do portal Laadpaal aanvragen. Em Lisboa, a EMEL tem expandido a rede, mas de forma centralizada e muitas vezes insuficiente para a densidade populacional das zonas históricas. Como aplicar isto cá? Para cidades como Lisboa, onde bairros como Alvalade, Arroios ou a Estrela estão repletos de prédios sem garagem, a solução "à Amesterdão" exige três passos: O "direito ao carregamento": seria uma legislação municipal que obrigue a autarquia ou parceiros a instalar um ponto de carregamento num raio de 200 metros da residência de quem prova ter um VE e não tem garagem, como acontece em Amesterdão; Aproveitamento do mobiliário urbano: não precisamos de carregadores gigantes no passeio. Amesterdão usa postes de iluminação adaptados e unidades compactas. Lisboa poderia converter os seus milhares de parquímetros e candeeiros em pontos de 3,7 kW ou 7,4 kW; Tarifas noturnas: incentivar o carregamento lento noturno com taxas reduzidas, alivia a pressão sobre a rede e garante que o lugar de estacionamento cumpre uma dupla função. A mobilidade elétrica em Portugal só sairá deste nicho onde se encontra quando carregar um carro for tão banal como estacioná-lo. Enquanto continuarmos a tratar o carregamento de rua como uma exceção e não como a norma para quem vive em prédios sem garagem, continuaremos a ver fios pendurados pelas janelas. É por esta mesma razão que ainda não apostei em carro elétrico. Bruno Coelho